quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Casamento por Conveniência


Cap. 1


Era uma convocação, Arthur Aguiar percebeu. Ele franziu a so­brancelha, montado em seu aprumado Passo Fino, e observou os vastos espaços verdes onde milhares de cabeças de gado — todas pertencentes a ele — pastavam, alheias ao fato de seu dono estar prestes a embarcar no jato da empresa de Buenos Aires rumo a Londres.


Eram poucas as vezes que seu pai o convocava. Afinal, Arthur tinha anos e cortara o cordão umbilical há algum tempo. O assunto devia ser, portanto extremamente importante, e o chamado foi respon­dido de imediato.


Ele ficou momentaneamente preocupado. Será que envolvia a saúde der seus pais? Certamente, não. Sua mãe, com quem mantinha uma relação muito próxima, teria contado. Ainda assim, ele não perdeu tempo e galopou em direção à graciosa casa-grande, com as paredes de terracota banhadas pelo crepúsculo, e pediu ao empregado Juanito para fazer as malas.


Vinte e quatro horas depois Arthur estava sentado no escritório de sua família na Eaton Square, tentando absorver o impacto do que seu pai acabara de anunciar.



— Mas isso é completamente absurdo! — Arthur exclamou, passando as mãos pelos cabelos. — Ao que eu me lembro, Lua Blanco não completou vinte anos, é apenas uma menina. Como você e Billy podem pensar em casamento para ela?


— Francamente, Arthur, deixe de ser tão pudico. Você fala como se nunca tivesse ouvido falar em casamento por conveniência.


— Bem, não como este — retrucou Arthur, esticando suas longas pernas, cruzando os tornozelos e enrugando as sobrancelhas. — Não sei o que se passa pelas cabeças de vocês. Se Lua pensa em mim de alguma forma, provavelmente é como...



— Tolice. — O pai dele, firme e bem-vestido, apesar de contar já com oitenta anos, interrompeu-o. — Duvido que ela sequer se lembre de você, o que pode ser até vantajoso.


 
— Ah, maravilhoso!


— Pare com isso. Existe uma razão muito forte para este acordo.


— Existe? E qual poderia ser? - Arthur franziu as sobrancelhas.


— Falando franca e diretamente, Billy, o avo dela, está morrendo.


Arthur franziu o cenho e sentou de forma adequada.


— O que há com ele?


— Um câncer implacável, infelizmente. Ele tem no máximo seis meses. E, então, pode imaginar o que aconteceria com essa menina, solta no mundo com todo o dinheiro que vai herdar? Sem contar a administração do império de Billy — ele acrescentou, olhan­do para o filho.


— Então essa é a questão — respondeu Arthur lentamente. — Billy pensa em mim como um candidato adequado para as­sumir a direção, certo? Eu encararia como um grande elogio, considerando a amplitu­de e a complexidade de seu império.


— Sim, essa é uma forma interpretar isso.


— Só temos um pequeno problema.


Henrique ergueu uma sobrancelha e esperou.


— Não estou pronto para me casar. — o silêncio preencheu a sala antes de o senhor mais velho falar.


— Aceite este casamento com Lua...


— É uma moça! Que poderia ser praticamente minha filha — Arthur rejeitou, incrédulo.


— Dificilmente. A menos que você queira entrar para o livro dos recordes na lista dos pais mais jovens — murmurou seu pai, com um estranho toque de humor. — De qualquer forma, este casamento, como eu dizia antes de ser interrompido, não restringirá seu... hum... estilo de vida. Tenho certeza de que Lua cresceu esperando um casamento deste tipo. Eu admito que não a vejo há anos. Ela foi para o Colégio Sacré Coeur — ele continuou, com um ligeiro sorriso de satisfação. — Que por si só é um grande augúrio.



Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71