Cap.2
— Pai, a idéia toda é um completo absurdo! — Arthur explodiu. Ele pulou da cadeira e caminhou pelo escritório, sua figura atlética vestida por um terno italiano de corte primoroso. — Vocês agem como se estivéssemos ainda na Idade Média! Eu jamais poderia concordar com um plano desses!
— Pelo menos pense um pouco sobre ele, filho —
disse Henrique. — Seria uma grande oportunidade para você. Em termos de
negócios, quero dizer.
Arthur piscou os olhos e se indignou.
— Pai, se você pensa que vou me atirar em um
casamento de conveniência que não desejo apenas para ampliar meus negócios, que
já são grandes o suficiente, desista agora mesmo — ele respondeu, de forma
intimidadora.
— Não é isso que quero dizer — Henrique respondeu,
medindo a reação do filho. — Pense na sua mãe e em mim. Nós mal nos conhecíamos
antes das núpcias. E veja como tudo ficou maravilhoso. A verdade é que jamais
olhei para outra mulher, e posso assegurar que eu era muito jovem na minha
época. — Ele soltou uma gargalhada lenta e baixa. — E com relação à idade...
Bem, sua mãe é vinte anos mais nova do que eu. Você tem apenas treze anos a
mais que a Lua. Não vou levar isso em consideração. E, depois, com 32 anos, já
é mais do que hora de você começar a pensar em formar uma família.
— Como quiser, pai. — Arthur resmungou,
necessitando ficar sozinho para pensar sobre toda aquela confusão.
— Posso falar ao Billy que pelo menos você vai
pensar sobre a proposta? Decliná-la assim de pronto seria considerado um
insulto.
Era verdade. A honra de ter sido escolhido por um
dos homens mais ricos do mundo para ser seu futuro genro, herdeiro de todas as
suas responsabilidades, era indiscutível. Um comportamento inadequado poderia
afetar uma amizade de muitos anos.
Arthur balançou a cabeça, ainda relutante.
— Está certo, pai. Mas com uma condição — ele
declarou. — Eu quero ver Lua. Presumo que ela esteja a par das circunstâncias.
— Hum... não que eu saiba — murmurou Henrique. —
Tudo tem seu tempo.
— Ótimo — respondeu Arthur cinicamente, virando os
olhos.
~~//~~
— Os Aguiar? — Lua enrugou a sobrancelha bem-feita
e virou seu rosto delicado e bronzeado para o lado, com seus brilhantes olhos
verdes fixados em seu avô. — Acho que não me lembro deles. Nós os conhecemos na
Argentina?
— Claro, querida. Mas já faz bastante tempo que
eles não nos visitam. Pelo menos desde que você foi para a escola. Henrique
Aguiar é um velho amigo em quem confio muito, e sua esposa, Katia, tem uma certa
relação com a família de sua avó.
— Ah — Lua balançou a
cabeça, — são relacionados de alguma forma com a família
— Eles virão para um chá amanhã e trarão seu filho,
Arthur, de quem você deve se lembrar. Ele apareceu uma ou duas vezes quando
estava em Eton e Oxford.
— Desculpe, mas não faço idéia de quem seja. — Ela
sacudiu os cabelos castanho-claros e se levantou. — Estou indo para o torneio
agora. Precisa de alguma coisa antes que eu saia? Água para seus comprimidos? —
ela perguntou, preocupada.
Seu avô parecia ter envelhecido muito nas últimas
semanas, e ela preocupava-se com ele. Não era à toa que ela havia herdado a
percepção de sua falecida mãe Blanca e sua capacidade inata de administrar
Thurston Manor, sua adorável casa de campo próxima a Windsor. Podia garantir
que seu amado avô estava gripado.
— Não, não, querida. Pode ir. Apenas lembre-se de
voltar a tempo para o chá de amanhã.
— Tentarei. Mas temos as semifinais, e se eu
passar, amanhã estarei jogando.
Billy sorriu para ela
bondosamente. Amava tanto a neta e desejava — ah, como desejava! — viver para
vê-la florescer plenamente e observar sua transformação numa linda mulher. Mas
não era esse seu destino, lembrou-se com um suspiro, aceitando o beijo suave em
sua velha e ressecada bochecha.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário