sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Casamento por Conveniência







Cap.2



— Pai, a idéia toda é um completo absurdo! — Arthur explodiu. Ele pulou da cadeira e caminhou pelo escritório, sua figura atlética vestida por um terno italiano de corte primoroso. — Vocês agem como se estivéssemos ainda na Idade Média! Eu jamais poderia con­cordar com um plano desses!

— Pelo menos pense um pouco sobre ele, filho — disse Henrique. — Seria uma grande oportunidade para você. Em termos de negócios, quero dizer.

Arthur piscou os olhos e se indignou.

— Pai, se você pensa que vou me atirar em um casamento de conveniência que não desejo apenas para ampliar meus negócios, que já são grandes o suficiente, desista agora mesmo — ele respondeu, de forma intimidadora.

— Não é isso que quero dizer — Henrique respondeu, medindo a reação do filho. — Pense na sua mãe e em mim. Nós mal nos conhecíamos antes das núpcias. E veja como tudo ficou maravilhoso. A verdade é que jamais olhei para outra mulher, e posso assegurar que eu era muito jovem na minha época. — Ele soltou uma gargalha­da lenta e baixa. — E com relação à idade... Bem, sua mãe é vinte anos mais nova do que eu. Você tem apenas treze anos a mais que a Lua. Não vou levar isso em consideração. E, depois, com 32 anos, já é mais do que hora de você começar a pensar em formar uma família.

— Como quiser, pai. — Arthur resmungou, necessitando ficar sozinho para pensar sobre toda aquela confusão.

— Posso falar ao Billy que pelo menos você vai pensar sobre a proposta? Decliná-la assim de pronto seria considerado um insulto.

Era verdade. A honra de ter sido escolhido por um dos homens mais ricos do mundo para ser seu futuro genro, herdeiro de todas as suas responsabilidades, era indiscutível. Um comportamento inade­quado poderia afetar uma amizade de muitos anos.

Arthur balançou a cabeça, ainda relutante.

— Está certo, pai. Mas com uma condição — ele declarou. — Eu quero ver Lua. Presumo que ela esteja a par das circunstâncias.

— Hum... não que eu saiba — murmurou Henrique. — Tudo tem seu tempo.

— Ótimo — respondeu Arthur cinicamente, virando os olhos.

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— Os Aguiar? — Lua enrugou a sobrancelha bem-feita e virou seu rosto delicado e bronzeado para o lado, com seus brilhantes olhos verdes fixados em seu avô. — Acho que não me lembro deles. Nós os conhecemos na Argentina?

— Claro, querida. Mas já faz bastante tempo que eles não nos visitam. Pelo menos desde que você foi para a escola. Henrique Aguiar é um velho amigo em quem confio muito, e sua esposa, Katia, tem uma certa relação com a família de sua avó.

— Ah — Lua balançou a cabeça, — são rela­cionados de alguma forma com a família

— Eles virão para um chá amanhã e trarão seu filho, Arthur, de quem você deve se lembrar. Ele apareceu uma ou duas vezes quando estava em Eton e Oxford.

— Desculpe, mas não faço idéia de quem seja. — Ela sacudiu os cabelos castanho-claros e se levantou. — Estou indo para o torneio agora. Precisa de alguma coisa antes que eu saia? Água para seus comprimidos? — ela perguntou, preocupada.

Seu avô parecia ter envelhecido muito nas últimas semanas, e ela preocupava-se com ele. Não era à toa que ela havia herdado a percep­ção de sua falecida mãe Blanca e sua capacidade inata de adminis­trar Thurston Manor, sua adorável casa de campo próxima a Windsor. Podia garantir que seu amado avô estava gripado.

— Não, não, querida. Pode ir. Apenas lembre-se de voltar a tempo para o chá de amanhã.

— Tentarei. Mas temos as semifinais, e se eu passar, amanhã esta­rei jogando.

Billy sorriu para ela bondosamente. Amava tanto a neta e desejava — ah, como desejava! — viver para vê-la florescer plena­mente e observar sua transformação numa linda mulher. Mas não era esse seu destino, lembrou-se com um suspiro, aceitando o beijo suave em sua velha e ressecada bochecha.



                Continua...

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