terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Casamento por Conveniência



Cap.3


E ele tinha que assegurar a sub­sistência dela. Não somente financeira, pois quanto a isso ela estava bastante bem assistida. Não, essa era apenas metade da preocupação. Na realidade, o que realmente o preocupava eram os caçadores de fortuna, que ele sabia que a circundariam como abutres no momento em que ele estivesse morto e enterrado.

Eram quatro horas quando a limusine surgiu na entrada da esplên­dida casa de campo. Novamente aquela sensação de desgosto percorreu o corpo de Arthur. Toda aquela situação era completamente ab­surda e fazia com que se sentisse como o vilão de uma novela mexi­cana. Mesmo assim, ele ouviu as súplicas da mãe e as solicitações do pai para pelo menos honrar Billy com uma visita. E ele o honraria, supunha, enquanto saía do carro. Talvez depois disso pu­desse trazer o pai e Billy à razão.

Alguns minutos depois, eles foram conduzidos por um elegante mordomo até o jardim, onde Billy esforçou-se para levantar de uma cadeira de vime.

— Amigos — ele disse, abraçando Henrique e beijando Katia. — Que prazer recebê-los em minha casa. — Então ele virou-se para o rapaz e o observou de perto. — Como vai, Arthur? Já não nos vemos há alguns anos, mas tenho acompanhado seu brilhante progresso, posso dizer assim? — Ele ergueu a sobrancelha e sorriu. — Conhe­cendo seu pai como conheço, seu sucesso não me surpreende, mas ainda assim me impressiona. Muito.

— Vindo do senhor é um grande elogio — murmurou Arthur, apertando a mão de Billy. Ele sentiu o aperto ligeiro e a fragilidade nos dedos do amigo do pai, e notou que seus vivazes olhos acinzentados traíam a doença. Também notou que Billy não seria iludido facilmente. Enquanto sentava-se ao lado da mãe, à mesa já posta para o chá, Arthur calculava o quanto seria difícil desvencilhar-se desse casamento. Não havia sinal de Lua, ele obser­vou, com uma ponta de esperança. Talvez ela ficara sabendo do acor­do e se recusara a cumpri-lo. Afinal, tinha apenas vinte anos.

Melhor assim.

Ele estava até concebendo a idéia de ajudá-la, ser seu consultor fi­nanceiro, até mesmo um fiduciário, se Billy assim o desejasse.


O pensamento começou a tomar forma. Talvez essa fosse a manei­ra de lidar
com a situação, ele refletia, com seu raciocínio rápido já resolvendo a questão. Se Lua não concordasse com o casamento, ele poderia se esquivar com classe e não ser considerado culpado, e tudo seguiria o melhor caminho. Era simplesmente uma questão de corri­gir a estratégia.

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— Eles já chegaram? — perguntou Lua, sem fôlego, enquanto pulava do seu carro esporte. Depois de jogar a raquete de tênis em uma das cadeiras do corredor, ela olhou para o espelho. — Estou horrível. Mas acho que é melhor eu aparecer para cumprimentar as pessoas, ou meu avô vai me matar — ela exclamou para Worthing, o mordomo, que a olhava severamente.


— Fernando e os convidados estão no jardim, srta Dulce — ele ainda a chamava pelo apelido de infância.


— Bom. Bem, você vai ver se o chá foi servido, não vai? E, Worth­ing? Por favor, peça ao cozinheiro para servir tanto o chinês quanto o do Ceilão. Não sei qual é a preferência dos convidados.


— Claro, srta. Lua — ele respondeu, enrugando os lábios e ba­lançando a cabeça afetuosamente, enquanto ela se encaminhava para onde o grupo estava sentado, sob o carvalho, em frente ao lago.


Arrumando os cabelos, ela correu pelo caminho, como era bom para seu avô ter amigos em casa. Ele via poucas pessoas nos últimos tempos. Enquanto se aproximava por trás deles, Lua pensa­va que não era bom para Billy ter uma vida tão solitária, embora muita atividade social talvez pudesse cansá-lo.


— Olá. Desculpem pelo atraso.


Arthur virou.


— Tia Katia, tio Henrique, há quanto tempo — ela disse, beijando os pais de Arthur, enquanto ele olhava com franca admiração para a deslumbrante e extrovertida moça, para suas intermináveis pernas bronzeadas que aniquilavam a idéia que ele tinha de uma adolescente rechonchuda e malvestida. O sorriso era fascinante, seus dentes bran­cos e perfeitos, e sua pele bronzeada realçava a beleza de seus enor­mes olhos verdes amendoados, de forma a deixar até mesmo um con­quistador como ele atordoado.



Continua...


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