Cap.3
E ele tinha que assegurar a subsistência dela. Não somente financeira, pois quanto a isso ela estava bastante bem assistida. Não, essa era apenas metade da preocupação. Na realidade, o que realmente o preocupava eram os caçadores de fortuna, que ele sabia que a circundariam como abutres no momento em que ele estivesse morto e enterrado.
Eram quatro horas quando a limusine surgiu na
entrada da esplêndida casa de campo. Novamente aquela sensação de desgosto
percorreu o corpo de Arthur. Toda aquela situação era completamente absurda e
fazia com que se sentisse como o vilão de uma novela mexicana. Mesmo assim,
ele ouviu as súplicas da mãe e as solicitações do pai para pelo menos honrar Billy
com uma visita. E ele o honraria, supunha, enquanto saía do carro. Talvez
depois disso pudesse trazer o pai e Billy à razão.
Alguns minutos depois, eles foram conduzidos por um
elegante mordomo até o jardim, onde Billy esforçou-se para levantar de uma
cadeira de vime.
— Amigos — ele disse, abraçando Henrique e beijando
Katia. — Que prazer recebê-los em minha casa. — Então ele virou-se para o rapaz
e o observou de perto. — Como vai, Arthur? Já não nos vemos há alguns anos, mas
tenho acompanhado seu brilhante progresso, posso dizer assim? — Ele ergueu a
sobrancelha e sorriu. — Conhecendo seu pai como conheço, seu sucesso não me surpreende,
mas ainda assim me impressiona. Muito.
— Vindo do senhor é um grande elogio — murmurou
Arthur, apertando a mão de Billy. Ele sentiu o aperto ligeiro e a fragilidade
nos dedos do amigo do pai, e notou que seus vivazes olhos acinzentados traíam a
doença. Também notou que Billy não seria iludido facilmente. Enquanto
sentava-se ao lado da mãe, à mesa já posta para o chá, Arthur calculava o
quanto seria difícil desvencilhar-se desse casamento. Não havia sinal de Lua,
ele observou, com uma ponta de esperança. Talvez ela ficara sabendo do acordo
e se recusara a cumpri-lo. Afinal, tinha apenas vinte anos.
Melhor assim.
Ele estava até concebendo a idéia de ajudá-la, ser
seu consultor financeiro, até mesmo um fiduciário, se Billy assim o desejasse.
O pensamento começou
a tomar forma. Talvez essa fosse a maneira de lidar
com a situação, ele refletia, com seu raciocínio
rápido já resolvendo a questão. Se Lua não concordasse com o casamento, ele
poderia se esquivar com classe e não ser considerado culpado, e tudo seguiria o
melhor caminho. Era simplesmente uma questão de corrigir a estratégia.
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— Eles já chegaram? — perguntou Lua, sem fôlego,
enquanto pulava do seu carro esporte. Depois de jogar a raquete de tênis em uma
das cadeiras do corredor, ela olhou para o espelho. — Estou horrível. Mas acho
que é melhor eu aparecer para cumprimentar as pessoas, ou meu avô vai me matar
— ela exclamou para Worthing, o mordomo, que a olhava severamente.
— Fernando e os convidados estão no jardim, srta
Dulce — ele ainda a chamava pelo apelido de infância.
— Bom. Bem, você vai ver se o chá foi servido, não
vai? E, Worthing? Por favor, peça ao cozinheiro para servir tanto o chinês
quanto o do Ceilão. Não sei qual é a preferência dos convidados.
— Claro, srta. Lua — ele respondeu, enrugando os
lábios e balançando a cabeça afetuosamente, enquanto ela se encaminhava para
onde o grupo estava sentado, sob o carvalho, em frente ao lago.
Arrumando os cabelos, ela correu pelo caminho, como
era bom para seu avô ter amigos em casa. Ele via poucas pessoas nos últimos
tempos. Enquanto se aproximava por trás deles, Lua pensava que não era bom
para Billy ter uma vida tão solitária, embora muita atividade social talvez
pudesse cansá-lo.
— Olá. Desculpem pelo atraso.
Arthur virou.
— Tia Katia, tio Henrique, há quanto tempo — ela
disse, beijando os pais de Arthur, enquanto ele olhava com franca admiração
para a deslumbrante e extrovertida moça, para suas intermináveis pernas
bronzeadas que aniquilavam a idéia que ele tinha de uma adolescente rechonchuda
e malvestida. O sorriso era fascinante, seus dentes brancos e perfeitos, e sua
pele bronzeada realçava a beleza de seus enormes olhos verdes amendoados, de
forma a deixar até mesmo um conquistador como ele atordoado.
Continua...

Continua por favor
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