Meus pais nunca
tiveram a chance para explicar o que tinha
acontecido, de qualquer forma. Quando nós chegamos em casa, meu pai estava no meio da sua
aula de tântrica yoga para viciados em sexo, super hippies das montanhas, do lado de fora do estúdio atrás da casa, então mamãe me disse para eu ir em frente
aula de tântrica yoga para viciados em sexo, super hippies das montanhas, do lado de fora do estúdio atrás da casa, então mamãe me disse para eu ir em frente
na minha tarefa.
E então Arthur
chegou mais cedo para o jantar.
Eu estava no
celeiro colocando o esterco para fora do estábulo quando, fora da visão periférica, eu vi uma sombra cruzar a porta do celeiro, a abrindo.
-Quem está aí? –
eu chamei nervosamente, ainda sobressaltada com
os eventos do dia.
Quando não houve
resposta, eu tive uma sensação ruim do
meu visitante que era nosso convidado para o jantar. Mamãe o convidou, eu me lembro de como, com
suficiente
certeza, um europeu alto, estudante de intercâmbio, dando um tranco na poeira que girava em círculos. Ele não pode ser perigoso.
Deixando de lado a
aprovação da minha mãe, eu segurei firme a
pá.
-O que você está
fazendo aqui? – demandei enquanto ele se
aproximava.
-Modos, modos –
reclamou Arthur com seu acento estirado,
levantando com seus pés pequenas nuvens de poeira com cada longo passo. Ele se aproximou até ficar
a poucos passos de
mim, e sua altura voltou a me impressionar. –
Uma dama não grita nos estábulos. – Ele continuou. – E que tipo de saudação é essa?
Estaria o garoto que me espiou o dia todo, me ensinando etiqueta?
-Eu perguntei por
que você está aqui – eu repeti, agarrando a pá um
pouco mais forte.
-Para conhecê-la melhor, é claro – disse ele, ainda me avaliando, na verdade me
cercando, olhando
minhas roupas. Girei, tentando não
perdê-lo de vista, e o peguei enrugando o nariz. – É claro que você também está ansiosa p/me conhecer
também.
Não, realmente... Eu não tinha ideia do que ele estava falando, mas sua inspeção
dos pés a cabeça
da minha pessoa, não era legal.
-Por que está me
olhando assim?
Ele parou de me
cercar.
-Você está limpando o estábulo? Isso são fezes nos seus sapatos?
-Yeah – eu disse, confusa com seu tom. Por que ele se preocupava com o que
havia nos meus sapatos? - Limpo o estábulo todas as noites.
-Você? – ele parecia desconcertado – e consternado.
-Alguém tem que fazer – eu disse. Por que você acha que isso é assunto seu?
-Sim, bem, do lugar de onde eu venho, nós temos pessoas para fazer isso.
-Pessoas contratadas – ele suspirou. – Você-uma dama da sua categoria-nunca deveria fazer coisas de tão pouca importância. É uma ofensa.
Quando ele disse
isso, meus dedos se apertaram de novo contra a
pá – e não por medo. Arthur Vladescu não era só intimidante. Era exasperante.
-Olha, eu já tive
o suficiente de você me rondando e sua
atitude – disse bruscamente. – Quem você acha que é, de qualquer maneira? E por que você está
me seguindo?
A fúria e a
incredulidade flamejaram nos olhos negros de Arthur.
-Sua mãe ainda não
disse nada a você, não é? – ele sacudiu a
cabeça. – Dr.
Packwood prometeu
que contaria tudo a você. Seus pais não são
muito bons em
cumprir promessas.
-Nós... nós,
provavelmente, iríamos falar disso mais tarde –
eu gaguejei, minha
indignação
fraquejou um pouco ao ver a sua evidente ira. –
Meu pai está ensinando yoga...
-Yoga? – Arthur soltou uma risada áspera. – Contorcionar seu corpo em uma série de posições ridículas é mais importante que informar sua filha sobre o pacto? E que tipo de homem pratica um passatempo tão pacifista? Os homens
deveriam treinar
na guerra, não desperdiçar seu tempo entoando
“om” e tagarelando coisas sobre a paz interior.
Esqueça a yoga e a tagarelice.
-Pacto? Que pacto?
Mas Arthur estava olhando para as vigas no teto do estábulo, passeando com as mãos para trás das costas, murmurando para si
mesmo.
-Isto não está indo bem. Nada está indo bem. Eu aconselhei os Anciões que você
deveria ter sido
levada de volta a Romênia há anos, que você
nunca seria uma
esposa adequada...
esposa adequada...
Whoa, espera aí.
-Esposa?
Arthur parou,
girando seus calcanhares para me encarar.
-Estou cansado da
sua ignorância – ele se aproximou de mim, se inclinando e olhando fixamente nos meus olhos. – Já que seus pais se negaram a informá-la,
entregarei as
notícias eu mesmo, e farei disso o mais simples que eu puder – sinalou para seu próprio peito e anunciou, como se estivesse falando com uma
criança. – Eu sou
um vampiro – apontou para meu peito. – Você
é uma vampira. E estamos destinados a nos casar, quando você tiver a idade. Foi decretado assim
desde o nosso
nascimento.
Não pude processar
nem a parte do “casar”, ou do “decretado”. Eu
tinha me perdido na palavra “vampiro”.
Louco. Arthur Vladescu é completamente louco. E
eu estou só com ele, em um estábulo vazio.
E foi quando eu
fiz o que uma pessoa sana faria. Joguei a pá
em direção a seu pé
e corri para casa
rapidamente ignorando seu grito de dor.
Continua...

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