segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 5



Piscou e olhou para Mel, a fim de verificar se a amiga fora afetada da mesma forma. Porém, se fosse esse o caso, ela nada demonstrava.


Devia estar alucinando. Era isso! O condimento dos feijões-vermelhos tinha se infiltrado em seu cérebro, transformando-o em mingau.


- O que você acha dele? - Mel indagou, finalmente encontrando seu olhar.


Lua deu de ombros, esforçando-se para subjugar o calor em seu corpo. Ainda assim, seus olhos insistiram em se voltar para a aparência perfeita daquele homem.


- Ele parece um paciente novo que atendi ontem.


Bem, aquilo não era exatamente verdade... O sujeito que ela atendera era razoavelmente atraente, mas nem se aproximava do homem no desenho.


Nunca vira nada como ele na vida!


- É mesmo? - Os olhos de Mel se escureceram, indicando que estava prestes a iniciar uma longa preleção sobre destino e encontros fortuitos.


- Sim. - disse Lua, interrompendo-a antes que ela pudesse começar. - Ele me falou que era uma lésbica presa em um corpo de homem.


Com uma expressão desapontada, Mel puxou o livro das mãos de Lua, fechou-o com força e encarou-a.


- Você conhece as pessoas mais esquisitas! - Lua apenas ergueu a sobrancelha. - Não diga nada. - Mel sentou-se no lugar que costumava ocupar atrás da mesa e colocou o livro ao lado. - Estou lhe dizendo que isto, - bateu com o dedo duas vezes no centro do livro - é a solução para você.


Lua fitou a amiga, pensando em como ela parecia mesmo Madame Mel, autoproclamada Senhora da lua, acomodada atrás das cartas de tarô e da mesa púrpura, com o misterioso livro sob a mão. No momento, quase podia crer que Mel fosse uma cigana mística.


Se acreditasse em tais coisas.


- Certo. - concordou Lua, cedendo. - Pare de enrolar e me diga o que esse livro e essa imagem têm a ver com a minha vida sexual.


A expressão de Mel tornou-se solene.


- O sujeito que mostrei a você... Arthur... É um escravo sexual completamente controlado por quem quer que o evoque, e também é devotado a essa pessoa.


Lua deu uma gargalhada.


Sabia que estava sendo indelicada, mas não conseguiu evitar.


Como uma bolsista da Fundação Rhodes, com doutorado em história antiga e em física pela Universidade de Oxford, mesmo alguém com as idiossincrasias de Mel, podia acreditar em algo tão ridículo?


- Não ria. Estou falando sério.


- Sei que está. Por isso é tão engraçado. - Pigarreando, Lua controlou-se. - Certo. O que eu preciso fazer? Tirar as roupas e dançar diante do lago Pontchartrain à meia-noite? - Os cantos de sua boca se ergueram ao mesmo tempo em que os olhos de Mel se escureceram em forma de advertência. - Tem razão. Eu conseguiria sexo, mas não acho que seria com um lindo escravo sexual grego.


O livro caiu da mesa.



Continua...

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