sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap. 61 - Penúltimo capitulo


Lua concordou, balançando a cabeça. Sentiu-se desanimada. En­tão, afinal de contas, era uma mulher.


— Desde que seu avô morreu — falou Arthur —, eu venho diri­gindo os negócios da Carvajal, você sabe.


Ela balançou a cabeça assertivamente e ouviu.


— Depois de muitos dias estudando alguns arquivos e me reunin­do com membros da diretoria e da equipe, me inteirei de alguns des­vios. Ou o que pensei que fossem desvios. Não vou chateá-la passan­do todos os detalhes que neste momento não têm importância, direi apenas que comecei a desconfiar cada vez mais de uma série de pes­soas e, sinto muito em dizer isso, principalmente do Sr. Wilfred.


— O Sr. Wilfred? — exclamou, chocada. — Mas ele era a pessoa de mais confiança do meu avô.


— Eu sei. O que torna a minha descoberta duas vezes pior.


— O que você descobriu? — perguntou dividida entre o choque da revelação dele e o prazer de saber que a razão para sua ausência estava longe de ser o que sua imaginação fértil criava, o que a fazia sentir-se burra e culpada de tê-lo acusado em vão.


— Creio que ele esteja desviando fundos da empresa desde que seu avô adoeceu. Mas será difícil de provar, e eu hesitaria em levar essa questão aos tribunais. Só vai causar um escândalo e provavel­mente afetaria o valor de mercado da empresa como um todo. Acho que devemos lidar com isso da forma mais discreta possível. Afinal, o Sr. Wilfred está ficando velho e não seria surpresa se ele se aposen­tasse.


— Mas isso é horrível! — exclamou, horrorizada por uma pessoa de tanta confiança do seu avô chegar até aquele ponto. — Como ele pôde fazer isso se sabia o quanto meu avô confiava nele? Ele não deveria passar impunemente por isso.


Ele suspirou.


— Eu sei que não, mas acredite em mim, Lua, essa é a melhor forma de lidarmos com isso. Assim evitaremos um alvoroço. E a empresa não sofreu tanto assim com o comportamento dele. Graças a Deus, ele não teve tempo de causar muito prejuízo.

— Não... Graças a você — ela disse, fitando-o.


— Só fiz o meu dever. Foi por causa desse tipo de coisa que seu avô queria alguém responsável no comando. Eu estava simplesmente fazendo meu trabalho.


Lua sorriu.


— Talvez seja verdade, mas... Sinto-me horrível por ter imaginado tantas coisas sobre você.


— A culpa não é toda sua — ele respondeu, pegando a mão dela e apertando seus dedos. — Não fiz nada para aliviar suas dúvidas. Eu não podia, sabe. Não queria incomodá-la desnecessariamente e não achava que pudesse dar minha opinião até provar o que o Sr. Wilfred estava fazendo.


— Entendo. Como fui burra!


— Nem tanto. Eu gosto de saber que minha esposa tem ciúmes de mim. Eu faria o mesmo no seu lugar.


— Faria? — ela perguntou, enrubescendo, de repente curiosa.


— Sim. Nunca nem pense em ter algum rapaz jovem e bonito perto de você.


— Eu nem sonharia com isso — disse Lua, sorrindo para ele. — Estou bastante feliz com o que tenho.


— Está? Espero que sim. Porque eu estou. — Ele se levantou, caminhou ao redor da mesa e passou as mãos por trás do pescoço dela, beijando firmemente o topo de sua cabeça.


—Tem certeza de que este casamento não é apenas uma obrigação para você? — ela perguntou novamente, precisando sentir-se absolu­tamente segura antes de se comprometer.


— Diga-me, o que parece para você, meu amor? Eu pareço entediado com você? Infeliz? Indisponível para o sexo?


— Não, claro que não.


— Então por que está preocupada?

— Não sei. Não estou mais, eu acho. É que foi tudo tão... Imposto, como...


Continua... 

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