Lua concordou, balançando a cabeça.
Sentiu-se desanimada. Então, afinal de contas, era uma mulher.
— Desde que seu avô morreu — falou Arthur
—, eu venho dirigindo os negócios da Carvajal, você sabe.
Ela balançou a cabeça assertivamente
e ouviu.
— Depois de muitos dias estudando
alguns arquivos e me reunindo com membros da diretoria e da equipe, me
inteirei de alguns desvios. Ou o que pensei que fossem desvios. Não vou
chateá-la passando todos os detalhes que neste momento não têm importância,
direi apenas que comecei a desconfiar cada vez mais de uma série de pessoas e,
sinto muito em dizer isso, principalmente do Sr. Wilfred.
— O Sr. Wilfred? — exclamou, chocada.
— Mas ele era a pessoa de mais confiança do meu avô.
— Eu sei. O que torna a minha
descoberta duas vezes pior.
— O que você descobriu? — perguntou
dividida entre o choque da revelação dele e o prazer de saber que a razão para
sua ausência estava longe de ser o que sua imaginação fértil criava, o que a
fazia sentir-se burra e culpada de tê-lo acusado em vão.
— Creio que ele esteja desviando
fundos da empresa desde que seu avô adoeceu. Mas será difícil de provar, e eu
hesitaria em levar essa questão aos tribunais. Só vai causar um escândalo e
provavelmente afetaria o valor de mercado da empresa como um todo. Acho que
devemos lidar com isso da forma mais discreta possível. Afinal, o Sr. Wilfred
está ficando velho e não seria surpresa se ele se aposentasse.
— Mas isso é horrível! — exclamou,
horrorizada por uma pessoa de tanta confiança do seu avô chegar até aquele
ponto. — Como ele pôde fazer isso se sabia o quanto meu avô confiava nele? Ele
não deveria passar impunemente por isso.
Ele suspirou.
— Eu sei que não, mas acredite em
mim, Lua, essa é a melhor forma de lidarmos com isso. Assim evitaremos um
alvoroço. E a empresa não sofreu tanto assim com o comportamento dele. Graças a
Deus, ele não teve tempo de causar muito prejuízo.
— Não... Graças a você — ela disse,
fitando-o.
— Só fiz o meu dever. Foi por causa
desse tipo de coisa que seu avô queria alguém responsável no comando. Eu estava
simplesmente fazendo meu trabalho.
Lua sorriu.
— Talvez seja verdade, mas... Sinto-me
horrível por ter imaginado tantas coisas sobre você.
— A culpa não é toda sua — ele
respondeu, pegando a mão dela e apertando seus dedos. — Não fiz nada para
aliviar suas dúvidas. Eu não podia, sabe. Não queria incomodá-la
desnecessariamente e não achava que pudesse dar minha opinião até provar o que
o Sr. Wilfred estava fazendo.
— Entendo. Como fui burra!
— Nem tanto. Eu gosto de saber que
minha esposa tem ciúmes de mim. Eu faria o mesmo no seu lugar.
— Faria? — ela perguntou,
enrubescendo, de repente curiosa.
— Sim. Nunca nem pense em ter algum
rapaz jovem e bonito perto de você.
— Eu nem sonharia com isso — disse Lua,
sorrindo para ele. — Estou bastante feliz com o que tenho.
— Está? Espero que sim. Porque eu
estou. — Ele se levantou, caminhou ao redor da mesa e passou as mãos por trás
do pescoço dela, beijando firmemente o topo de sua cabeça.
—Tem certeza de que este casamento
não é apenas uma obrigação para você? — ela perguntou novamente, precisando
sentir-se absolutamente segura antes de se comprometer.
— Diga-me, o que parece para você,
meu amor? Eu pareço entediado com você? Infeliz? Indisponível para o sexo?
— Não, claro que não.
— Então por que está preocupada?
— Não sei. Não estou mais, eu acho. É que foi tudo tão... Imposto, como...
Continua...

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