segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 7



Horas depois, Lua suspirou ao abrir a porta de sua casa de dois andares e entrar no vestíbulo lustroso.


Deixou a correspondência sobre a antiga mesinha de canto perto da escada, antes de trancar a porta. Depois, colocou as chaves ao lado das cartas.


Assim que tirou os sapatos pretos de salto alto, sentiu o silêncio que a envolvia, e seu peito se apertou. Toda noite ela seguia a mesma rotina inócua.


Chegava a uma casa vazia, deixava a correspondência sobre a mesa, arrastava-se para o andar de cima a fim de trocar de roupa, fazia uma refeição leve, separava a correspondência, lia um livro, ligava para Mel, checava seu serviço de recados e ia para a cama.


Mel tinha razão. Sua vida era um breve e entediante estudo sobre a monotonia.


E, aos vinte e nove, estava cansada disso.


Droga! Até mesmo Jamie, aquele que costumava enfiar o dedo no nariz, começava a parecer bom.


Bem, talvez não Jamie e o nariz dele, mas com certeza em algum lugar havia alguém que não era um cretino. Não havia?


Subindo as escadas, ela decidiu que viver sozinha não era assim tão horrível. Pelo menos tinha tempo suficiente para se dedicar aos seus hobbies. Ou para encontrar alguns hobbies, pensou, enquanto caminhava pelo corredor na direção do quarto.


Algum dia, ela realmente precisaria de um. Atravessou o aposento, deixou os sapatos ao lado da cama e trocou de roupa depressa. Acabara de prender o cabelo em um rabo de cavalo, quando a campainha tocou.


Descendo de novo, abriu a porta para Mel. Assim que ela abriu a porta, a amiga bufou.


- Você não vai usar isso esta noite, vai?


Lua olhou para o jeans esburacado e para a camiseta larga.


- Desde quando você começou a se importar com a minha aparência?


Então ela viu aquilo na imensa bolsa de vime que Mel usava para carregar compras.


- Ah, não! Esse livro de novo, não.


Parecendo um pouco aborrecida, Mel indagou:


- Sabe qual é o seu problema,Lu?


Lua olhou para o teto, em busca de ajuda divina. Infelizmente, não havia nenhuma em vista.


- Qual? O fato de eu não ficar enlouquecida sob o efeito da lua e atirar minha pessoa gorda e sardenta em cima de todo sujeito que encontro?


- O fato de você não ter ideia do quanto é adorável.


Enquanto Lua ficava parada, aturdida com o comentário atípico, Mel levou o livro até a sala de estar e colocou-o sobre a mesinha de centro.


Em seguida, pegou o vinho na sacola e dirigiu-se à cozinha. Lua não a seguiu. Tinha pedido pizza antes de sair do trabalho, e sabia que Mel fora apenas buscar as taças.


Como se puxada por uma mão invisível, Lua sentiu-se ser arrastada até a mesa de centro, sobre a qual estava o livro.


Involuntariamente, esticou o braço para tocá-lo. Ao alcançar o couro macio, quase podia jurar que algo roçou seu rosto. Aquilo era ridículo.



Você não acredita nessas coisas.

Continua..?

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