Ela passou a mão sobre o couro perfeito, notando que não havia título ou
qualquer tipo de inscrição à vista. Abriu a capa.
Era o livro mais estranho que já vira.
As páginas pareciam ter sido originalmente algum tipo de pergaminho, ou
algo que apenas mais tarde fora encadernado. O pergaminho alvejado enrugou-se
sob seus dedos quando ela virou a primeira página e viu um intrincado emblema
de arabescos pintados, composto por três triângulos entrelaçados e uma
interessante imagem de três mulheres unidas por espadas.
Franzindo o cenho, Lua recordou-se vagamente da imagem como sendo algum
tipo de antigo símbolo grego. Ainda mais intrigada do que antes, ela folheou o
livro e descobriu que estava completamente vazio, exceto por aquelas três
páginas... Que estranho!
Devia ter sido uma espécie de caderno de esboços de um pintor ou
escultor concluiu. Seria a única explicação para as páginas em branco.
Alguma coisa devia ter acontecido antes de o artista ter a oportunidade de
adicionar algo mais ao livro.
Porém, na verdade, aquilo não explicava por que as páginas pareciam tão
mais velhas do que a encadernação... Voltando ao desenho do homem, ela examinou
a escrita na página oposta à que ele se encontrava, mas não conseguiu decifrar
nada.
Ao contrário de Mel, evitara as aulas de idiomas na faculdade como se fosse
veneno e, se não fosse pela amiga, nunca teria sido aprovada naquela parte de
seu currículo principal.
- Definitivamente, é grego para mim. - ela murmurou antes de voltar à atenção
para o homem.
Ele era maravilhoso. Tão perfeito e atraente. Tão incrivelmente sensual.
Completamente fascinada por ele, imaginou quanto tempo seria necessário
para que um desenho se tornasse tão primoroso. Alguém com certeza dedicara anos
a isso, porque o sujeito parecia literalmente pronto para sair da página e
entrar em sua casa.
Mel deteve-se à porta, observando a amiga olhar fixamente para Arthur.
Em todos os anos em que a conhecia, nunca a vira tão encantada. Ótimo.
Talvez Arthur pudesse ajudá-la. Quatro anos realmente era tempo demais.
No entanto, Paul havia sido um porco egoísta e descuidado. A
insensibilidade quanto aos sentimentos de Lua a tinha feito chorar na noite em
que ele lhe tomara a virgindade.
E nenhuma mulher merecia chorar, especialmente estando com alguém que
dissera importar-se com ela. Arthur definitivamente seria bom para Lua. Um mês
com ele a faria se esquecer do crápula.
E, assim que ela experimentasse sexo mútuo e verdadeiro, poderia se
libertar para sempre da crueldade de Paul. Mas, antes, precisava conseguir que
a amiga teimosa se tornasse um pouco mais dócil.
- Você pediu a pizza? - Mel indagou, entregando-lhe uma taça de vinho.
Lua pegou-a das mãos dela sem prestar atenção. Por algum motivo, não
conseguia desviar os olhos da imagem.
- Lu? - Piscando, ela se obrigou a fitá-la.
- Hum?
- Peguei você olhando. - Mel provocou. Lua pigarreou.
- Ora, por favor! É apenas um pequeno desenho em preto e branco.
- Querida, não há nada pequeno nesse desenho.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário