- Sim! - Mel agarrou-a pelo braço e puxou-a para que ficasse em pé. -
Precisamos ir até o deque lá fora.
- Está bem, mas eu não vou arrancar a cabeça de uma galinha para fazer
vodu, nem beber alguma coisa nojenta.
Sentindo-se como uma garota que perdera um jogo da verdade em uma festa
do pijama, Lua permitiu que Mel a
levasse para fora, passando pela porta de correr.
O ar úmido encheu seus pulmões enquanto os grilos cantavam e milhares de
estrelas brilhavam. Ela supôs que era uma linda noite para evocar um escravo
sexual, e riu em silêncio ante o pensamento.
- O que você quer que eu faça? - perguntou. - Um desejo a um planeta?
Meneando a cabeça, Mel moveu-a para que ficasse no círculo projetado
pelo luar, no local em que a luz incidia sobre o beiral de seu telhado, e
entregou-lhe o livro aberto.
- Segure isto junto ao peito.
- Oh, meu bem... - Lua zombou,
fingindo desejo, ao abraçar o livro junto ao peito como se fosse um amante. -
Você me deixa tão excitada e desejosa. Eu mal posso esperar para afundar meus
dentes nesse seu corpo maravilhoso.
Mel riu.
- Pare! Isto é sério!
- Sério? Por favor! Estou em pé aqui fora no meu vigésimo nono
aniversário, descalça e usando um jeans que minha mãe queimaria, segurando um
livro estúpido junto ao peito em um esforço para evocar um escravo sexual grego
do outro mundo. - Olhou para Mel. - Conheço apenas uma forma de tornar isso
ainda mais ridículo... - Segurando o livro em uma das mãos, ela abriu os
braços, inclinou a cabeça para trás e implorou para o céu escuro: - Oh, me
arrebata, formidável e deslumbrante escravo sexual e seja pecaminoso comigo.
Ordeno que se erga. - ela disse, agitando as sobrancelhas.
Mel bufou.
- Não é assim que se faz. Precisa dizer o nome dele três vezes.
Lua endireitou-se.
- Escravo sexual, escravo sexual, escravo sexual. - Com as mãos nos
quadris, a amiga encarou-a.
- Arthur da Macedônia.
- Ah, me desculpe. - Lua apertou
o livro junto ao peito e fechou os olhos. - Venha e alivie minha virilha dessa
dor, grande Arthur da Macedônia, Arthur da Macedônia, Arthur da Macedônia. -
Depois, fitou Mel. - É difícil dizer isso depressa três vezes.
Porém, Mel não prestava a mínima atenção nela. Estava ocupada olhando ao
redor, esperando o surgimento de um belo estranho grego.
Lua revirou os olhos quando um
vento sutil soprou no jardim e um leve aroma de sândalo as envolveu. Ela
apreciou o aroma agradável por um instante, antes que ele evaporasse e a brisa
desvanecesse, dando lugar novamente ao ar quente e denso tão comum em uma noite
de agosto.
De repente, escutou um som débil. Era um suave farfalhar de folhas que
vinha dos arbustos.
Erguendo a sobrancelha, Lua olhou
na direção dos arbustos que oscilavam. Nesse momento, o diabinho de dentro dela
manifestou-se.
- Ah, meu Deus! - ela murmurou, apontando para um arbusto. - Mel, olhe
para lá!
Mel virou-se rapidamente ante o gesto excitado. Um arbusto alto se
agitou, como se houvesse alguém atrás dele.
- Arthur? - Mel chamou, dando um passo para a frente.
A árvore se inclinou. De repente, um silvo e um miado soaram um pouco
antes de dois gatos dispararem pelo jardim.
- Veja, Mel, o gatinho veio me salvar do celibato. - Acomodando o livro
sob um dos braços, Lua levou o dorso da
mão à testa, simulando um desmaio. - Oh, me ajude, Senhora da lua! O que eu vou
fazer com os galanteios desse pretendente indesejável? Ajude-me logo, antes que
ele me mate de alergia!

Nenhum comentário:
Postar um comentário