quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap.10



- Sim! - Mel agarrou-a pelo braço e puxou-a para que ficasse em pé. - Precisamos ir até o deque lá fora.


- Está bem, mas eu não vou arrancar a cabeça de uma galinha para fazer vodu, nem beber alguma coisa nojenta.


Sentindo-se como uma garota que perdera um jogo da verdade em uma festa do pijama, Lua  permitiu que Mel a levasse para fora, passando pela porta de correr.


O ar úmido encheu seus pulmões enquanto os grilos cantavam e milhares de estrelas brilhavam. Ela supôs que era uma linda noite para evocar um escravo sexual, e riu em silêncio ante o pensamento.


- O que você quer que eu faça? - perguntou. - Um desejo a um planeta?


Meneando a cabeça, Mel moveu-a para que ficasse no círculo projetado pelo luar, no local em que a luz incidia sobre o beiral de seu telhado, e entregou-lhe o livro aberto.


- Segure isto junto ao peito.


- Oh, meu bem... - Lua  zombou, fingindo desejo, ao abraçar o livro junto ao peito como se fosse um amante. - Você me deixa tão excitada e desejosa. Eu mal posso esperar para afundar meus dentes nesse seu corpo maravilhoso.


Mel riu.


- Pare! Isto é sério!


- Sério? Por favor! Estou em pé aqui fora no meu vigésimo nono aniversário, descalça e usando um jeans que minha mãe queimaria, segurando um livro estúpido junto ao peito em um esforço para evocar um escravo sexual grego do outro mundo. - Olhou para Mel. - Conheço apenas uma forma de tornar isso ainda mais ridículo... - Segurando o livro em uma das mãos, ela abriu os braços, inclinou a cabeça para trás e implorou para o céu escuro: - Oh, me arrebata, formidável e deslumbrante escravo sexual e seja pecaminoso comigo. Ordeno que se erga. - ela disse, agitando as sobrancelhas.


Mel bufou.


- Não é assim que se faz. Precisa dizer o nome dele três vezes.


Lua  endireitou-se.


- Escravo sexual, escravo sexual, escravo sexual. - Com as mãos nos quadris, a amiga encarou-a.


- Arthur da Macedônia.


- Ah, me desculpe. - Lua  apertou o livro junto ao peito e fechou os olhos. - Venha e alivie minha virilha dessa dor, grande Arthur da Macedônia, Arthur da Macedônia, Arthur da Macedônia. - Depois, fitou Mel. - É difícil dizer isso depressa três vezes.


Porém, Mel não prestava a mínima atenção nela. Estava ocupada olhando ao redor, esperando o surgimento de um belo estranho grego.


Lua  revirou os olhos quando um vento sutil soprou no jardim e um leve aroma de sândalo as envolveu. Ela apreciou o aroma agradável por um instante, antes que ele evaporasse e a brisa desvanecesse, dando lugar novamente ao ar quente e denso tão comum em uma noite de agosto.


De repente, escutou um som débil. Era um suave farfalhar de folhas que vinha dos arbustos.


Erguendo a sobrancelha, Lua  olhou na direção dos arbustos que oscilavam. Nesse momento, o diabinho de dentro dela manifestou-se.


- Ah, meu Deus! - ela murmurou, apontando para um arbusto. - Mel, olhe para lá!


Mel virou-se rapidamente ante o gesto excitado. Um arbusto alto se agitou, como se houvesse alguém atrás dele.


- Arthur? - Mel chamou, dando um passo para a frente.


A árvore se inclinou. De repente, um silvo e um miado soaram um pouco antes de dois gatos dispararem pelo jardim.


- Veja, Mel, o gatinho veio me salvar do celibato. - Acomodando o livro sob um dos braços, Lua  levou o dorso da mão à testa, simulando um desmaio. - Oh, me ajude, Senhora da lua! O que eu vou fazer com os galanteios desse pretendente indesejável? Ajude-me logo, antes que ele me mate de alergia!


Continua...

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