segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 6



 Mel pulou, dando um gritinho, antes de se levantar e afastar a cadeira para trás. Lua ofegou.


- Você empurrou isso com o cotovelo, não? - Com os olhos redondos como pires, Mel meneou a cabeça lentamente. - Admita, Mel.


- Eu não fiz isso. - ela respondeu, com uma expressão muito séria. - Acho que você o ofendeu.


Sacudindo a cabeça diante de tamanho absurdo, Lua pegou os óculos de sol e as chaves na bolsa.


Sim, certo, está sendo como naquela vez na faculdade, quando Mai a convencera a participar da brincadeira do copo, fazendo-o revelar que ela se casaria com um deus grego aos 30 anos e que teria seis filhos com ele. Mel nunca tinha admitido que empurrasse o copo. E, no momento, o sol de agosto estava quente demais para que Lua se dispusesse a discutir.


- Preciso voltar ao consultório. Tenho uma consulta às duas horas e não quero ficar presa no trânsito. - Ela pôs os óculos Ray-Ban. - Você vai à minha casa hoje à noite?


- Eu não deixaria de ir por nada no mundo. Vou levar o vinho.


- Está bem. Vejo você às oito. - Lua se deteve apenas o suficiente para falar - Diga a Chay que eu mandei um oi e um obrigado por ele deixá-la ir até em casa para o meu aniversário.


Observando a amiga afastar-se, Mel sorriu.


- Espere até você ver seu presente de aniversário. - ela sussurrou, pegando o livro do chão e passando a mão pela capa de couro macio para limpar a poeira.


Abrindo-o de novo, Mel fitou a bela imagem, fixando-se nos olhos que, embora estivessem desenhados em negro, davam a impressão serem de um verde profundo. Tinha certeza de que, daquela vez, seu feitiço funcionaria.


- Você vai gostar dela, Arthur. - murmurou, traçando com os dedos o corpo perfeito. - Mas eu preciso avisá-lo de que ela consegue esgotar a paciência de um santo. E transpor as defesas dela será tão árduo quanto derrubar os muros de Troia. Ainda assim, acho que, se alguém pode ajudá-la a se encontrar, esse alguém é você.


Ao sentir o livro aquecer-se sob a mão, ela instintivamente soube que era a maneira de Arthur concordar com o que dissera.


Lua a considerava louca por suas crenças. Porém, como a sétima filha de uma sétima filha e com o sangue cigano correndo em suas veias, Mel sabia que havia certas coisas na vida que desprezavam explicações.


Certas energias enigmáticas que fluíam e refluíam de forma incontrolada, apenas esperando que alguém as canalizasse. E naquela noite haveria lua cheia.


Pôs o livro de volta em seu carrinho, trancando-o, com a certeza de que o destino o colocara em suas mãos. Sentira-o chamando por ela assim que se aproximara da prateleira em que se encontrava na livraria.


Como estava casada havia dois anos, e muito feliz, sabia que o livro não se destinava a ela. Estava apenas usando-a para chegar aonde precisava. Até Lua.


Seu sorriso ampliou-se. Imaginou como seria ter um escravo sexual grego incrivelmente bonito à disposição durante um mês inteiro... Sim, este era definitivamente um aniversário do qual Lua se lembraria pelo resto da vida.


Continua...

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