Mel pulou, dando um
gritinho, antes de se levantar e afastar a cadeira para trás. Lua ofegou.
- Você empurrou isso com o cotovelo, não? - Com os olhos redondos como
pires, Mel meneou a cabeça lentamente. - Admita, Mel.
- Eu não fiz isso. - ela respondeu, com uma expressão muito séria. -
Acho que você o ofendeu.
Sacudindo a cabeça diante de tamanho absurdo, Lua pegou os óculos de sol
e as chaves na bolsa.
Sim, certo, está sendo como naquela vez na faculdade, quando Mai a
convencera a participar da brincadeira do copo, fazendo-o revelar que ela se
casaria com um deus grego aos 30 anos e que teria seis filhos com ele. Mel
nunca tinha admitido que empurrasse o copo. E, no momento, o sol de agosto
estava quente demais para que Lua se dispusesse a discutir.
- Preciso voltar ao consultório. Tenho uma consulta às duas horas e não
quero ficar presa no trânsito. - Ela pôs os óculos Ray-Ban. - Você vai à minha
casa hoje à noite?
- Eu não deixaria de ir por nada no mundo. Vou levar o vinho.
- Está bem. Vejo você às oito. - Lua se deteve apenas o suficiente para
falar - Diga a Chay que eu mandei um oi e um obrigado por ele deixá-la ir até
em casa para o meu aniversário.
Observando a amiga afastar-se, Mel sorriu.
- Espere até você ver seu presente de aniversário. - ela sussurrou,
pegando o livro do chão e passando a mão pela capa de couro macio para limpar a
poeira.
Abrindo-o de novo, Mel fitou a bela imagem, fixando-se nos olhos que,
embora estivessem desenhados em negro, davam a impressão serem de um verde
profundo. Tinha certeza de que, daquela vez, seu feitiço funcionaria.
- Você vai gostar dela, Arthur. - murmurou, traçando com os dedos o
corpo perfeito. - Mas eu preciso avisá-lo de que ela consegue esgotar a
paciência de um santo. E transpor as defesas dela será tão árduo quanto
derrubar os muros de Troia. Ainda assim, acho que, se alguém pode ajudá-la a se
encontrar, esse alguém é você.
Ao sentir o livro aquecer-se sob a mão, ela instintivamente soube que
era a maneira de Arthur concordar com o que dissera.
Lua a considerava louca por suas crenças. Porém, como a sétima filha de
uma sétima filha e com o sangue cigano correndo em suas veias, Mel sabia que
havia certas coisas na vida que desprezavam explicações.
Certas energias enigmáticas que fluíam e refluíam de forma incontrolada,
apenas esperando que alguém as canalizasse. E naquela noite haveria lua cheia.
Pôs o livro de volta em seu carrinho, trancando-o, com a certeza de que
o destino o colocara em suas mãos. Sentira-o chamando por ela assim que se
aproximara da prateleira em que se encontrava na livraria.
Como estava casada havia dois anos, e muito feliz, sabia que o livro não
se destinava a ela. Estava apenas usando-a para chegar aonde precisava. Até Lua.
Seu sorriso ampliou-se. Imaginou como seria ter um escravo sexual grego
incrivelmente bonito à disposição durante um mês inteiro... Sim, este era
definitivamente um aniversário do qual Lua se lembraria pelo resto da vida.
Continua...

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