segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap. 4



- Não, isso é melhor.


Lua encolheu-se por dentro, imaginando o que estaria fazendo neste momento se tivesse dividido o quarto com uma companheira normal em seu primeiro ano em Tulane, em vez da excêntrica, com pretensões à cigana, Mel.


Uma coisa era certa. Não discutiria sua vida sexual em uma rua lotada.


Nesse instante, ficou sensivelmente consciente das diferenças entre ambas.


Ela enfrentava aquele calor úmido usando um vestido de seda creme da Ralph Lauren, fino e sem mangas, e tinha o cabelo castanho preso em um coque sofisticado.


Mel, por sua vez, usava uma longa e flutuante saia negra com uma blusinha púrpura justa, que mal cobria seu amplo peito. Os cabelos negros e lisos estavam envolvidos por um lenço de seda preta, e das orelhas pendiam enormes brincos prateados em forma de lua e que chegavam aos ombros. Sem mencionar a mina de prata que ela colocara nos pulsos, na forma de aproximadamente 150 pulseiras que retiniam cada vez que ela se movia.


As pessoas sempre haviam reparado nas diferenças físicas, mas Lua sabia que Mel escondia sua mente astuta e sua insegurança atrás do vestuário exótico. Por dentro, as duas eram mais parecidas do que se imaginaria.


Exceto pela crença bizarra de Mel no oculto. E pelo insaciável apetite sexual.


Movendo-se até ficar ao lado de Lua, Mel enfiou o livro nas mãos relutantes dela e o folheou. Lua tentou não derrubá-lo. Nem revirar os olhos.


- Encontrei isto outro dia naquela velha livraria perto do Museu de Cera. Estava coberto por uma montanha de pó, e eu estava tentando encontrar um livro sobre psicometria, quando o achei e... Voilà! - Mel apontou triunfantemente para uma página.


Lua olhou a imagem e ficou boquiaberta. Nunca vira algo assim.


O homem retratado era muito atraente, e a imagem, chocante nos detalhes. Se não fossem as profundas marcas do desenho na página, ela juraria que se tratava de uma fotografia de alguma estátua grega antiga.


Não, ela corrigiu a si mesma... De um deus grego. Com certeza, nenhum homem mortal poderia ser tão bonito.


Em pé, em gloriosa e completa nudez, ele emanava poder, autoridade e sexualidade animal. Mesmo em uma postura casual, ele parecia um esplendoroso predador, pronto para se puser repentinamente em movimento.


As veias se destacavam no belo corpo, que atingia a perfeição com a promessa de um vigor másculo inteiramente idealizado para o prazer feminino. Com a boca seca, Lua percorreu com os olhos os músculos que se salientavam em proporção ideal ao peso e à altura.


Acompanhou a musculatura delgada e sólida do sulco que dividia os peitorais e o abdômen definido que parecia implorar um toque feminino. Até o umbigo. E então até o... Bem, ninguém se preocupara em pôr uma folha de figueira ali.


E por que alguém faria isso? Quem, em juízo perfeito, desejaria cobrir atributos masculinos tão agradáveis? E, aliás, quem precisaria de algo com baterias por perto com aquilo em casa?


Lambendo os lábios, Lua olhou de novo para o rosto dele.


Observando as belas feições pronunciadas que guardavam a alusão de um sorriso malicioso, ela visualizou a brisa brincando com as mechas negras que se encaracolavam ao redor de um pescoço feito para ser apreciado com os lábios. Com duros olhos verdes penetrantes em sua intensidade, ele erguia uma lança de ferro sobre sua cabeça e gritava.


O ar denso e quente ao redor dela agitou-se de súbito, parecendo, de alguma forma, acariciar-lhe a pele exposta.


Ela podia quase escutar o timbre grave daquela voz, sentir braços fortes envolvendo-a e puxando-a de encontro a um peito sólido como rocha, enquanto o hálito quente fazia cócegas em seu ouvido. Mãos firmes e hábeis deslizavam por seu corpo, deleitando-a ao procurarem seus recantos mais íntimos.


Um arrepio percorreu sua espinha, e seu corpo pulsou em lugares onde nunca soubera que um corpo poderia pulsar.



Era uma sensação intensa e exigente, que jamais tinha experimentado.


Continua...

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