- Não, isso é melhor.
Lua encolheu-se por dentro, imaginando o que estaria fazendo neste
momento se tivesse dividido o quarto com uma companheira normal em seu primeiro
ano em Tulane, em vez da excêntrica, com pretensões à cigana, Mel.
Uma coisa era certa. Não discutiria sua vida sexual em uma rua lotada.
Nesse instante, ficou sensivelmente consciente das diferenças entre
ambas.
Ela enfrentava aquele calor úmido usando um vestido de seda creme da
Ralph Lauren, fino e sem mangas, e tinha o cabelo castanho preso em um coque
sofisticado.
Mel, por sua vez, usava uma longa e flutuante saia negra com uma
blusinha púrpura justa, que mal cobria seu amplo peito. Os cabelos negros e
lisos estavam envolvidos por um lenço de seda preta, e das orelhas pendiam
enormes brincos prateados em forma de lua e que chegavam aos ombros. Sem
mencionar a mina de prata que ela colocara nos pulsos, na forma de
aproximadamente 150 pulseiras que retiniam cada vez que ela se movia.
As pessoas sempre haviam reparado nas diferenças físicas, mas Lua sabia
que Mel escondia sua mente astuta e sua insegurança atrás do vestuário exótico.
Por dentro, as duas eram mais parecidas do que se imaginaria.
Exceto pela crença bizarra de Mel no oculto. E pelo insaciável apetite
sexual.
Movendo-se até ficar ao lado de Lua, Mel enfiou o livro nas mãos
relutantes dela e o folheou. Lua tentou não derrubá-lo. Nem revirar os olhos.
- Encontrei isto outro dia naquela velha livraria perto do Museu de
Cera. Estava coberto por uma montanha de pó, e eu estava tentando encontrar um
livro sobre psicometria, quando o achei e... Voilà! - Mel apontou
triunfantemente para uma página.
Lua olhou a imagem e ficou boquiaberta. Nunca vira algo assim.
O homem retratado era muito atraente, e a imagem, chocante nos detalhes.
Se não fossem as profundas marcas do desenho na página, ela juraria que se
tratava de uma fotografia de alguma estátua grega antiga.
Não, ela corrigiu a si mesma... De um deus grego. Com certeza, nenhum homem
mortal poderia ser tão bonito.
Em pé, em gloriosa e completa nudez, ele emanava poder, autoridade e
sexualidade animal. Mesmo em uma postura casual, ele parecia um esplendoroso
predador, pronto para se puser repentinamente em movimento.
As veias se destacavam no belo corpo, que atingia a perfeição com a
promessa de um vigor másculo inteiramente idealizado para o prazer feminino.
Com a boca seca, Lua percorreu com os olhos os músculos que se salientavam em
proporção ideal ao peso e à altura.
Acompanhou a musculatura delgada e sólida do sulco que dividia os
peitorais e o abdômen definido que parecia implorar um toque feminino. Até o
umbigo. E então até o... Bem, ninguém se preocupara em pôr uma folha de
figueira ali.
E por que alguém faria isso? Quem, em juízo perfeito, desejaria cobrir
atributos masculinos tão agradáveis? E, aliás, quem precisaria de algo com
baterias por perto com aquilo em casa?
Lambendo os lábios, Lua olhou de novo para o rosto dele.
Observando as belas feições pronunciadas que guardavam a alusão de um
sorriso malicioso, ela visualizou a brisa brincando com as mechas negras que se
encaracolavam ao redor de um pescoço feito para ser apreciado com os lábios.
Com duros olhos verdes penetrantes em sua intensidade, ele erguia uma lança de
ferro sobre sua cabeça e gritava.
O ar denso e quente ao redor dela agitou-se de súbito, parecendo, de
alguma forma, acariciar-lhe a pele exposta.
Ela podia quase escutar o timbre grave daquela voz, sentir braços fortes
envolvendo-a e puxando-a de encontro a um peito sólido como rocha, enquanto o
hálito quente fazia cócegas em seu ouvido. Mãos firmes e hábeis deslizavam por
seu corpo, deleitando-a ao procurarem seus recantos mais íntimos.
Um arrepio percorreu sua espinha, e seu corpo pulsou em lugares onde
nunca soubera que um corpo poderia pulsar.
Era uma sensação intensa e exigente, que jamais tinha experimentado.
Continua...

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