Subiu mais um degrau e encarou-o. Deus, ele era deslumbrante!
Os cabelos negros e ondulados caíam a meio caminho das costas, onde
estavam presos por um cordão de couro marrom escuro, com exceção de três finas
tranças, que tinham contas atadas às pontas, que se agitavam conforme ele se
movia.
Sobrancelhas negras encimavam olhos que eram sedutores e assustadores ao
mesmo tempo. Olhos que a observavam com calor demais. Naquele momento,
definitivamente ela desejava matar Mel. Mas não tanto quanto desejava atirar-se
na cama com aquele homem e afundar os dentes naquela pele bronzeada.
Pare com isso!
- Não entendo o que está acontecendo. - disse, por fim. Ela tinha que
refletir sobre aquilo, imaginar o que fazer. - Eu preciso me sentar por alguns
instantes, e você... - Percorreu com os olhos aquele corpo perfeito. - Você
precisa se cobrir.
Os cantos da boca de Arthur se contraíram.
Em toda a sua vida, ela era a primeira pessoa a dizer-lhe aquilo.
Na verdade, todas as mulheres que conhecera antes da maldição não tinham
feito nada além de tentar tirar-lhe as roupas o mais depressa possível. E,
desde a maldição, aquelas que o evocavam haviam passado dias observando sua
nudez, correndo as mãos por seu corpo, apreciando vê-lo.
- Fique aqui um minuto. - disse ela, antes de correr para cima.
Ele observou o movimento dos quadris femininos, e seu corpo
instantaneamente se aqueceu e enrijeceu.
Cerrando os dentes em um esforço para ignorar o ardor na virilha,
obrigou-se a olhar ao redor. Tinha que distrair-se, pelo menos até que ela
cedesse.
O que não demoraria. Nenhuma mulher conseguia resistir a ele por muito
tempo.
Sorrindo amargamente ante o pensamento, olhou à sua volta.
Onde e em que época estava? Não sabia por quanto tempo estivera preso.
Tudo o que podia recordar eram os sons de vozes, a sutil alteração de sotaques
e dialetos conforme os anos passavam.
Olhando para a luz sobre sua cabeça, franziu o cenho. Não havia fogo
ardendo. O que era aquela coisa?
Seus olhos lacrimejaram, em protesto, e ele desviou o olhar. Aquilo
devia ser uma lâmpada, concluiu.
"Ei, eu preciso trocar a lâmpada. Faça-me um favor e mexa no
interruptor perto da porta, certo?" Lembrando-se das palavras da lojista,
ele olhou na direção da porta e avistou o que presumiu ser o interruptor.
Arthur desceu os poucos degraus da escada e apertou a minúscula
alavanca. De imediato, as luzes se apagaram. Em seguida, ele voltou a
acendê-las. Apesar de tudo, conseguiu sorrir de novo.
Que outras maravilhas aquela época oferecia?
- Aqui está.
Arthur olhou para Lua, que se encontrava no degrau mais baixo da escada.
Ela lhe lançou um retângulo comprido de tecido verde-escuro. Ao
segurá-lo contra o peito, ele foi consumido por uma onda de descrença.
A mulher estava falando sério quando mencionou cobri-lo? Que estranho!
Franzindo ainda mais a sobrancelha, envolveu o tecido ao redor dos
quadris. Lua esperou até que ele se afastasse da porta para fitá-lo de novo.
Graças a Deus, ele finalmente estava coberto!
Não era de surpreender que os vitorianos insistissem em folhas de
figueira. Pena ela não ter algumas no jardim. A única coisa lá fora eram
azevinhos, e Lua duvidava que ele as apreciasse.
Ela foi até a sala de estar e sentou-se no sofá.
- Ajude-me, Mel. - ela sussurrou. - Você vai me pagar por isso.
E, então, ali estava ele, sentado ao seu lado, acelerando todos os
hormônios em seu corpo com aquela simples presença. Deslocando-se para o
extremo oposto do sofá, Lua fitou-o com cautela.
- Quanto tempo vai ficar aqui?
Ah, excelente pergunta, Lua. Por que não pergunta sobre o tempo ou o
signo dele? Caramba!
- Até a próxima lua cheia. - Os olhos glaciais dele se derreteram um
pouco.
E, ao percorrer o corpo dela inteiro, o olhar transformou-se de gelo em
fogo no espaço de dois batimentos cardíacos. Ele se inclinou em sua direção,
estendendo a mão para tocá-la na face.
Continua...

Maisssssssssssss
ResponderExcluirTô amando