domingo, 27 de dezembro de 2015

Amante da fantasia - Cap.16



Subiu mais um degrau e encarou-o. Deus, ele era deslumbrante!


Os cabelos negros e ondulados caíam a meio caminho das costas, onde estavam presos por um cordão de couro marrom escuro, com exceção de três finas tranças, que tinham contas atadas às pontas, que se agitavam conforme ele se movia.


Sobrancelhas negras encimavam olhos que eram sedutores e assustadores ao mesmo tempo. Olhos que a observavam com calor demais. Naquele momento, definitivamente ela desejava matar Mel. Mas não tanto quanto desejava atirar-se na cama com aquele homem e afundar os dentes naquela pele bronzeada.


Pare com isso!


- Não entendo o que está acontecendo. - disse, por fim. Ela tinha que refletir sobre aquilo, imaginar o que fazer. - Eu preciso me sentar por alguns instantes, e você... - Percorreu com os olhos aquele corpo perfeito. - Você precisa se cobrir.


Os cantos da boca de Arthur se contraíram.


Em toda a sua vida, ela era a primeira pessoa a dizer-lhe aquilo.


Na verdade, todas as mulheres que conhecera antes da maldição não tinham feito nada além de tentar tirar-lhe as roupas o mais depressa possível. E, desde a maldição, aquelas que o evocavam haviam passado dias observando sua nudez, correndo as mãos por seu corpo, apreciando vê-lo.


- Fique aqui um minuto. - disse ela, antes de correr para cima.


Ele observou o movimento dos quadris femininos, e seu corpo instantaneamente se aqueceu e enrijeceu.


Cerrando os dentes em um esforço para ignorar o ardor na virilha, obrigou-se a olhar ao redor. Tinha que distrair-se, pelo menos até que ela cedesse.


O que não demoraria. Nenhuma mulher conseguia resistir a ele por muito tempo.


Sorrindo amargamente ante o pensamento, olhou à sua volta.


Onde e em que época estava? Não sabia por quanto tempo estivera preso. Tudo o que podia recordar eram os sons de vozes, a sutil alteração de sotaques e dialetos conforme os anos passavam.


Olhando para a luz sobre sua cabeça, franziu o cenho. Não havia fogo ardendo. O que era aquela coisa?


Seus olhos lacrimejaram, em protesto, e ele desviou o olhar. Aquilo devia ser uma lâmpada, concluiu.


"Ei, eu preciso trocar a lâmpada. Faça-me um favor e mexa no interruptor perto da porta, certo?" Lembrando-se das palavras da lojista, ele olhou na direção da porta e avistou o que presumiu ser o interruptor.


Arthur desceu os poucos degraus da escada e apertou a minúscula alavanca. De imediato, as luzes se apagaram. Em seguida, ele voltou a acendê-las. Apesar de tudo, conseguiu sorrir de novo.


Que outras maravilhas aquela época oferecia?


- Aqui está.


Arthur olhou para Lua, que se encontrava no degrau mais baixo da escada.


Ela lhe lançou um retângulo comprido de tecido verde-escuro. Ao segurá-lo contra o peito, ele foi consumido por uma onda de descrença.


A mulher estava falando sério quando mencionou cobri-lo? Que estranho!


Franzindo ainda mais a sobrancelha, envolveu o tecido ao redor dos quadris. Lua esperou até que ele se afastasse da porta para fitá-lo de novo. Graças a Deus, ele finalmente estava coberto!


Não era de surpreender que os vitorianos insistissem em folhas de figueira. Pena ela não ter algumas no jardim. A única coisa lá fora eram azevinhos, e Lua duvidava que ele as apreciasse.


Ela foi até a sala de estar e sentou-se no sofá.


- Ajude-me, Mel. - ela sussurrou. - Você vai me pagar por isso.


E, então, ali estava ele, sentado ao seu lado, acelerando todos os hormônios em seu corpo com aquela simples presença. Deslocando-se para o extremo oposto do sofá, Lua fitou-o com cautela.


- Quanto tempo vai ficar aqui?


Ah, excelente pergunta, Lua. Por que não pergunta sobre o tempo ou o signo dele? Caramba!


- Até a próxima lua cheia. - Os olhos glaciais dele se derreteram um pouco.


E, ao percorrer o corpo dela inteiro, o olhar transformou-se de gelo em fogo no espaço de dois batimentos cardíacos. Ele se inclinou em sua direção, estendendo a mão para tocá-la na face.


Continua...

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