-EU NÃO sou uma morta-viva – protestei.
Mas, é claro,
ninguém prestou atenção. Meus pais estavam muito
concentrados no pé ferido de Arthur Vladescu.
- Arthur, se sente
– disse minha mãe a ele, não muito
contente com nenhum de nós dois.
-Prefiro ficar de
pé – respondeu Arthur.
Mamãe sinalou com
firmeza o circulo de cadeiras que
estavam ao redor da mesa da cozinha.
-Se sente. Agora.
Nosso visitante
ferido vacilou, como se fosse desobedecer,
então, enquanto dizia algo entre dentes, pegou uma cadeira. Mamãe tirou de uma vez a bota que tinha
uma marca bem
visível de um dente da forquilha, enquanto meu pai andava pela cozinha, procurando a caixa de
primeiros
socorros. Ele se meteu debaixo da geladeira enquanto esperava que o chá de ervas se aprontasse.
-É só uma equimose
– anunciou mamãe.
-Ah, bom. – Papai
se arrastou, saindo debaixo da geladeira. – De
qualquer forma não encontrei a caixa de remédios. Mas ainda podemos tomar um chá.
O auto-proclamado
sanguessuga impostor que tinha tomado minha
cadeira da mesa da cozinha me encarou.
-Você tem muita
sorte que meu sapateiro só use os melhores tipos
de couro. Isso podia ter atravessado. E você não quer empalar um vampiro. Mas é assim que é a
sua forma de
saudar seu futuro marido – ou qualquer outro
convidado, de qualquer forma? Com uma forquilha?
- Arthur – minha
mãe interrompeu. – Você pegou Roberta de
baixa guarda. Como expliquei a você antes, o pai dela e eu queríamos falar com ela primeiro.
-Sim, bom,
certamente vocês se atrasaram em sua proposição – uns dezessete anos. Alguém tinha que fazer. – Arthur retirou seu pé dos braços da minha mãe e
se pôs de pé,
coxeando ao redor da cozinha sobre sua única bota,
como um rei inquieto em seu castelo. Ele pegou o recipiente de camomila, cheirou o conteúdo,
e franziu a testa.
– Vocês bebem isso?
-Você vai gostar –
prometeu papai. Serviu quatro xícaras. –
Tem um efeito calmante, sobre tudo em momentos de tensão como este.
-Chega de chá. Digam-me
o que está acontecendo – pedi, me
sentando e reclamando na minha cadeira que Arthur estava. Nem sequer estava tão quente.
Quase como se
ninguém tivesse estado sentado nela há um
instante.
– Alguém. Por favor. Coloquem-me a par disso.
-Cederei esse
dever a seus pais, tal e como é o desejo deles –
concedeu Arthur·.
Ele levantou sua
úmida xícara a aproximando dos seus lábios,
deu um pequeno gole, e estremeceu. – Deus, isto é asqueroso.
Ignorando Arthur,
mamãe compartilhou um olhar com papai,
como se guardassem um segredo. – Ned... O que você acha?
Parecia que tinha
entendido o que ela estava insinuando, porque
papai assentiu e disse:
-Vou pegar a
manuscrito – então saiu da cozinha.
-Manuscrito? – Manuscritos.
Pactos. Esposas. Por que todo mundo falava e código?– Que manuscrito?
-Oh querida. –
Mamãe sentou na cadeira junto a minha e pegou
minhas mãos. –É que seus pais biológicos foram assassinados em um conflito.
-Assassinados por
camponeses – disse Arthur com o cenho
franzido. – Um povo supersticioso, influenciados pela multidão sem piedade. – Destampou a manteiga
orgânica de milho
do papai, passou um dedo e a provou, e depois
limpou o dedo em sua calça, que eram pretas e abraçavam suas pernas como calças de montaria.
– Por favor, me
diga que há algo saboroso nesta
casa.
Mamãe girou para
se dirigir a Arthur.
-Peço a você
permaneça quieto durante alguns minutos enquanto
conto a história.
Arthur se inclinou
ligeiramente, seu brilhante cabelo
negro-azulado brilhava soba luz da cozinha. – É claro, continue.
Mamãe centrou sua
atenção em mim.
-Mas não lhe
contamos toda a história, porque o tema parecia deixar você muito
alterada.
-Agora pode ser um
bom momento – sugeri. – Não acho que eu possa
me alterarmais do que já isto.
Mamãe tomou um
gole e já e suspirou.
-Sim, bom, a
verdade é que seus pais foram destruídos por uma
multidão furiosa
que tentava livrar
a cidade dos vampiros.
-Vampiros? – Com
certeza, ela estava brincando.
-Sim – confirmou. – Vampiros. Seus pais estavam entre os vampiros que eu
estava estudando
na época.
Bem, vejamos não
raro escutar palavras como fada ou espíritos na terra ou
mesmo troll na minha casa. Quero dizer, a cultura popular e as lendas eram as
investigações que
interessavam minha mãe, e meu pai era
conhecido como apresentador “anjo da comunicação” em seu seminário de estudo sobre a yoga.
Mas é claro que
meus estranhos pais não acreditavam nos monstros dos
filmes de Hollywood. Sinceramente não conseguia acreditar que meus pais biológicos se transformavam em morcegos, ou se dissolviam à luz do sol, ou que suas presas cresciam. Eles poderiam
filmes de Hollywood. Sinceramente não conseguia acreditar que meus pais biológicos se transformavam em morcegos, ou se dissolviam à luz do sol, ou que suas presas cresciam. Eles poderiam
-Você me disse que
esteve estudando algum tipo de culto –
respondi. – Uma
subcultura que
tinha alguns rituais incomuns... Mas
nunca me disse nada sobre
vampiros.
-Você sempre foi
muito lógica, Roberta – disse minha mãe.
– Você nunca gostou das coisas que não possam ser explicadas pela matemática ou pela ciência. Seu
pai e eu temíamos
que a verdade sobre seus pais biológicos a
alterasse
profundamente.
Então guardamos... algumas coisas.
-Está dizendo que
meus pais pensavam realmente que eram vampiros?
– disse em
uma espécie de
grito.
Mamãe assentiu.
-Bom... Sim.
-Eles não só pensavam queeram vampiros – se queixou Arthur. Que tinha
recuperado sua
bota e saltava sob um pé, tentando
colocá-la. – Eles eram vampiros.
Enquanto eu olhava
boquiaberta e cheia de incredulidade para
nosso convidado,
o pensamento mais
repugnante do mundo cruzou a minha mente.
Aqueles rituais
que minha mãe
tinha aludido, que estavam relacionados com
meus pais... – Eles
não-na realidade
não bebiam sangue...A expressão que
inundou o rosto da minha mãe disse tudo, e
pensei que estava a ponto de desmaiar. Meus pais biológicos; desequilibrados,perturbados, bebedoresde sangue.
- Saborosas coisas
– comentou Arthur. – Você não teria,
por acaso, algo por aqui, no lugar deste chá.
Mamãe lhe deu um olhar.
Arthur franziu o cenho.
-Não. Suponho que
não.
-Pessoas não bebem
sangue – insisti, subindo o tom de voz. – E os
vampiros não
existem!
Arthur cruzou os
braços, franzindo o cenho.
-Com licença. Eu
estou aqui.
- Arthur, por
favor – disse mamãe em tom sério, mas tranquilo,
que usava com estudantes difíceis de controlar. – Dê um tempo para Roberta poder processar. Ela tem uma inclinação analítica que a faz resistir ao paranormal.
-Sou resistente ao impossível – gritei. – Ao irreal.
Nesse ponto, papai
voltou com um manuscrito mofado nas suas
mãos.
-Historicamente,
muitas pessoas resistem a ideia de
mortos-vivos. – Observei papai colocar cuidadosamente o documento sobre a mesa. – Os últimos da
década de 80 foram
muito maus aos vampiros na Romênia. Haviam
grandes
expurgos a cada
poucos meses. Muitos vampiros agradáveis foram
eliminados.
-Seus pais
biológicos – que eram muito poderosos dentro
de sua subcultura – se deram conta de que provavelmente fossem marcados para a destruição e nos
encomendaram seus
cuidados antes de que fossem assassinados, com
a esperança de que pudéssemos mantê-la a salvo nos Estados Unidos – acrescentou mamãe.
-As pessoas não
bebem sangue – repeti. – Eles não bebem. Vocês
não viram
meus pais agirem
como vampiros, não é? – desafiei. – Nunca
os viram crescendo
as presas e
mordendo pescoços? Sei que não viram. Porque isso
não é acontece.
-Não – mamãe admitiu, pegando de novo minhas mãos. – Eles não se permitiam esse tipo de acesso.
-Porque isso não acontece – repeti.
-Não – interpôs Arthur.
– Porque morder é algo muito
privado, muito intenso. Você não convida pessoas para assistir. Os vampiros são uma raça muito sensual,mas não são uns
exibicionistas. Somos discretos.
-Entretanto não
temos razões para acreditar que alguém mentiu
para nós sobre beber sangue – acrescentou mamãe. – E não é nada que você deveria se
preocupar, Roberta. É bastante normal
para eles. Se tivesse crescido na Romênia,
nessa subcultura,
também seria normal para você.
De um golpe,
separei nossas mãos.
-Realmente não.
Com um profundo
suspiro, Arthur resumiu a historia.
-Honestamente, eu não posso suportar mais esse vai e vem. A história é bastante
simples. Você, Lua
Blanco, é a última de uma grande linhagem de
poderosos
vampiros, Os
Dragomirs. Da Realeza dos Vampiros.
Isso me fez rir,
um guincho, um riso histérico.
-Da Realeza dos
Vampiros. Claro.
-Sim. Realeza. E
esta é a última parte da história, a que seus pais ainda parecem
relutantes a
contar. – Arthur se inclinou sobre a mesa em
frente aos meus braços cruzados, me fazendo baixar os olhos. – Você é uma princesa vampira – a
herdeira da
liderança dos Dragomir. Eu sou um príncipe vampire. O herdeiro de
um poderoso clã
dos Vladescus. Mais poderoso, na minha opinião,
mas esse não é o ponto. Fomos prometidos um ao outro em uma cerimônia de compromisso
pouco depois dos
nossos nascimentos.
Olhei para minha mãe procurando ajuda, mas tudo o que ela disse foi:
-A cerimônia foi muito linda, muito elaborada.
-Em uma enorme
caverna nos Cárpatos – continuou papai. –
Com velas por todas as partes. – Olhou fixamente para minha mãe com carinho e admiração - Nenhum outro forasteiro tinha tido esse
privilégio.
Eu olhei para
eles.
-Estavam lá? Nessa cerimônia?
-Oh, nós
conhecemos um monte de vampiros nessa viajem e vi tantos interessantes eventos culturais – mamãe sorriu um pouco ao recordar isso. – Você
deveria ler o
resumo da investigação no Diário da Cultura Popular da Europa Oriental. É mais um trabalho histórico de uma pessoa
com informações privilegiadas, se você entende o que eu quero
dizer.
com informações privilegiadas, se você entende o que eu quero
dizer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário