Podia sentir seu
hálito em minha bochecha. Era muito fresco e
doce. Contra o meu julgamento, também inalei sua incomum colônia o mais fundo que meus
pulmões
conseguiram. Arthur estava tão perto, que meu
cabelo escuro encaracolado roçava em sua mandíbula, e ele distraidamente afastou as mechas
soltas, a parte de
trás de seus dedos roçando minha bochecha.
Seu toque me sobressaltou. A sensação golpeou meu estômago. Se Arthur tinha sentido o
mesmo, não demonstrou e
prestou muita atenção no documento. A colônia tinha me enjoado? Estou imaginando coisas?
Mudei um pouco
minha posição na cadeira, tentando não
tocá-lo de novo, enquanto nosso arrogante visitante passava o dedo abaixo da linha do manuscrito.
-Isto declara que Lua
Blanco Dragomir, está prometido em
casamento comigo, Arthur Vladescu, logo depois que atinja a maioridade, com dezoito anos, e com
todas as
testemunhas das partes estão de acordo com este
pacto. Com o
casamento, nossos
clãs se unirão e alcançarão a paz. – Ele se
ergueu de novo. Como eu disse, na verdade, é bastante simples. E olhe a assinatura do seu pai
adotivo. E a da
sua mãe.
Eu não pude
resistir a dar uma olhada quando ele disse isso, e é claro, os rabiscos da assinatura da minha mãe e do meu pai estavam no documento em meio a
dúzias de nomes
romanos desconhecidos. Traidores. Empurrei para
longe o manuscrito, cruzei os braços e olhei para meus pais.
-Como puderam me
prometer... Como se eu fosse... Uma vaca?
-Não prometemos Roberta – tentou me acalmar minha mãe. – Nesse momento você não era nossa filha. Estávamos ali só para presenciar um singular ritual
como parte da
investigação. Isso foi semanas antes da purga,
semanas antes de nós a adotarmos. Ninguém tinha ideia do futuro que tinha sido preparado.
-Além do mais,
ninguém promete vacas – zombou Arthur. – Quem prometeria gado? Você é uma princesa vampira. Seu destino não depende disso.
Princesa... Ele acha mesmo que sou uma princesa vampira. A estanha, quase agradável, a sensação que tinha sentido quando ele tinha roçado minha bochecha
tinha sido
esquecida quando a realidade me golpeou de novo. Arthur
Vladescu era um lunático.
-Se eu fosse uma
vampira, eu iria querer morder alguém. E
estaria sedenta de sangue – disse, em uma desesperada última tentativa de colocar razão em uma discussão que
tinha caído no absurdo.
-Você alcançará
sua verdadeira natureza – prometeu Arthur. –
Está a ponto de atingir a idade certa. E quando eu morder você pela primeira vez, então será uma vampira. Trouxe um livro – um guia para ser mais exato – que explicará tudo...
Levantei-me da
cadeira tão rápido que caí no chão.
-Ele não vai me
morder – interrompi, apontando um dedo instável
para Arthur. – E eu não vou para a Romênia e não vou me casar com ele! Não me importa que
tipo de “cerimônia
de noivado” tenham feito!
-Você tem que
honrar o pacto – grunhiu Arthur. – Não é uma sugestão.
-Não seja ditatorial conosco, Arthur – urgiu papai, empurrando para trás a cadeira e acariciando sua barba. – Já disse a você. Esta é uma democracia, e agora todos nós vamos respirar profundamente. Como disse Gandhi, devemos ser a mudança que queremos ver.
Arthur claramente
nunca tinha lidado com um mestre da
resistência passiva, já que estava encolhido, desprevenido pela firmeza de meu pai, que estava
sossegado e avaliando
a situação.
-O que isso
significa? – perguntou finalmente.
-Que hoje ninguém
tomará nenhuma decisão – traduziu mamãe. –
É tarde, e estamos todos cansados e um pouco aborrecidos. Além do mais, Arthur, Roberta
não está disposta
a considerar a possibilidade
de casamento. Pelo amor de Deus, ela nem sequer beijou um garoto ainda.
de casamento. Pelo amor de Deus, ela nem sequer beijou um garoto ainda.
Arthur sorriu com
satisfação, levantando uma sobrancelha.
-Sério? Nenhum
pretendente? Que escandaloso. Eu pensei que suas
habilidades com a pá eram atraentes para certos solteiros nesse país de granjas.

Maratonaaaaaaaaaaaaa
ResponderExcluirQueria saber o que a lua vai fazer... Vc pode fazer uma maratona?
ResponderExcluir