terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Prometida a um vampiro - Cap. 8





Podia sentir seu hálito em minha bochecha. Era muito fresco e doce. Contra o meu julgamento, também inalei sua incomum  colônia o mais fundo que meus pulmões conseguiram. Arthur estava tão perto, que meu cabelo escuro encaracolado roçava em sua mandíbula, e ele distraidamente afastou as mechas soltas, a parte de trás de seus dedos roçando minha bochecha. Seu toque me sobressaltou. A sensação golpeou meu estômago. Se Arthur tinha sentido o mesmo, não demonstrou e prestou muita atenção no documento. A colônia tinha me enjoado? Estou imaginando coisas?


Mudei um pouco minha posição na cadeira, tentando não tocá-lo de novo, enquanto nosso arrogante visitante passava o dedo abaixo da linha do manuscrito.


-Isto declara que Lua Blanco Dragomir, está prometido em casamento comigo, Arthur Vladescu, logo depois que atinja a maioridade, com dezoito anos, e com todas as testemunhas das partes estão de acordo com este pacto. Com o
casamento, nossos clãs se unirão e alcançarão a paz. – Ele se ergueu de novo. Como eu disse, na verdade, é bastante simples. E olhe a assinatura do seu pai adotivo. E a da sua mãe.

Eu não pude resistir a dar uma olhada quando ele disse isso, e é claro, os rabiscos da assinatura da minha mãe e do meu pai estavam no documento em meio a dúzias de nomes romanos desconhecidos. Traidores. Empurrei para longe o manuscrito, cruzei os braços e olhei para meus pais.


-Como puderam me prometer... Como se eu fosse... Uma vaca?


-Não prometemos Roberta – tentou me acalmar minha mãe. – Nesse momento você não era nossa filha. Estávamos ali só para presenciar um singular ritual como parte da investigação. Isso foi semanas antes da purga, semanas antes de nós a adotarmos. Ninguém tinha ideia do futuro que tinha sido preparado.


-Além do mais, ninguém promete vacas – zombou Arthur. – Quem prometeria gado? Você é uma princesa vampira. Seu destino não depende disso.


Princesa... Ele acha mesmo que sou uma princesa vampira. A estanha, quase agradável, a sensação que tinha sentido quando ele tinha roçado minha bochecha tinha sido esquecida quando a realidade me golpeou de novo. Arthur Vladescu era um lunático.


-Se eu fosse uma vampira, eu iria querer morder alguém. E estaria sedenta de sangue – disse, em uma desesperada última tentativa de colocar razão em uma discussão que tinha caído no absurdo.


-Você alcançará sua verdadeira natureza – prometeu Arthur. – Está a ponto de atingir a idade certa. E quando eu morder você pela primeira vez, então será uma vampira. Trouxe um livro – um guia para ser mais exato – que explicará tudo...


Levantei-me da cadeira tão rápido que caí no chão.


-Ele não vai me morder – interrompi, apontando um dedo instável para Arthur. – E eu não vou para a Romênia e não vou me casar com ele! Não me importa que tipo de “cerimônia de noivado” tenham feito!


-Você tem que honrar o pacto – grunhiu Arthur. – Não é uma sugestão.

-Não seja ditatorial conosco, Arthur – urgiu papai, empurrando para trás a cadeira e acariciando sua barba. – Já disse a você. Esta é uma democracia, e agora todos nós vamos respirar profundamente. Como disse Gandhi, devemos ser a mudança que queremos ver.


Arthur claramente nunca tinha lidado com um mestre da resistência passiva, já que estava encolhido, desprevenido pela firmeza de meu pai, que estava sossegado e avaliando a situação.


-O que isso significa? – perguntou finalmente.


-Que hoje ninguém tomará nenhuma decisão – traduziu mamãe. – É tarde, e estamos todos cansados e um pouco aborrecidos. Além do mais, Arthur, Roberta não está disposta a considerar a possibilidade 
de casamento. Pelo amor de Deus,
ela nem sequer beijou um garoto ainda.


Arthur sorriu com satisfação, levantando uma sobrancelha.



-Sério? Nenhum pretendente? Que escandaloso. Eu pensei que suas habilidades com a pá eram atraentes para certos solteiros nesse país de granjas.

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