Cap. 15
Como pudera ter deixado a noite anterior acontecer? Como pudera ter esquecido de seu avô e se deixado levar para a cama de Arthur e...? Oh! Era tudo tão horrível e frustrante. Afinal, aquele homem não queria nada além de possuí-la, torná-la parte de sua já ampla gama de posses. E agora ele a marcara a ferro, registrara sua propriedade e provavelmente pensava que poderia tê-la sempre que quisesse, usando-a para satisfazer suas necessidades, assim como fazia com todos os seus pertences.
Juntando alguns cacos remanescentes de dignidade, Lua balançou a cabeça erguida e se dirigiu ao imenso banheiro de mármore que observava pela porta entreaberta. Mas nem mesmo o jato quente de água escorrendo do chuveiro por seu corpo podia apagar a culpa e a vergonha que a tomavam.
Arthur suspirou quando ela fechou a porta. Podia lê-la como a um livro: as dúvidas, a raiva, o choque, a auto-recriminação escrita em seus olhos. E desejou apenas ter tempo para aliviar algumas das emoções inevitáveis pelas quais ela passava. Mas ele suspirou e seguiu para o outro banheiro da suíte. Prioridades vinham em primeiro lugar. Devia levá-la de volta a Billy o quanto antes.
E esperava que não fosse tarde demais.
Lua mal pronunciou uma palavra durante a viagem de volta para Londres. Quando desembarcaram foram recebidos por agentes da Alfândega e rapidamente liberados, e seguiram na limusine de Arthur a toda velocidade para Windsor.
Eles fizeram várias ligações com o celular de Arthur para se manterem a par do estado de Billy, que não era nada bom. Ele seria muito provavelmente internado em um hospital, caso não melhorasse até a tarde.
Lua sentou-se o mais longe possível de Arthur, e apertou as mãos no colo, com ódio de si mesma. Como poderia se perdoar por não estar presente quando seu avô mais precisara dela? Ela jamais devia ter consentido com aquela maldita lua-de-mel, deveria ter ficado mais atenta quando faziam os preparativos. Na verdade, deveria ter se recusado. Eles podiam muito bem ter ficado por perto, não havia a menor necessidade de todo aquele périplo até a Grécia.
Ela se punia tanto que, quando chegaram em Thurston Manor, praticamente pulou do carro antes de o motorista abrir a porta.
Enquanto Arthur descia do carro, ela correu para dentro de casa e subiu a escada na direção do quarto do avô, sem prestar atenção em Dona Katia e na enfermeira no corredor.
Só se acalmou quando chegou na porta do quarto. Respirou fundo, ajeitou os cabelos e abriu-a calmamente, entrando na ponta dos pés para não incomodar o paciente.
O quarto estava escuro.Billy estava deitado muito quieto no meio da grande cama de carvalho. Parecia tão pequeno, tão mais frágil desde a última vez em que haviam se visto. E, ao se aproximar da cama, Lua abafou um soluço, antes de sentar na cadeira ao lado. Ela colocou sua mão na mão lisa e escorregadia dele, que permaneceu imóvel sobre a colcha.
— Estou aqui, vovô — ela sussurrou, com um soluço preso na garganta. — Por favor, me perdoe por estar longe quando o senhor precisou de mim.
— Lua? — Lentamente, os velhos olhos se abriram e a cabeça dele se moveu com dificuldade no travesseiro. — Ah, minha querida, você está aqui. — Ele fechou os olhos novamente e apertou a mão dela, sem força. — Que estupidez a minha, piorar justamente agora — ele acrescentou, com a voz fraca.
— Oh, vovô, tenho certeza de que agora o senhor vai melhorar! — Lua exclamou, passando a mão na testa dele, determinada a fazê-lo melhorar de alguma forma, apesar do sinistro prognóstico médico.
Billy sorriu, pálido e disse...
Continua..?

Tô apaixonada pela web tá otima .
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