sábado, 21 de fevereiro de 2015

De Mentirinha



(Dois — Condição)

— Que condição, sua maluca? — Pedro arqueou a sobrancelha. Sempre odiava quando a garota inventava algo, a convivência com ela o fazia perceber que nem tudo iria dar certo.
— Eu preciso de um namorado e eu não tenho um. Que tal você ser o meu namorado de mentira?
Sabia que não deveria ter perguntado. Se arrependimento matasse ele estaria estirado no chão. Karina deveria estar ficando completamente louca, insana, maluca.
— Cara, você está ficando completamente louca, Karina.
—Topa logo com isso, não é tão ridículo assim.
— Não, claro que não, você só quer nós vamos até o Rio de Janeiro, minta para o seu pai, você lembra que ele é lutador? E ainda tem sua irmã, a minha e os meus pais. É altamente ridículo da sua parte, Karina. Não vai dar certo.
— Sabia que você era um frangote, o que custa me ajudar? — ela perguntou quase que rosnando.
— A questão não é o quanto eu sou frangote, Karina. — Ele havia a chamado de Karina mais de uma vez e só fazia isso quando estava zangado ou preocupado com ela — A questão é no tamanho da merda que vai dar isso no fim. — respondeu coçando a nuca.
— Ok, não quer ajudar? Tem quem ajude. — a loira estava nervosa, saiu e bateu a porta com força.
. . .
Pedro estava ficando cada vez mais preocupado, já fazia três horas que Karina havia saído e não havia voltado. Mesmo sabendo que ela sabia muito bem se defender se sentia culpado, fora ele que a deixou irritada. Puta merda, ele não conseguiria dormir enquanto ela não chegasse. Mesmo não sendo nem meia noite ainda.
A pizza que havia comprado tinha esfriado em cima da mesinha, até a fome perdera por culpa daquela garota — que nem era mais tão garota assim — que ainda não voltará. Revirou os olhos e bufou se levantando do sofá. Apoiou-se na beirada da janela e olhou para baixo. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Realmente não.
— KARINA — Gritou para a garota na esquina do prédio em que moravam — O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?
— ARRUMANDO UM NAMORADO NA ESQUINA, NÃO PERCEBEU? — ela retrucou irônica e depois voltou a conversar com o cara que estava em sua frente.
— Ah, mas não vai mesmo. — Pedro murmurou e saiu de casa.
Pedro apertava o botão do elevador repetidamente, como se fosse adiantar alguma coisa, o elevador não iria descer mais rápido se ele fizesse isso. Ele estava muito, muito estressado, bolado, zangado, bravo, todos os substantivos que serviam para definir o que ele sentia naquele exato momento. Finalmente o elevador chegou.
Pelo espelho do elevador ele se viu, o rosto estava vermelho e a veia do pescoço estava saltada. Estava com muita raiva de ver Karina praticamente se jogando nos braços daquele cara, ele sabia que era o vizinho do andar de cima que vivia se insinuando para ela. E Pedro definitivamente não gostava dele, mas não daria a entender, colocou o melhor sorriso no rosto quando o elevador chegou ao térreo e saiu.
Saiu do prédio sem nem cumprimentar o porteiro e caminhou em passos firmes até estar na esquina de frente para Karina e o carinha do andar de cima.
— Ainda bem que você desceu, Pedro. Quero te apresentar meu namorado de mentira, Lucas, ele mora no andar de cima do nosso.
— Muito prazer, Lucas. — apertou a mão do cara — Desculpa o incomodo cara, ela bebeu um pouquinho e cismou que todo mundo é namorado dela. Acredita que ela beijou o Seu João, nosso porteiro?
— Sei como que é cara, quase me casei bêbado. Acho melhor leva-la para casa. — Pedro assentiu, olhava maliciosamente para Karina que revirava os olhos, a pegou no colo e jogou nos ombros como se fosse um saco de batatas.
— Me coloca no chão, seu babaca inútil. — socava as costas dele com força.
— Olha quem voltou, a Esquentadinha, já estava ficando com saudades.
— Vou gritar, falar que é sequestro, assédio sexual, você vai preso.
— Com se todo mundo do quarteirão não nos conhecessem, cresce um pouco, Karina.
É, ele estava mais do que estressado, ela percebia isso também. Pedro não conseguia entender porque ela sempre fazia isso, toda vez que não conseguia algo, agia por impulso, talvez estivesse esquecendo que não tem mais 17, já tem 21, já é uma mulher. Ele ficaria louco com ela.
Entrou no prédio com ela ainda esmurrando suas costas — tinha certeza que ficaria roxo depois — e passou pelo porteiro, dessa vez o cumprimentando.
— Agora entendi porque não falou comigo quando passou, menino.
— É, Seu João, fui buscar a Esquentadinha.
— Esquentadinha é a seu...
— Olha boca, garota, tchau seu João, até amanhã.
O senhor os cumprimentou e Pedro entrou no elevador com ela. Finalmente a colocou no chão, sem dizer nenhuma palavra. Ele tirou a blusa e virou as costas para o espelho, estava vermelho em várias partes, e ardendo também.
— Desculpa. — Karina murmurou e ele apenas maneou a cabeça.
Finalmente o elevador chegou ao sétimo andar e eles saíram em busca do apartamento 57. Entram em absoluto silencio. Pedro estava com raiva e Karina estava... Arrependida? É talvez.
— Não vou pedir desculpa de novo. Pelas suas costas. — Ela disse.
— Eu já sei.
— Então tira essa cara emburrada.
— Não quero. Estou com raiva e quando fico com raiva não gosto que falem comigo, Karina.
— Você está sendo totalmente infantil.
Pedro deu uma risada irônica e rouca, e olhou incrédulo para ela.
— Eu sou o infantil da historia? Você tem certeza disso? Você pra rua para achar a porcaria de um namorado falso e sou infantil? Mais infantil ainda é ter falado pra irmã que tinha um namorado só pra não ficar por baixo.
— Não foi por isso, seu idiota. — Ela rosnou.
— Não, claro que não. Mas acontece que nem todo mundo foge das responsabilidades que tem, não se esconde por medo e não mente pra se sentir bem, isso não é legal.
— Eu sei, de tudo isso, cara.
— Então porque não fez o certo então? Me diz. — ele olhou pra ela sorrindo fraco — Eu aceito a condição, K.
— Condição? Que condição?
— A condição de ser seu namorado. — Sorriu travesso antes de roubar um selinho dela e sair correndo para o seu quarto.


Notas finais do capítulo

E aí? O que acharam?
Gosto de fazer amigos, todo final de capitulo vou fazer uma pergunta, ok?
Qual é a cor favorita de você e por quê? A minha é azul, simplesmente porque azul me defini em tudo e porque a maioria das coisas que são azuis me atraem, tipo os Smurfs.

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Prometida a um Vampiro - Cap.71