sexta-feira, 13 de março de 2015

Casamento por conveniência


Cap.7

Que passei para Oxford, pois ele teria se sentido obri­gado a me deixar entrar na faculdade e não haveria ninguém para cuidar dele.

— Mas e os empregados, não tomariam conta dele?

— Sim, claro, mas não é a mesma coisa — ela repudiou, levantan­do seu adorável queixo. — Ultimamente ele parece estar tão frágil. Não posso explicar, mas... — Ela hesitou e apertou os dedos, franzin­do a testa. — Acredito que esteja apenas sendo tola, mas estou assus­tada. — Ela olhou para cima e os seus olhares se encontraram. — Seus pais parecem tão legais — ela disse, mudando de assunto. — Você mora com eles ou sozinho?

— Ah, eu moro sozinho. Tenho algumas casas: minha fazenda e um loft em Puerto Madero, Buenos Aires. E em Londres eu fico com meus pais, em Eaton Square. Uma grande diferença — ele acrescen­tou, ciente de que não poderia dizer a ela que partilhava seu tempo também com Luísa, sua amante oficial, e eventualmente com algu­mas outras modelos, que entravam e saíam de sua vida. Luísa não era uma namorada oficial, é claro, mas o relacionamento estava se pro­longando. E apesar de ela saber que ele não tinha qualquer intenção de casar — ela já se divorciara duas vezes —, o tempo que comparti­lhavam era muito bom.

Isso o trouxe de volta ao problema que tinha nas mãos. O que ocorreria com Luísa se ele, numa virada do destino, aceitasse a pro­posta de Billy?

Arthur olhou para Lua mais uma vez. Ela era adorável, e de nada sabia. Assim como não sabia o que estava por vir. A morte de seu avô a tiraria para sempre do seguro casulo em que vivia. Seria doloroso e difícil. Como ela era a única neta, provavelmente teria sido a mais protegida do mundo mesmo se seus pais estivessem vivos. Além dis­so, ela não tinha ninguém, a não ser alguns amigos e conselheiros com quem contar. Talvez, ele refletiu, Billy não estivesse tão errado em querer protegê-la de todas as surpresas que pudessem acontecer. De repente, Arthur compartilhou todos os medos do velho homem em relação a ela.

— Talvez devêssemos voltar — ele disse, olhando para o fino relógio de ouro que tinha no pulso. — Meus pais pretendem retornar logo para casa.

— Está bem. — Ela se levantou e ele pegou o paletó, jogando-o sobre os ombros, enquanto caminhavam na direção do grupo.

Ele pensava em como era estranho que aquilo que há uma hora lhe parecia absolutamente absurdo agora tinha um certo sentido. E de­pois, como seu pai e Billy observaram, era um casamento, não um caso. Ele tinha 32 anos e já era tempo de pensar em casamen­to e família. Não seria infinitamente preferível casar com uma criatu­ra adorável como Lua, a quem ele poderia moldar de acordo com seu gosto, ensinar a arte de amar e ainda poder continuar com os prazeres da Luísa? No fim das contas, ter uma linda esposa e de boas maneiras para apresentar à sociedade e com a qual ele ainda pudesse ter prazer na cama de vez em quando sem mudar sua rotina talvez pudesse não ser tão ruim assim.

— Minha querida, preciso conversar com você sobre uma coisa — disse Billy à neta, na noite seguinte, durante o jantar.

— Sim, vovô — Lua olhou bem para ele. Parecia muito cansa­do. Nos últimos dias, mal saíra do quarto, exceto para sentar-se no jardim com os Aguiar. — Há algo errado? — ela perguntou.

— Depois do jantar, vamos conversar no escritório — ele disse, sabendo que chegara o momento da verdade.


Como Arthur Aguiar  aceitara a proposta de casamento, era es­sencial que ela soubesse sobre a doença do avô e o que o futuro lhe reservava.

Billy provou uma pequena colher de musse de chocolate. Ela pareceu amarga em sua boca. Já havia passado por momentos difíceis na vida, mas dizer àquela menina, a quem amava imensamen­te, que o fim estava próximo seria um dos golpes mais cruéis que a vida já lhe teria infligido. Seu único consolo era que Arthur Aguiar resolvera aceitar a proposta.

Meia hora depois, sentada como sempre no tapete aos pés do avô, Lua ouvia com aflição suas palavras.

— Mas isso é impossível — ela gritou, agarrando a mão dele e apertando-a. — Não pode ser verdade, vovô, deve haver um engano. O senhor tem que fazer outros exames, ouvir outras opiniões. Isso não pode estar certo — concluiu, soluçando.



Continua...

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