Cap.7
Que passei para Oxford, pois ele teria se sentido obrigado a me deixar entrar na faculdade e não haveria ninguém para cuidar dele.
— Mas e os empregados, não tomariam conta dele?
— Sim, claro, mas não é a mesma coisa — ela
repudiou, levantando seu adorável queixo. — Ultimamente ele parece estar tão
frágil. Não posso explicar, mas... — Ela hesitou e apertou os dedos, franzindo
a testa. — Acredito que esteja apenas sendo tola, mas estou assustada. — Ela
olhou para cima e os seus olhares se encontraram. — Seus pais parecem tão
legais — ela disse, mudando de assunto. — Você mora com eles ou sozinho?
— Ah, eu moro sozinho. Tenho algumas casas: minha
fazenda e um loft em Puerto Madero, Buenos Aires. E em Londres
eu fico com meus pais, em Eaton Square. Uma grande diferença — ele acrescentou,
ciente de que não poderia dizer a ela que partilhava seu tempo também com
Luísa, sua amante oficial, e eventualmente com algumas outras modelos, que
entravam e saíam de sua vida. Luísa não era uma namorada oficial, é claro, mas
o relacionamento estava se prolongando. E apesar de ela saber que ele não
tinha qualquer intenção de casar — ela já se divorciara duas vezes —, o tempo
que compartilhavam era muito bom.
Isso o trouxe de volta ao problema que tinha nas
mãos. O que ocorreria com Luísa se ele, numa virada do destino, aceitasse a proposta
de Billy?
Arthur olhou para Lua mais uma vez. Ela era
adorável, e de nada sabia. Assim como não sabia o que estava por vir. A morte
de seu avô a tiraria para sempre do seguro casulo em que vivia. Seria doloroso
e difícil. Como ela era a única neta, provavelmente teria sido a mais protegida
do mundo mesmo se seus pais estivessem vivos. Além disso, ela não tinha
ninguém, a não ser alguns amigos e conselheiros com quem contar. Talvez, ele
refletiu, Billy não estivesse tão errado em querer protegê-la de todas as
surpresas que pudessem acontecer. De repente, Arthur compartilhou todos os
medos do velho homem em relação a ela.
— Talvez devêssemos voltar — ele disse, olhando
para o fino relógio de ouro que tinha no pulso. — Meus pais pretendem retornar
logo para casa.
— Está bem. — Ela se levantou e ele pegou o paletó, jogando-o sobre os ombros, enquanto caminhavam na direção do grupo.
Ele pensava em como era estranho que aquilo que há
uma hora lhe parecia absolutamente absurdo agora tinha um certo sentido. E depois,
como seu pai e Billy observaram, era um casamento, não um caso. Ele tinha 32
anos e já era tempo de pensar em casamento e família. Não seria infinitamente
preferível casar com uma criatura adorável como Lua, a quem ele poderia moldar
de acordo com seu gosto, ensinar a arte de amar e ainda poder continuar com os
prazeres da Luísa? No fim das contas, ter uma linda esposa e de boas maneiras
para apresentar à sociedade e com a qual ele ainda pudesse ter prazer na cama
de vez em quando sem mudar sua rotina talvez pudesse não ser tão ruim assim.
— Minha querida, preciso conversar com você sobre
uma coisa — disse Billy à neta, na noite seguinte, durante o jantar.
— Sim, vovô — Lua olhou bem para ele. Parecia muito
cansado. Nos últimos dias, mal saíra do quarto, exceto para sentar-se no
jardim com os Aguiar. — Há algo errado? — ela perguntou.
— Depois do jantar, vamos conversar no escritório —
ele disse, sabendo que chegara o momento da verdade.
Como Arthur Aguiar aceitara a proposta de casamento, era essencial
que ela soubesse sobre a doença do avô e o que o futuro lhe reservava.
Billy provou uma pequena colher de musse de
chocolate. Ela pareceu amarga em sua boca. Já havia passado por momentos
difíceis na vida, mas dizer àquela menina, a quem amava imensamente, que o fim
estava próximo seria um dos golpes mais cruéis que a vida já lhe teria
infligido. Seu único consolo era que Arthur Aguiar resolvera aceitar a
proposta.
Meia hora depois, sentada como sempre no tapete aos
pés do avô, Lua ouvia com aflição suas palavras.
— Mas isso é impossível — ela gritou, agarrando a
mão dele e apertando-a. — Não pode ser verdade, vovô, deve haver um engano. O
senhor tem que fazer outros exames, ouvir outras opiniões. Isso não pode estar
certo — concluiu, soluçando.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário