domingo, 22 de março de 2015

Casamento por conveniência


Cap. 9

Lua olhou para o tapete com lágrimas nos olhos, suas emoções completamente fora de controle. A última coisa que queria era casar-se com um homem que mal conhecia. Sentiu uma enorme frustração. Afinal, esse deveria ser o passo mais importante de sua vida, mas ainda assim ela não teria qualquer poder sobre ele. Apesar de seus sentimentos, já sabia qual deveria ser a sua resposta.


— Farei, vovô — ela sussurrou.


E naquele momento, ela odiou Arthur Aguiar.

O casamento foi uma cerimônia íntima que reuniu apenas as duas famílias que ocorreu em Londres, duas semanas mais tarde, na bonita igreja de St. James. Ao final, eles voltaram para a casa de Billy, em Chester Square, para celebrarem tranqüilamente as núpcias.


Lua passou a cerimônia aturdida; suas emoções estavam confu­sas, a dor de ver o avô definhando a cada dia mal permitia que ela pensasse claramente como seria o futuro ao lado de um homem que desprezava.


— Você está bem? — perguntou Arthur, tocando o braço dela enquanto caminhavam pelo hall.


— Estou perfeitamente bem — respondeu friamente.


— Tem certeza? — Ele olhou para ela, notando o peso em seus lindos olhos verdes e a tristeza que carregavam. — Uma noiva deveria estar feliz no dia de seu casamento.


— Feliz? — zombou, lançando um olhar para ele. — Como uma noiva pode estar feliz casando-se nessas circunstâncias?


— Sei que não estamos em um momento muito feliz — ele con­cordou, olhando para Billy, que subia a escada com extrema dificuldade. — Mesmo assim, quero que você saiba, Lua, que como seu marido farei o melhor para fazê-la feliz.


— Muito gentil de sua parte — ela respondeu, mal conseguindo ocultar a raiva em sua voz. Como diabos podia fingir que se importa­va? Já não era ruim o bastante ela perder o avô, o qual adorava, sem ler a presença odiosa de Arthur ao seu lado?


Ela lançou um olhar raivoso para ele, então virou-se e caminhou nu direção da escada.


Arthur seguiu-a a distância. Para sua consternação, ela não cedera como ele pensou que cederia. Recusou-se a recebê-lo novamente an­tes do casamento e mal dirigiu uma palavra a ele desde que saíram da igreja. Ele suspirou. Isso não trazia bons presságios para o futuro. Mas agora estava feito. O nó fora amarrado e os votos, trocados. Agora, os dois teriam que fazer o melhor.


— Achei que você fosse preferir vir para a ilha do que ficar com uma multidão — disse Arthur sobre o motor do helicóptero que so­brevoava o mar Egeu.


Dulce podia distinguir a ilha abaixo, assim como um pequeno por­to com um iate e alguns barcos de pesca coloridos atracados no cais. Então ela avistou uma villa cercada por pequenas casas brancas e, a distância, um moinho de vento. Em qualquer outro momento, se en­cantaria. Mas agora, ir para a ilha particular de Arthur na Grécia ou ir paia um subúrbio qualquer de Londres tinha o mesmo efeito. Tudo o que queria era ficar sozinha, pensar, assimilar o choque de ter seu mundo virado de pernas para o ar de uma hora para outra.


Após descerem, andaram por um pequeno caminho da praia em que o helicóptero aterrissara. Uma brisa de fim de tarde soprava do mar, gaivotas rodopiavam sobre eles, e os moradores, sentados ao portão, acenavam com sorrisos nos rostos.


Ela olhou para as flores, lembrando que aquele era o dia de seu casamento.


O dia mais triste de sua vida.

Continua...

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