Cap. 9
Lua olhou para o tapete com lágrimas
nos olhos, suas emoções completamente fora de controle. A última coisa que
queria era casar-se com um homem que mal conhecia. Sentiu uma enorme
frustração. Afinal, esse deveria ser o passo mais importante de sua vida, mas
ainda assim ela não teria qualquer poder sobre ele. Apesar de seus sentimentos,
já sabia qual deveria ser a sua resposta.
— Farei, vovô — ela sussurrou.
E naquele momento, ela odiou Arthur
Aguiar.
O casamento foi uma cerimônia íntima
que reuniu apenas as duas famílias que ocorreu em Londres, duas semanas mais
tarde, na bonita igreja de St. James. Ao final, eles voltaram para a casa de Billy,
em Chester Square, para celebrarem tranqüilamente as núpcias.
Lua passou a cerimônia aturdida; suas
emoções estavam confusas, a dor de ver o avô definhando a cada dia mal
permitia que ela pensasse claramente como seria o futuro ao lado de um homem
que desprezava.
— Você está bem? — perguntou Arthur,
tocando o braço dela enquanto caminhavam pelo hall.
— Estou perfeitamente bem — respondeu
friamente.
— Tem certeza? — Ele olhou para ela,
notando o peso em seus lindos olhos verdes e a tristeza que carregavam. — Uma
noiva deveria estar feliz no dia de seu casamento.
— Feliz? — zombou, lançando um olhar
para ele. — Como uma noiva pode estar feliz casando-se nessas circunstâncias?
— Sei que não estamos em um momento
muito feliz — ele concordou, olhando para Billy, que subia a escada com
extrema dificuldade. — Mesmo assim, quero que você saiba, Lua, que como seu
marido farei o melhor para fazê-la feliz.
— Muito gentil de sua parte — ela
respondeu, mal conseguindo ocultar a raiva em sua voz. Como diabos podia fingir
que se importava? Já não era ruim o bastante ela perder o avô, o qual adorava,
sem ler a presença odiosa de Arthur ao seu lado?
Ela lançou um olhar raivoso para ele,
então virou-se e caminhou nu direção da escada.
Arthur seguiu-a a distância. Para sua
consternação, ela não cedera como ele pensou que cederia. Recusou-se a
recebê-lo novamente antes do casamento e mal dirigiu uma palavra a ele desde
que saíram da igreja. Ele suspirou. Isso não trazia bons presságios para o
futuro. Mas agora estava feito. O nó fora amarrado e os votos, trocados. Agora,
os dois teriam que fazer o melhor.
— Achei que você fosse preferir vir
para a ilha do que ficar com uma multidão — disse Arthur sobre o motor do
helicóptero que sobrevoava o mar Egeu.
Dulce podia distinguir a ilha abaixo,
assim como um pequeno porto com um iate e alguns barcos de pesca coloridos
atracados no cais. Então ela avistou uma villa cercada por
pequenas casas brancas e, a distância, um moinho de vento. Em qualquer outro
momento, se encantaria. Mas agora, ir para a ilha particular de Arthur na
Grécia ou ir paia um subúrbio qualquer de Londres tinha o mesmo efeito. Tudo o
que queria era ficar sozinha, pensar, assimilar o choque de ter seu mundo
virado de pernas para o ar de uma hora para outra.
Após descerem, andaram por um pequeno
caminho da praia em que o helicóptero aterrissara. Uma brisa de fim de tarde
soprava do mar, gaivotas rodopiavam sobre eles, e os moradores, sentados ao
portão, acenavam com sorrisos nos rostos.
Ela olhou para as flores, lembrando
que aquele era o dia de seu casamento.
O dia mais triste de sua vida.
Continua...

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