Cap. 8
— Temo que já tenha feito todos os
exames possíveis — ele respondeu, afagando a mecha de cabelo castanho-claro
espalhada em seu colo e consolando Lua. — E foi por isso que tive que tomar as
devidas providências em relação a você.
— Pro-providências? — Ela engoliu em
seco, erguendo a cabeça e ainda tentando absorver a notícia horrível que
acabara de receber.
— Sim, meu amor. Eu preciso que
alguém tome conta de você, que a sustente.
— Por favor, vovô, não fale sobre
isso — ela reclinou.
— Sinto muito, mas é preciso. O tempo
é curto e precisamos tomar algumas medidas.
— Que medidas? — ela engoliu em seco
novamente, tentando recuperar um pouco do controle enquanto absorvia a verdade.
Billy hesitou, forjando um suspiro.
— Ontem, você conheceu Arthur Aguiar.
— Sim — ela suspirou.
— E você o achou... agradável?
— Sim, acho que sim. Ele foi gentil.
Olhe, vovô, o que isso tem a ver com a sua doença? — ela explodiu.
— Arthur Aguiar pediu sua mão em
casamento.
— Casamento? — Lua engasgou,
horrorizada, apertando o lenço úmido entre os dedos trêmulos. — Mas isso é um
absurdo, vovô. Como posso me casar com um homem que não conheço, que não amo?
Eu não quero me casar. Eu...
— Calma, menina, não fique tão agitada.
Venha cá. — Ele segurou a mão dela e ela enterrou-se mais uma vez no tapete. —
Conversei com os Aguiar. Todos concordamos que este casamento será uma boa
solução.
— Como... como o senhor pode dizer isso, vovô? Não existem mais
casamentos forçados, nem se fala mais nisso. Por favor, vovô, isso não pode ser
real. Deve haver um engano. Tenho certeza de que se o senhor consultasse outro
médico...
— Ei, ei. Agora quero que você me
ouça, Lua. Estou absolutamente decidido com relação a esse casamento. E quero
que ele aconteça o mais cedo possível.
— O senhor quer dizer que ele veio
aqui me avaliar como ele faria com um cavalo ou uma cabeça de gado? — Ela
chorava. — Por que ele proporia um acordo como este?
— Posso pensar em uma série de
razões, todas elas perfeitamente válidas — respondeu Billy. — Ele precisa de
uma esposa de boa família, com excelente educação e pura. Além disso, é
bastante qualificado para tomar conta dos negócios.
— Então é isso — ela suspirou. — Um
acordo comercial. Oh, vovô, como o senhor pode me leiloar assim? Tudo isso é
tão horrível... — Ela virou e seus ombros tremiam enquanto soluçava. A dor de
receber a notícia da doença incurável do avô aumentara quando ela notou que o
homem com o qual passara uma tarde que julgara extremamente agradável não
passava de um oportunista. — O senhor conversou com ele sem me consultar? —
Ela sussurrou, virando para ele com os olhos cheios de lágrimas.
— Sim, Lua. Conversei. Arthur é um
homem prático. Eu me informei, acompanhei a carreira dele por vários anos. Ele
tomará conta de você, ele lhe dará atenção e cuidará da fortuna que você
herdará.
— Não me importo com absolutamente
nada disso! — ela exclamou.
— Talvez não, mas eu sim. Por favor,
faça isso por mim — ele acrescentou, com um suave tom de súplica. — Eu poderei
morrer em paz sabendo que você estará em boas mãos.
— Por favor, não fale assim — ela
implorou mais uma vez, ajoelhando-se ao lado dele.
— Então aceite minha proposta — disse
Billy, exercendo uma enorme pressão emocional. Ele suspirou. Era a única forma
de chegar a uma conclusão satisfatória rapidamente. — Responda, Lua. Diga que
fará o que pedi.
Continua...

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