sábado, 21 de março de 2015

Casamento por conveniência


Cap. 8


— Temo que já tenha feito todos os exames possíveis — ele res­pondeu, afagando a mecha de cabelo castanho-claro espalhada em seu colo e consolando Lua. — E foi por isso que tive que tomar as devidas providências em relação a você.


— Pro-providências? — Ela engoliu em seco, erguendo a cabeça e ainda tentando absorver a notícia horrível que acabara de receber.


— Sim, meu amor. Eu preciso que alguém tome conta de você, que a sustente.


— Por favor, vovô, não fale sobre isso — ela reclinou.


— Sinto muito, mas é preciso. O tempo é curto e precisamos tomar algumas medidas.


— Que medidas? — ela engoliu em seco novamente, tentando recuperar um pouco do controle enquanto absorvia a verdade.


Billy hesitou, forjando um suspiro.


— Ontem, você conheceu Arthur Aguiar.


— Sim — ela suspirou.


— E você o achou... agradável?


— Sim, acho que sim. Ele foi gentil. Olhe, vovô, o que isso tem a ver com a sua doença? — ela explodiu.


— Arthur Aguiar pediu sua mão em casamento.


— Casamento? — Lua engasgou, horrorizada, apertando o lenço úmido entre os dedos trêmulos. — Mas isso é um absurdo, vovô. Como posso me casar com um homem que não conheço, que não amo? Eu não quero me casar. Eu...


— Calma, menina, não fique tão agitada. Venha cá. — Ele segu­rou a mão dela e ela enterrou-se mais uma vez no tapete. — Conver­sei com os Aguiar. Todos concordamos que este casamento será uma boa solução.


— Como... como o senhor pode dizer isso, vovô? Não existem mais casamentos forçados, nem se fala mais nisso. Por favor, vovô, isso não pode ser real. Deve haver um engano. Tenho certeza de que se o senhor consultasse outro médico...


— Ei, ei. Agora quero que você me ouça, Lua. Estou absoluta­mente decidido com relação a esse casamento. E quero que ele acon­teça o mais cedo possível.


— O senhor quer dizer que ele veio aqui me avaliar como ele faria com um cavalo ou uma cabeça de gado? — Ela chorava. — Por que ele proporia um acordo como este?


— Posso pensar em uma série de razões, todas elas perfeitamente válidas — respondeu Billy. — Ele precisa de uma esposa de boa família, com excelente educação e pura. Além disso, é bastante qualificado para tomar conta dos negócios.


— Então é isso — ela suspirou. — Um acordo comercial. Oh, vovô, como o senhor pode me leiloar assim? Tudo isso é tão horrí­vel... — Ela virou e seus ombros tremiam enquanto soluçava. A dor de receber a notícia da doença incurável do avô aumentara quando ela notou que o homem com o qual passara uma tarde que julgara extre­mamente agradável não passava de um oportunista. — O senhor con­versou com ele sem me consultar? — Ela sussurrou, virando para ele com os olhos cheios de lágrimas.


— Sim, Lua. Conversei. Arthur é um homem prático. Eu me informei, acompanhei a carreira dele por vários anos. Ele tomará conta de você, ele lhe dará atenção e cuidará da fortuna que você herdará.


— Não me importo com absolutamente nada disso! — ela excla­mou.


— Talvez não, mas eu sim. Por favor, faça isso por mim — ele acrescentou, com um suave tom de súplica. — Eu poderei morrer em paz sabendo que você estará em boas mãos.


— Por favor, não fale assim — ela implorou mais uma vez, ajoelhando-se ao lado dele.


— Então aceite minha proposta — disse Billy, exercendo uma enorme pressão emocional. Ele suspirou. Era a única forma de chegar a uma conclusão satisfatória rapidamente. — Responda, Lua. Diga que fará o que pedi.


Continua...


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