(Cinco — A viagem)
Pedro podia sentir as mãos de Karina suar frio e ela tremia. A loira estava com os olhos fechados bem apertados e parecia que arrancaria o próprio lábio de tanto que o mordia.
— Eu não fazia a mínima ideia que você tinha medo de andar de avião. — sussurrou perto do ouvido dela enquanto passava um braço ao seu redor.
— Porque eu não tenho medo.
— Tudo bem. Você só está apertando minha mão porque eu estou com medo, né? — ele apertou ainda mais o abraço quando ela apenas assentiu afundando a cabeça no peito dele.
O avião sacolejava demais, estavam em uma turbulência horrível que atrasaria a chegada do voo ao Rio de Janeiro. Os dias até o da viajem havia passado rapidamente, e Pedro parecia ter adorado, afinal, Karina tinha parado de ignorar ele.
Não ignorar do sentido de parar de falar, mas a garota fazia de tudo para fingir que o beijo não havia acontecido. Ao contrário dele que provocava cada vez mais com o assunto. E ela internamente adorava.
— Falta pouco para pousarmos. Fica tranquila.
Karina não entendia muito bem o porquê de se sentir tão protegida nos braços dele e o porque de se deixar ser abraçada daquele jeito. Pedro lhe passava a segurança que o avião tirava.
— Só irei ficar tranquila quando meus pés estiverem tocando o chão. — Se ela se afundasse mais no abraço dele era capaz de se fundirem. Mentalmente ela tinha a noção que faltava pouco para pousarem no Rio de Janeiro.
“Senhores passageiros acabou a turbulência, porém mantenham os cintos bem presos, estaremos pousando em alguns minutos”.
Era a certeza que Karina precisava para voltar respirar e pensar calmamente. Não sabia de onde havia surgido esse medo de avião e apenas de avião, pois gostava de lugares altos, mas a aeronave a fazia sentir o medo horrível de morrer. Pena que era o melhor e mais rápido meio de viajar.
Deu graças a Deus mentalmente quando o avião pousou, continuou com os olhos fechados e a cabeça encostado na poltrona enquanto os outros passageiros saiam. Era a hora, durante as semanas anteriores a ideia do namoro de mentira só estava na mente, agora era verdade. Dali alguns minutos fingiria para todos sobre Pedro, respirou fundo e abriu os olhos.
Os olhos castanhos de Pedro brilhavam em sua direção. Sentiu a mão dele que estava entrelaçada com a sua a aperta fraquinho e ele sorriu.
— Vai dar tudo certo, Ka. — ele beijou a mão dela — Confia em mim.
Karina apenas assentiu e se levantou dando passagem também para Pedro.
— Eu sei. Pega as malas enquanto eu procuro Bianca ou meu pai? — Disse quando saíram do avião.
— Vai lá.
Karina ia em direção ao salão de desembarque, com o coração quase na mão, mesmo mantendo contato por telefone desde que havia se mudado não havia voltado para ver a irmã nem o pai, nem eles foram lhe visitar. Estava nervosa era claro, porém não podia negar que morria de saudades do pai.
Karina não precisou olhar muito para avistar seu pai segurando uma enorme placa que dizia “Minha linda garota e o (futuro morto) namorado dela”, Bianca estava ao seu lado, tão bonita quanto era antes. Não pensou duas vezes antes de correr para o abraço dele.
— Quanto amor! O que esse tempo te fez, não? — Gael riu enquanto acariciava o cabelo da filha mais nova e abraçava.
— Agora entendi o motivo de ter ido embora. — Karina ironizou enquanto se soltava do pai.
Era verdade que Gael mudara completamente o modo de a tratar quando Lobão e Renê apareceram, quando houve a suposição dela ser filha de um dos dois o modo protetor parece ter ativado no homem e todo cuidado era pouco com a loira. Mas fora Karina que pedira o teste de DNA para saber se era mesmo a filha de Gael, mais feliz nenhum deles poderia ficar quando o resultado dera positivo. Afinal, ela era a representação feminina de Gael.
— Ka, você está linda. Seu cabelo está perfeito.
Dessa vez era Bianca, a morena parecia bem mais madura do que antes, além de mais bonita. Karina a abraçou também, estava com saudades da irmã mesmo que negasse.
— Obrigada, mas ele me deixa com muito calor. — diz enquanto prendia o cabelo em um rabo de cavalo com o elástico de cabelo que estava no bolso.
Bianca a olhava com olhares brilhantes, e parecia bem ansiosa antes de soltar a pergunta:
— Onde está o seu namorado?
— Foi pegar as malas e me pediu pra procurar vocês.
— Tomara que ele caia dentro de um avião que vá para o Alasca. — Gael fechou a cara.
Pena que o sonho de Gael não se realizará, o homem mais velho revirou os olhos quando via sua caçula sendo abraçada por trás. O pior? Lembrava que aquele é o melhor amigo de seu enteado.
— Trouxe um suco de laranja para você. — Ele sorriu doce e tocou em uma das mãos dela — Esquentadinha, acho você não está fazendo seu trabalho direito, você ainda está gelada.
— Pedro? — Bianca fora a primeira a falar alguma coisa — Não acredito que você é o namorado dela.
— Muito menos eu. — Gael olhou ameaçadoramente para Pedro que apenas alargou ainda mais o sorriso e soltou Karina para cumprimentá-lo.
— E aí tio, como vai o Jhonny e a tia Dandara?
Karina riu, Pedro era altamente um cara de pau. Bianca acompanhou a irmã na risada quando Pedro a beijou na mão. Coisa que não passou despercebida por Karina e logo depois voltou a abraçar a loira.
— Tem certeza que está melhor, Ka? Você está meio pálida ainda. — Pedro voltou com o semblante de preocupação.
— O que aconteceu, Pedro?
— Ela passou mal a viagem toda, suou frio e ficou de olho fechado apertando a minha mão.
— Fobia de avião. Ana também tinha, adorava tudo no alto, mas quando falava de avião quase morria.
Karina sorriu ao saber que tinha herdado coisas da mãe que Bianca não tinha.
— Você ainda não me respondeu, Karina, está melhor?
— Estou sim, obrigada. — retribuiu o sorriso dele.
— Então, vamos embora, não queria falar mas estou na fome.
— Vamos, temos muita coisa pra saber sobre esse namoro. — Gael disse antes de pegar uma das malas e saíram do aeroporto indo para o carro de Bianca.
Continua...

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