sábado, 28 de março de 2015

De mentirinha


(Capítulo sete — Bom dia)


Pedro quase caíra da cama quando bateram na porta, enquanto Karina nem se mexido havia.
— Quero todos arrumados e acordados daqui a quinze minutos. — a voz firme de Gael se fez soar por trás da porta.
O guitarrista olhou no relógio ao lado da cama e resmungou ao constatar que eram apenas cinco horas da manhã, pra ainda mais ser cruel, era cinco horas da manhã de um sábado, aquilo era pecado. Mas que era ele para negar a ordem de Gael? O homem tinha uma academia de artes maciais.
Deu a volta na cama e antes de colocar a mão do ombro de Karina para acorda-la reparou na loira dormindo, Karina dormia com a boca um pouco aberta, um braço pendia para o chão e o outro junto a barriga. Ela era adorável dormindo, bem diferente do era acordada, ele riu em pensamento.
Sacudiu os ombros dela levemente e desviou da mão dela que quase acertara o seu rosto. A sacudiu mais uma vez e a viu resmungar e abrir os olhos lentamente.
— Bom dia. — sussurrou próximo ao rosto dela.
— Só se for pra você, eu estou com sono.
Karina se virou e afundou a cara no travesseiro dele. Aspirando o perfume do rapaz, que não pode evitar sorrir.
— Sem preguiça Esquentadinha, seu pai já falou que quer todos de pé. Esqueceu que vamos viajar pro sítio?
— Ok, já estou levantando. — a loira rendeu-se e se levantou.
— Vou me arrumar no quarto do João, fique a vontade madame.
— É claro que vou ficar, o quarto é meu, você é o intruso. — ela jogou um travesseiro nele que saiu pela porta do quarto de João rindo.
Karina respirou fundo e levantou, sempre acorda cedo, mas acordar tão cedo num sábado a deixava de mau humor. Abriu a mala e tirou de lá uma camisa, calça jeans e as roupas intimas, tomaria banho no quarto de Bianca, já sabia que o quarto da irmã mais velha era uma suíte.
Saiu do quarto e ao passar pelo corredor ouviu os gritos de Gael na cozinha e as risadas de Dandara, eles faziam muito bem um ao outro. Andou rapidamente até o quarto de Bianca, a irmã não estava lá, provavelmente deve ter ido buscar Duca.
Entrou no banheiro, tudo tinha o cheiro doce – e enjoado – de Bianca, tirou a roupa rapidamente e entrou no box. Ligou o chuveiro e evitou pensar em como ficaria quando Bianca chegasse com Duca. a única certeza que tinha era que não poderia ser rebaixada pela irmã. Tomou o banho rápido, secou-se e vestiu-se e penteou os cabelos, logo saiu do quarto da irmã.
— Bom dia filha. — Gael disse bagunçando os cabelos recém-penteados.
— Bom dia, você não perde essa mania, seu Gael.
— Para de reclamar e vamos tomar café, da pra ouvir daqui tua barriga roncando.
O homem riu alto arrastando a filha caçula pelos ombros até a cozinha. O falatório era constante, Bete começava a ficar louca com tanta gente na casa, Pedro e João tinha uma conversa estranha aos olhos dos outros, Bianca e Duca conversam extremamente apaixonados e Dandara cantava alto tentando chamar a atenção dos mais novos.
— YO. — Gritou fazendo todos se calarem — Querem acordar a rua toda?
— Graças á Deus, não aguentava mais tanta voz falando junta. Bom dia, Karina.
Finalmente perceberam a loira, Duca estava meio sem reação, desde quando a loira tinha ficado tão bonita? Não que cogitasse a ideia de trocar a noiva pela a irmã, mas estava surpreso de vê-la tão feminina.
— Bom dia, Esquentadinha. — Pedro levantou da cadeira que estava para abraça-la.
— Bom dia. — Respondeu e lhe deu um beijo casto.
— Você não me quer vivo mesmo, hein? — Riu depositando um beijo na testa dela.
— Vamos comer? — Gael perguntou ainda olhando torto para os genros, odiava ver que estava perdendo as filhas. Todos se sentaram a mesa.
Karina se sentiu bem sentada ali, mesmo que nunca tivesse estado daquele jeito e mesmo que ver sua irmã com Duca lhe machucasse um pouco. Era bom ter pessoas que se importavam com ela. Até mesmo Dandara e João já tinham um lugar especial na vida da moça. Olhou Pedro ao seu lado, o rapaz fez uma careta apertando a mão livre dela por debaixo da mesa e sorriu.
— Estamos juntos nessa. — ele recitou High School Musical em seu ouvido, lembrando-a de quando ficaram dias assistindo a trilogia de filme para o trabalho da faculdade dele.
. . .
— As divisões podem ficar assim, Gael, Bete e João no meu carro, Bianca, Karina e Pedro no de Duca. — Falou Dandara.
— Tudo bem pra todos? — Gael e perguntou e todos concordaram — Ótimo, então vamos.
Entraram no carro, Bianca foi ao banco ao lado de Duca enquanto Pedro e Karina foram atrás, quando os quatro estavam bem acomodados seguiram o carro de Dandara que ia à frente guiando.
— Bianca, você ainda não falou quem será os outros padrinhos. — Karina falou.
— É mesmo, Ka. Dica é alguém da academia com alguém da Ribalta.
— Da Ribalta? Deve ser a Ruiva. — Pedro chutou e pelo sorriso de Bianca acertara.
— Zé, Marcão, Wallace? — Karina foi chutando os mais próximos de Duca. — Qual é, Duca? Fala logo.
— O Ricardo. — O moreno que tinha abandonado o cabelo raspado respondeu.
— Eu não me lembro de nenhum Ricardo, a não ser... Meu Deus, cê jura? O Cobra?
— Acertou irmã. Duca e o Cobra são tão amigos agora que às vezes penso que ele vai me trocar pelo Cobra.
— Não acredito nisso. — Karina ainda estava abobalhada, como o tempo mudara e as pessoas também.
— Falou a garota que dizia odiar o guitarrista da Ribalta. — Bianca retrucou sorrindo.
— Eu ainda odeio ele, e ele me odeia, não é Pedro?
— É logico, estamos juntos apenas por causa dos benefícios. — o guitarrista sorriu a beijando, diferente do beijinho do café da manhã, aquele beijo era intenso. Pedro queria fazer aquilo desde que chegaram, mas com Gael sempre perto era meio impossível. Era realmente bons benefícios, Karina sabia beijar bem, além dos puxões que dava no cabelo de sua nuca. Não se incomodava com a presença de Bianca e Duca.
— Se vocês se beijam assim quando estamos perto, prefiro nem imaginar o que fazem sozinhos. — Duca falou malicioso, fazendo Karina corar e Pedro rir.
— Não liga, K. — Bianca disse — Esses dois são uns idiotas.
. . .
O tempo de chegada ao sítio pareceu ser rápida para Karina, afinal não chegara nem na metade das musicas que tinha em seu celular, ou poderia ser por ter músicas demais. Pedro e Duca revezaram apenas uma vez a direção do carro. Mas enfim, chegaram.
O sítio era maravilhoso, espaçoso e bonito, como o casamento seria ali os padrinhos, amigos mais próximos e a família dos noivos ficaram lá. Dona Dalva que viera na frente com Wallace e Sol os esperava na entrada do lugar. A senhora parecia tão saudável e feliz quanto Karina se lembrava.
— Enfim chegaram, vocês estão com fome? — A senhora disparou perguntas. —Vamos para dentro gente? Duca o Cobra já ligou avisando que está vindo com a Ruiva.
— Tudo bem vó.
—A Sol fez um bolo que por incrível que pareça ficou muito bom.
— Sempre falando mal de mim né, Dona Velha? — Sol estava apoiada no braço de Wallace. — Pedro? Não acredito que você é o namorado da Karina? Enfim, achou sua musa inspiradora.
— Musa? Só for meu trator inspirador.
— Vou ser trator quando eu passar por cima de você, idiota.
— Ainda não me acostumei com tanta demonstração de carinho de vocês dois. — Bianca falou — Nem parece que estavam aos beijos no carro.
— Está vendo, Dandara? Era por isso que eu queria ir com eles.
— Pedroso, meu amigo, juro fazer um enterro digno para você. — João riu, olhando do padrasto para o amigo que mantinha um sorriso no rosto e abraçava Karina por trás.
Continua....

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Prometida a um Vampiro - Cap.71