(Capítulo Oito — Dançar com Você)
“Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz”
Isso é o que o amor faz”
— Tiê
Depois de aproveitarem dois ótimos dias bem leves o fardo de serem padrinhos de casamento estava vindo à tona. Pedro, Cobra, Duca e Karina estavam num dilema terrível, teriam que dançar no casamento. Claro que tudo foi culpa do capricho de Bianca que alegou que não teve uma festa de quinze anos para valsar e precisaria fazer isso em seu casamento.
Antes das oito da manhã, os noivos e os padrinhos estavam nos fundos do sítio, o rádio tocava musicas aleatórias enquanto uma mulher numa postura rígida, porém elegante, os esperava.
— Então meus queridos, é a coreografia mais fácil de dança de casal que posso ensinar, afinal é apenas um balançar com a música de fundo. — Dizia Lucrécia, sim a professora mais rigorosa da Ribalta era quem coreografaria a valsa dos casais como forma de presente de casamento. — Ainda mais sabendo que alguns não têm talento algum para dançar. — completou olhando para Pedro.
— Pô, era o salto mais bonito que eu fiz. — Pedro respondeu sorrindo.
— Não dou importância para seus comentários, como posso classificar... Engraçadinhos.
— Ele vai se comportar. — Karina afirma olhando ameaçadoramente para o guitarrista. — Não vai?
— Eu vou me comportar.
— Acho muito bom. — falou a professora — Três coisas básicas para que a dança seja no mínimo bonitinha: sorriso, postura e confiança em quem está te acompanhando, se faltar alguma dessas três coisas se considerem um retardado sem um pingo de cultura.
— Vamos fazer o nosso melhor, professora. — Agora Bianca sentia na pele a cobrança da mulher.
— Rápido, pares, de frente um pro outro.
. . .
— Você é pior que eu, moleque.
Karina deveria ter repetido aquilo umas mil vezes, Pedro já havia pisado umas no pé da loira. Mas até que estava indo bem melhor do que Cobra e Duca. A sequência de passos não era tão difícil, afinal só ficávamos bailando ao redor de Bianca e Duca que faziam os passos mais complicados.
— Eu sou um ótimo bailarino, esquentadinha. — Soltou-se dela e começou a girar em sua volta, fazendo um dança totalmente ridícula.
— Não, você não é!
— Pelo menos eu estou dançando com você, coisa que nunca sonhei que aconteceria. — Rodou a loira diversas vezes a deixando tonta.
— Tudo bem, chega por hoje. — Declarou Lucrécia ao ver a pequena baderna que Pedro estava causando.
. . .
— Então, nos estamos indo a praia. — Karina anunciou chegando à sala onde Dandara assistia televisão abraçada a Gael.
— Nós? Você e ele? Só os dois?
— Pô, pai. Ainda está com ciúmes? — Karina revirou os olhos — Quando vai aceitar que estamos namorando, que moramos juntos e que vamos à praia?
— Ela tem razão, Gael. Você conhece a filha que tem e eu o melhor amigo do meu filho. — Dandara apoiou a enteada.
— Tudo bem, não falo mais nada. Em qual praia vão?
— Praia do Forno, tem uma mini trilha pra chegar lá, além de que é pertinho daqui. — Pedro falou entusiasmado.
— Você não falou que tinha trilha, Pedro.
— Você não me perguntou. — Fingiu inocência. — Agora vamos, tchau pra vocês.
O casal saiu e Dandara riu da expressão triste do marido.
— Tô perdendo as minhas filhas, Dandara. Por que eu não tive filhos homens, seria bem mais fácil.
. . .
Karina e Pedro não demoraram nem vinte minutos para fazer a trilha, afinal não podia ser considerada tão trilha assim, já que não era tão difícil de andar, só cansava na subida, pois no resto do caminho era fácil.
Mas qualquer esforço que tiveram feito valia a pena para olhar o quanto aquela praia era linda. A agua clara atraia a ambos, não perderam tempo a achar um lugar um pouco vazio para se sentarem.
Karina morria de vergonha, teria que ficar de biquíni na frente de Pedro, mesmo que se conhecesse há anos não se sentia a vontade de mostrar o corpo, mesmo que seu biquíni não seja pequeno. E ao contrario dela, Pedro parecia pinto no lixo de tão animado que ele estava, já havia tirado a camisa ficando apenas de bermuda e parecia ansioso para entrar no mar.
— Não vai tirar a roupa? Não quero entrar no mar sozinho.
— Tô com vergonha, vira pro outro lado.
— Não acredito nisso. K, todo mundo está de biquíni aqui.
— Tudo bem.
A loira tirou primeiro a regata que vestia e logo depois o short, Pedro não pode evitar dar uma boa olhada no corpo da amiga. Percebeu também o quanto o biquíni azul ficava bem na pele branca dele e como seus olhos ficavam mais bonitos assim.
— Com todo respeito, você está uma gostosa. — ele a abraçou — E todos os caras que estão aqui concordam comigo.
Karina riu da careta emburrada do amigo.
— Ciúmes? — Ela ironizou.
— Claro que não, só estou tomando conta do que é meu.
— E desde quando eu sou sua?
— Desde o momento que eu topei ser seu namorado de mentira.
— Vai jogar na cara sempre, cara?
O guitarrista apenas riu e levantou a amiga do chão a levando para a agua. Karina debatia as pernas enquanto Pedro ria descontroladamente chamando a atenção das pessoas mais próximas. Continuou a carregando até que a agua estivesse em sua barriga e no peito dela.
— Eu quase não dou pé aqui, Pedro. — ela reclamou.
— Eu sei.
—Por que acho que você está se aproveitando?
— Porque talvez eu realmente esteja. Vamos aproveitar hoje, tudo bem? — Perguntou sem esperar a reposta e a puxou para um beijo.
. . .
— Minhas costas estão ardendo agora. — Pedro reclamou.
— Quando eu avisei pra passar o protetor não quis. Bem feito.
— Será que vocês não param de brigar nunca? — Gael perguntou quando os viu.
— Só quando nos beijamos.
— Esse moleque tá a fim de apanhar, só pode.
— Pai, prometo que ele não vai falar tanta merda.
— Não perto de você, é claro. — Pedro sorriu com o comentário de João. — Nem chamaram pra ir à praia, tomara que você fique todo ardido.
— Tua praga chegou adianta então, irmãozinho. — Karina disse para João quando Gael saiu.
Karina nunca pensou que se daria tão bem com João, muito menos Pedro, afinal estava com os seus dois melhores amigos.
— Isso mesmo, se juntem contra mim. Vão ficar sem beijinho.
— Como se o seu beijo valesse isso tudo. — Karina falou sarcástica.
— Você não reclama quando te beijo.
— E ele não para com os comentários. — Gael gritou.
— Cadê os outros?
— Tão numa social que tá rolando daqui duas quadras e eu estou indo pra lá.
— Quem te viu e quem te vê, Johnny. Indo pra festinhas e tal. Mas essa eu passo. — Pedro sorriu.
— Então tô indo nessa, minha mãe e Gael tão saindo. Dona Dalva e a Bete já foram dormir. Não façam nada que eu não faria.
O rapaz saiu deixando Pedro com um sorriso malicioso e Karina corada, parecendo um tomate de tão vermelha.
— Se quiser fazer o que ele nós sugeriu, use e abuse.
— Você é um retardado.
Continua...

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