Cap.10
Por um momento as lágrimas brotaram, mas ela as
conteve tão rapidamente quanto apareceram. Não tinha o direito de estar
infeliz. Pelo menos seu avô se despediria despreocupado desta vida. E isso
importava mais do que tudo.
Então, de repente ela tomou uma profunda
consciência da presença de Arthur ao seu lado, de seu lindo corpo tão perto,
quase a tocando. E se arrepiou. O que viria depois nessa desagradável sequencia
de acontecimentos, ela calculou. O que ele esperaria dela como esposa?
Pela primeira vez, enquanto adentravam o enorme hall, passavam pelo salão e
saíam em um terraço de muros baixos avançando sobre o mar de um azul-celeste, Lua
encarou este dilema. Abruptamente ela olhou para Arthur, que estava falando com
os empregados. Ele parecia um homem desacostumado a ser contrariado. Todos se
moveram diante de suas ordens calmas e bem-educadas. Ela imaginava o que ele
quereria dela.
— Pedi champanhe — ele disse, olhando para ela. —
Mais tarde pode ser que você queira fazer um tour pela primeira de suas novas casas — ele acrescentou. Lembre-se, ela falou para si
mesma, ele não se importa com
você. Você não passa de um negócio lucrativo.
— Estou um tanto cansada — ela disse, sentando-se
nas almofadas espalhadas sobre o sofá branco que circundava a sala, formando um
nicho aconchegante. — Acho que vou descansar daqui a pouco. Talvez uma das
empregadas possa me mostrar o meu quarto.
— O nosso quarto
você quer dizer — ele respondeu.
Os olhos dela moveram-se num átimo para ele, e ela
se arrepiou.
— Acho que teremos que conversar sobre isso. — Ela
apertou as mãos e sentiu as faces enrubescerem.
— O que há para ser conversado? — perguntou Arthur,
apoiando-se contra a parede em seu terno impecável.
— Muito, eu acho.
— É mesmo? — Ele levantou uma sobrancelha, em
dúvida.
— Sim. Este casamento foi arranjado. Você, seja por
qualquer razão, decidiu que eu me encaixava nos seus ideais — ela falou,
lançando um olhar de raiva para ele. — Aceitei porque amo meu avô e não quero
que ele termine seus dias preocupado e infeliz. Não creio que quaisquer umas
dessas razões sejam base para... Para intimidade.
Ela terminou apressadamente, desejando que aquela
conversa não estivesse acontecendo.
—
Percebo. —Arthur olhou para ela com interesse. Não contava isso. Achava que,
uma vez que a possuíssem, as coisas de alguma forma se acalmariam entre eles.
Talvez, ele refletia, tivesse que dar um tempo para que ela se acostumasse com
a ideia de que pertencia a ele.
Esta ideia
lançou uma onda de calor pelo corpo dele e o fez levantar-se.
—
Falaremos sobre isso mais tarde — ele disse, vendo que um dos empregados
aparecia com o champanhe. — Por enquanto, vamos relaxar e tomar um drinque.
Bem-vinda a Agapos — ele levantou o copo. — Que você seja feliz e contente
aqui, señorita.
Lua fez
um gesto com o copo e em vez do educado gole que ingeriu, desejou ter virado
tudo de uma vez. Certamente precisaria de algo para ajudá-la nas próximas
horas...
Arthur a
observava. Teria que sufocar o desejo que o vinha consumindo nas duas últimas
semanas e controlar a urgência de levá-la para a cama. Havia tempo para isso,
ele disse a si mesmo. Não havia necessidade de apressar as coisas. Ele queria
satisfazer às necessidades dela no momento, pelo menos por um tempo. Afinal,
paciência tem limite.
Mas ele
percebia que ela estava passando por um momento de trauma profundo, causado
pela doença do avô, e o casamento certamente lhe viera como uma grande surpresa.
E ainda havia o fato de ela ser muito jovem e aparentemente ter muito pouca —
ou nenhuma — experiência sexual. Talvez estivesse com medo. Ficaria a cargo
dele garantir que tudo acontecesse lentamente, que sua primeira vez fosse uma
experiência agradável. Ele respirou fundo e forçou-se a pensar em outra coisa
antes que seu corpo o traísse.
Três
noites depois, Arthur sentia-se consideravelmente menos tratável. Lua mal
falara com ele e, quando o fizera, se esforçara para ser gentil. Eles passaram várias
horas em silêncio absoluto na praia, no iate, no carro ao redor da ilha. Se ele
propunha alguma coisa, ela concordava com frieza, nem contente, nem
descontente.·.
Indiferente.
Continua...

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