terça-feira, 12 de maio de 2015

Casamento por conveniência


Cap.10


Por um momento as lágrimas brotaram, mas ela as conteve tão rapidamente quanto apareceram. Não tinha o direito de estar infeliz. Pelo menos seu avô se despediria despreocupado desta vida. E isso importava mais do que tudo.

Então, de repente ela tomou uma profunda consciência da presen­ça de Arthur ao seu lado, de seu lindo corpo tão perto, quase a tocan­do. E se arrepiou. O que viria depois nessa desagradável sequencia de acontecimentos, ela calculou. O que ele esperaria dela como esposa?

Pela primeira vez, enquanto adentravam o enorme hall, passavam pelo salão e saíam em um terraço de muros baixos avançando sobre o mar de um azul-celeste, Lua encarou este dilema. Abruptamente ela olhou para Arthur, que estava falando com os empregados. Ele pare­cia um homem desacostumado a ser contrariado. Todos se moveram diante de suas ordens calmas e bem-educadas. Ela imaginava o que ele quereria dela.

— Pedi champanhe — ele disse, olhando para ela. — Mais tarde pode ser que você queira fazer um tour pela primeira de suas novas casas — ele acrescentou. Lembre-se, ela falou para si mesma, ele não se importa com você. Você não passa de um negócio lucrativo.

— Estou um tanto cansada — ela disse, sentando-se nas almofadas espalhadas sobre o sofá branco que circundava a sala, formando um nicho aconchegante. — Acho que vou descansar daqui a pouco. Talvez uma das empregadas possa me mostrar o meu quarto.

— O nosso quarto você quer dizer — ele respondeu.

Os olhos dela moveram-se num átimo para ele, e ela se arrepiou.

— Acho que teremos que conversar sobre isso. — Ela apertou as mãos e sentiu as faces enrubescerem.

— O que há para ser conversado? — perguntou Arthur, apoiando-se contra a parede em seu terno impecável.

— Muito, eu acho.

— É mesmo? — Ele levantou uma sobrancelha, em dúvida.

— Sim. Este casamento foi arranjado. Você, seja por qualquer razão, decidiu que eu me encaixava nos seus ideais — ela falou, lançando um olhar de raiva para ele. — Aceitei porque amo meu avô e não quero que ele termine seus dias preocupado e infeliz. Não creio que quaisquer umas dessas razões sejam base para... Para intimidade.

Ela terminou apressadamente, desejando que aquela conversa não estivesse acontecendo.

— Percebo. —Arthur olhou para ela com interesse. Não contava isso. Achava que, uma vez que a possuíssem, as coisas de alguma forma se acalmariam entre eles. Talvez, ele refletia, tivesse que dar um tempo para que ela se acostumasse com a ideia de que pertencia a ele.

Esta ideia lançou uma onda de calor pelo corpo dele e o fez levantar-se.

— Falaremos sobre isso mais tarde — ele disse, vendo que um dos empregados aparecia com o champanhe. — Por enquanto, vamos relaxar e tomar um drinque. Bem-vinda a Agapos — ele levantou o copo. — Que você seja feliz e contente aqui, señorita.

Lua fez um gesto com o copo e em vez do educado gole que ingeriu, desejou ter virado tudo de uma vez. Certamente precisaria de algo para ajudá-la nas próximas horas...

Arthur a observava. Teria que sufocar o desejo que o vinha consu­mindo nas duas últimas semanas e controlar a urgência de levá-la para a cama. Havia tempo para isso, ele disse a si mesmo. Não havia necessidade de apressar as coisas. Ele queria satisfazer às necessida­des dela no momento, pelo menos por um tempo. Afinal, paciência tem limite.

Mas ele percebia que ela estava passando por um momento de trauma profundo, causado pela doença do avô, e o casamento certamente lhe viera como uma grande surpresa. E ainda havia o fato de ela ser muito jovem e aparentemente ter muito pouca — ou nenhuma — experiência sexual. Talvez estivesse com medo. Ficaria a cargo dele garantir que tudo acontecesse lentamente, que sua primeira vez fosse uma experiência agradável. Ele respirou fundo e forçou-se a pensar em outra coisa antes que seu corpo o traísse.

Três noites depois, Arthur sentia-se consideravelmente menos tratável. Lua mal falara com ele e, quando o fizera, se esforçara para ser gentil. Eles passaram várias horas em silêncio absoluto na praia, no iate, no carro ao redor da ilha. Se ele propunha alguma coisa, ela concordava com frieza, nem contente, nem descontente.·.
Indiferente.


Continua...

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