quinta-feira, 14 de maio de 2015

Casamento por conveniência


Cap.14


— Quero que você me sinta como eu a senti — ele disse, tomando a em seus braços e suavemente colocando a mão dela em seu membro, estranhamente encantado por saber que aquela era a primeira vez que ela estava com um homem e que ele era seu mestre e professor. Um novo ímpeto repentino de possessão e então algo muito mais forte se abateu sobre ele com grande surpresa: de uma vez por todas, esperou que fosse o único da vida dela.

Era um sentimento estranho, irresistível, que o emocionara mais do que ele supunha ser possível. Agora, enquanto seus braços deslizavam por ela mais uma vez e ele a levava para a cama novamente, tentava racionalizar a situação, manter o controle. Mas não podia, não podia pensar em qualquer outra coisa além de seguir adiante, conhecê-la cuidadosamente, conhecê-la totalmente, e assim ele a beijou, não tão gentilmente como antes, mas com uma nova e emergente paixão que destruiu qualquer possibilidade de hesitação, agora substituída por um apetite passional e irracional que o corroia e que ele mal conhecia, mas que precisava desesperadamente ser satisfeito.

Lua segurou a respiração e deixou seus sentimentos tomarem conta, o coração batendo tão alto que ela quase podia ouvir. Ela se deliciava com a parede rígida do homem musculoso que se deitava sobre ela. E algo mais, algo ainda mais problemático, mas excitante, uma necessidade primitiva, crescia dentro dela de uma forma que sabia que precisava continuar. Arthur começou a investigar seu cor­po de forma cuidadosa e deliciosa, começando com beijos leves em seu pescoço e descendo, mais e mais, atingindo seus mamilos intumescidos de desejo e então se movendo para baixo até chegar a sua essência.

Lua deixou escapar um gemido quando a língua dele passou pela pequena e sensível protuberância que ela sequer sabia que existia até então. Segundos depois, ela estava gemendo, contorcendo-se, inca­paz de restringir a desesperada necessidade de enterrar os dedos nos cabelos dele.

— Arthur! — ela gritou, e sentiu novamente desmanchar-se em uma infinidade de sensações indescritíveis, parando somente quando se aninhou nos braços dele, enquanto ele sussurrava doces bobagens em seu ouvido e a acalmava, enquanto cada fibra de seu corpo pulsa­va ferozmente.

E ainda havia tanto mais por vir.

Quando Lua estava começando a se recompor, Arthur passou os dedos entre as coxas dela mais uma vez e forçou, lentamente, sentin­do o mel suave e denso, certificando-se de que ela estava pronta para o que viria depois.

— Lua, mi amor — ele sussurrou com a voz rouca. — Eu a farei minha, toda minha. — O sotaque espanhol quase imperceptível que ele tinha ficou mais forte com a paixão, enquanto se forçava firme­mente por cima dela e abria suas coxas.

Lua sentiu o corpo tenso.

— Não tenha medo, querida. Farei o possível para não machu­cá-la.

— Eu nunca...

— Eu sei, corazon, simplesmente deixe comigo. — Ele beijou-a longamente enquanto, ao mesmo tempo, invadia seu corpo.

Lua passou por um choque momentâneo ao sentir que ele se movimentava dentro dela, apenas um pouco, enquanto se permitia acostumar-se com a novidade. Então, ele penetrou mais fundo. Lua soltou um gemido de dor, cravando as unhas nos ombros dele.

— Está tudo bem, mi amor — ele murmurou suavemente. Seus beijos eram quase reverentes em sua suavidade, seus olhos negros e brilhantes preenchidos por um vislumbre que ela não reconhecia. E a dor foi rapidamente substituída por mais uma daquelas ondas cres­centes e prolongadas de prazer. A cada nova onda Lua sentia seu corpo arquear-se involuntariamente na direção do dele, seus quadris movendo-se em uma cadência nova e maravilhosa. Então tudo se tornou vago, alucinatório, confuso, quando ela sentiu-o juntando-se a ela, quando percebeu que ele de alguma forma tinha as mesmas, sensações que ela. E juntos se afogaram em uma poderosa e forte sensação de paixão, tão forte que, quando chegaram ao orgasmo, gritaram juntos para em seguida desabarem exaustos no lençol amar­rotado, cansados demais para fazer qualquer coisa além de ouvirem as batidas trêmulas de seus corações.

Na manhã seguinte...

— Sr. Aguiar?

Depois de algumas batidas, Arthur acordou e notou que Juanito, seu empregado, estava do lado de fora, chamando seu nome com urgência.

Levantando-se depressa da cama amarrotada, Arthur vestiu a cal­ça do pijama. Ele olhou para Lua, que ainda dormia enrolada sob o lençol, e sorriu, antes de caminhar até a porta. Abrindo-a com cuida­do para não acordar sua esposa, ele foi até o corredor.

— O que é, Juanito? — ele perguntou. — Que pasa?

— É Billy, señor. Dona Kátia ligou para avisar que parece que o pior está para acontecer. Ela e Henrique acham que o senhor deve voltar para Londres imediatamente.

— Deus! — Arthur estava totalmente acordado agora, seu cérebro trabalhando a mil por hora. Como ela reagiria, indagou-se, o coração apertado em saber que teria que acordar Lua para contar as terríveis notícias.

— Muy bien — ele disse firmemente. — Veja se o helicóptero pode estar aqui em uma hora. Devemos chegar ao Aeroporto Interna­cional de Atenas em pouco tempo.
Depois, ele virou para enfrentar a desanimadora tarefa de dizer à mulher com a qual fizera amor na noite anterior pela primeira vez que a lua de mel pela qual ele começava a ter esperanças estava prestes a acabar. Ele entrou, observou-a ainda aninhada na cama e se moveu em sua direção. Sentou-se na beirada da cama, perto dela, olhando-a com suavidade enquanto seus dedos acariciavam as mechas de seus cabelos.

Esticando-se, beijou suavemente os cílios dela e depois sua boca.

— Lua — ele sussurrou, balançando os ombros dela. — Acorde, cariño.
Muito, muito lentamente, Lua emergiu de um sonho delicioso. Primeiramente, ela manteve os olhos fechados, ainda aproveitando os resquícios de uma ótima noite de sono. Então se esticou, tomou consciência de seu corpo, de uma ligeira dor quando se movimentou e, aos poucos, foi montando as peças do acontecimento da noite anterior.

Abrindo os olhos de uma vez, olhou para o rosto de Arthur.


— Bom dia, senora mia — ele disse. — Dormiu bem? — Havia um brilho nos olhos dele enquanto falava, e Lua sentiu as faces queimando quando, em um átimo, a noite de amor da véspera veio à sua mente.

— B-bem — ela murmurou, desviando o olhar enquanto Arthur se inclinava e passava um braço sob ela, aproximando-a dele.

— Não sinta vergonha do que aconteceu entre nós, mi linda — ele disse. — Foi como devia ter sido.

Ele não acrescentou que fora atingido inesperadamente por um intenso sentimento quando penetrara nela e a fizera sua. Jamais expe­rimentara uma emoção tão forte. E já possuíra outras mulheres em sua vida — muitas outras mulheres —, mais jovens, mais velhas, todas propiciando experiências excitantes, que o ensinaram a execu­tar com perfeição as artes do amor, a se tornar um amante habilidoso e atencioso, além de satisfazer as próprias necessidades. Mas jamais experimentara antes aquela pureza, aquela paixão verdadeira que sentira com a esposa virgem.

Mas aquele não era o momento de pensar nessas coisas, ele lem­brou a si mesmo, se desapontando por não poder aproveitar a atmos­fera que ainda pairava pelo quarto para começar tudo de novo. Afi­nal, o dever vinha em primeiro lugar.

Sentando-a suavemente, com cuidado para deixá-la envolvida no lençol, ele pôs as mãos nos ombros dela.

— Lua, sinto muito, mas não tenho boas notícias.


— O que foi? — Ela enrugou a testa, totalmente acordada agora, com os olhos arregalados.

— É seu avô. Parece que as coisas pioraram.

— Oh não! — Ela se afastou dele e olhou para cima, horrorizada. — Preciso ir agora — ela sussurrou, de repente, subitamente cons­ciente de que estava ali, fazendo amor com aquele homem que tinha se imposto a ela e a quem deixara possuir seu corpo, enquanto seu avô caía doente e precisava dela. — Preciso ir embora! — ela gritou, lutando para levantar.


Arthur se levantou depressa, deixando espaço para ela se movi­mentar.


— Já pedi para o helicóptero vir nos buscar.


— Obrigada — ela respondeu, levantando o lençol e usando-o como uma toga. — Vou me aprontar.


— Certo, então partiremos assim que ele chegar.


— Partiremos?


— Claro — ele respondeu.


Continua...

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