Cap.14
— Quero que você me sinta como eu a senti — ele
disse, tomando a em seus braços e suavemente colocando a mão dela em seu
membro, estranhamente encantado por saber que aquela era a primeira vez que ela
estava com um homem e que ele era seu mestre e professor. Um novo ímpeto
repentino de possessão e então algo muito mais forte se abateu sobre ele com
grande surpresa: de uma vez por todas, esperou que fosse o único da vida dela.
Era um sentimento estranho, irresistível, que o
emocionara mais do que ele supunha ser possível. Agora, enquanto seus braços deslizavam por ela mais uma vez e ele a levava para a cama novamente, tentava
racionalizar a situação, manter o controle. Mas não podia, não podia pensar em
qualquer outra coisa além de seguir adiante, conhecê-la cuidadosamente,
conhecê-la totalmente, e assim ele a beijou, não tão gentilmente como antes,
mas com uma nova e emergente paixão que destruiu qualquer possibilidade de hesitação,
agora substituída por um apetite passional e irracional que o corroia e que ele
mal conhecia, mas que precisava desesperadamente ser satisfeito.
Lua segurou a respiração e deixou seus sentimentos
tomarem conta, o coração batendo tão alto que ela quase podia ouvir. Ela se
deliciava com a parede rígida do homem musculoso que se deitava sobre ela. E
algo mais, algo ainda mais problemático, mas excitante, uma necessidade
primitiva, crescia dentro dela de uma forma que sabia que precisava continuar. Arthur
começou a investigar seu corpo de forma cuidadosa e deliciosa, começando com
beijos leves em seu pescoço e descendo, mais e mais, atingindo seus mamilos
intumescidos de desejo e então se movendo para baixo até chegar a sua essência.
Lua deixou escapar um gemido quando a língua dele
passou pela pequena e sensível protuberância que ela sequer sabia que existia
até então. Segundos depois, ela estava gemendo, contorcendo-se, incapaz de
restringir a desesperada necessidade de enterrar os dedos nos cabelos dele.
— Arthur! — ela gritou, e sentiu novamente
desmanchar-se em uma infinidade de sensações indescritíveis, parando somente
quando se aninhou nos braços dele, enquanto ele sussurrava doces bobagens em
seu ouvido e a acalmava, enquanto cada fibra de seu corpo pulsava ferozmente.
E ainda havia tanto mais por vir.
Quando Lua estava começando a se recompor, Arthur
passou os dedos entre as coxas dela mais uma vez e forçou, lentamente, sentindo
o mel suave e denso, certificando-se de que ela estava pronta para o que viria
depois.
— Lua, mi amor — ele sussurrou com
a voz rouca. — Eu a farei minha, toda minha. — O sotaque espanhol quase
imperceptível que ele tinha ficou mais forte com a paixão, enquanto se forçava
firmemente por cima dela e abria suas coxas.
Lua sentiu o corpo tenso.
— Não tenha medo, querida. Farei o possível para
não machucá-la.
— Eu nunca...
— Eu sei, corazon, simplesmente
deixe comigo. — Ele beijou-a longamente enquanto, ao mesmo tempo, invadia seu
corpo.
Lua passou por um choque momentâneo ao sentir que
ele se movimentava dentro dela, apenas um pouco, enquanto se permitia
acostumar-se com a novidade. Então, ele penetrou mais fundo. Lua soltou um
gemido de dor, cravando as unhas nos ombros dele.
— Está tudo bem, mi amor — ele
murmurou suavemente. Seus beijos eram quase reverentes em sua suavidade, seus
olhos negros e brilhantes preenchidos por um vislumbre que ela não reconhecia.
E a dor foi rapidamente substituída por mais uma daquelas ondas crescentes e
prolongadas de prazer. A cada nova onda Lua sentia seu corpo arquear-se
involuntariamente na direção do dele, seus quadris movendo-se em uma cadência
nova e maravilhosa. Então tudo se tornou vago, alucinatório, confuso, quando
ela sentiu-o juntando-se a ela, quando percebeu que ele de alguma forma tinha
as mesmas, sensações que ela. E juntos se afogaram em uma poderosa e forte
sensação de paixão, tão forte que, quando chegaram ao orgasmo, gritaram juntos
para em seguida desabarem exaustos no lençol amarrotado, cansados demais para
fazer qualquer coisa além de ouvirem as batidas trêmulas de seus corações.
Na manhã
seguinte...
— Sr. Aguiar?
Depois de algumas batidas, Arthur acordou e notou
que Juanito, seu empregado, estava do lado de fora, chamando seu nome com
urgência.
Levantando-se depressa da cama amarrotada, Arthur
vestiu a calça do pijama. Ele olhou para Lua, que ainda dormia enrolada sob o
lençol, e sorriu, antes de caminhar até a porta. Abrindo-a com cuidado para
não acordar sua esposa, ele foi até o corredor.
— O que é, Juanito? — ele perguntou. — Que
pasa?
— É Billy, señor. Dona Kátia ligou
para avisar que parece que o pior está para acontecer. Ela e Henrique acham que
o senhor deve voltar para Londres imediatamente.
— Deus! — Arthur estava totalmente acordado agora,
seu cérebro trabalhando a mil por hora. Como ela reagiria, indagou-se, o
coração apertado em saber que teria que acordar Lua para contar as terríveis
notícias.
— Muy bien — ele disse firmemente.
— Veja se o helicóptero pode estar aqui em uma hora. Devemos chegar ao
Aeroporto Internacional de Atenas em pouco tempo.
Depois, ele virou para enfrentar a desanimadora
tarefa de dizer à mulher com a qual fizera amor na noite anterior pela primeira
vez que a lua de mel pela qual ele começava a ter esperanças estava prestes a
acabar. Ele entrou, observou-a ainda aninhada na cama e se moveu em sua
direção. Sentou-se na beirada da cama, perto dela, olhando-a com suavidade
enquanto seus dedos acariciavam as mechas de seus cabelos.
Esticando-se, beijou suavemente os cílios dela e
depois sua boca.
— Lua — ele sussurrou, balançando os ombros dela. —
Acorde, cariño.
Muito, muito lentamente, Lua emergiu de um sonho
delicioso. Primeiramente, ela manteve os olhos fechados, ainda aproveitando os
resquícios de uma ótima noite de sono. Então se esticou, tomou consciência de
seu corpo, de uma ligeira dor quando se movimentou e, aos poucos, foi montando
as peças do acontecimento da noite anterior.
Abrindo os olhos de uma vez, olhou para o rosto de Arthur.
— Bom dia, senora mia — ele disse.
— Dormiu bem? — Havia um brilho nos olhos dele enquanto falava, e Lua sentiu as
faces queimando quando, em um átimo, a noite de amor da véspera veio à sua
mente.
— B-bem — ela murmurou, desviando o olhar enquanto Arthur
se inclinava e passava um braço sob ela, aproximando-a dele.
— Não sinta vergonha do que aconteceu entre nós, mi
linda — ele disse. — Foi como devia ter sido.
Ele não acrescentou que fora atingido
inesperadamente por um intenso sentimento quando penetrara nela e a fizera sua.
Jamais experimentara uma emoção tão forte. E já possuíra outras mulheres em
sua vida — muitas outras mulheres —, mais jovens, mais velhas, todas
propiciando experiências excitantes, que o ensinaram a executar com perfeição
as artes do amor, a se tornar um amante habilidoso e atencioso, além de
satisfazer as próprias necessidades. Mas jamais experimentara antes aquela
pureza, aquela paixão verdadeira que sentira com a esposa virgem.
Mas aquele não era o momento de pensar nessas
coisas, ele lembrou a si mesmo, se desapontando por não poder aproveitar a
atmosfera que ainda pairava pelo quarto para começar tudo de novo. Afinal, o
dever vinha em primeiro lugar.
Sentando-a suavemente, com cuidado para deixá-la
envolvida no lençol, ele pôs as mãos nos ombros dela.
— Lua, sinto muito, mas não tenho boas notícias.
— O que foi? — Ela enrugou a testa, totalmente
acordada agora, com os olhos arregalados.
— É seu avô. Parece que as coisas pioraram.
— Oh não! — Ela se afastou dele e olhou para cima,
horrorizada. — Preciso ir agora — ela sussurrou, de repente, subitamente consciente
de que estava ali, fazendo amor com aquele homem que tinha se imposto a ela e a
quem deixara possuir seu corpo, enquanto seu avô caía doente e precisava dela.
— Preciso ir embora! — ela gritou, lutando para levantar.
Arthur se levantou depressa, deixando espaço para
ela se movimentar.
— Já pedi para o helicóptero vir nos buscar.
— Obrigada — ela respondeu, levantando o lençol e
usando-o como uma toga. — Vou me aprontar.
— Certo, então partiremos assim que ele chegar.
— Partiremos?
— Claro — ele respondeu.
Continua...

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