(Capítulo Dez — Do jeito certo)
“Não precisa mudar
Vou me adaptar ao seu jeito
Seus costumes, seus defeitos
Seus ciúmes, suas caras
Pra que mudá-las?”
Vou me adaptar ao seu jeito
Seus costumes, seus defeitos
Seus ciúmes, suas caras
Pra que mudá-las?”
— Ivete Sangalo
Quando acordou já passava das dez horas, tudo o que vinha na mente de Pedro era à noite, perfeita que tivera com Karina. A loira agora era sua namorada de verdade, nunca pensou que fosse tão bom chamar alguém de namorada. O sorriso bobo fora inevitável, lembrava perfeitamente dos toques da loira em sua pele e de como ela parecia se encaixar a ele. Eles eram altamente proporcionais um ao outro.
De todas as mulheres com que ficara Karina conseguiu superá-las com apenas uma noite. Pedro só não sabia o porquê de sentir mal por compara-la com outras. Levantou da cama, pegou uma roupa qualquer no armário, trocou e saiu do quarto indo até a cozinha.
— Bom dia. — ele saudou Cobra, Wallace e Duca que tomavam café.
— Bom dia. — os três rapazes responderam.
— Cadê as mulheres dessa casa? — O guitarrista pergunta se sentando a mesa.
— Foram provar os vestidos. Bianca acordou a casa toda menos você. — Duca respondeu. — E ai? Bora bater uma pelada, dois contra dois.
— Eu tô dentro. — disse Wallace e Cobra também confirmou.
— E você Pedro? Só sabe tocar guitarra? — Duca desafiou o cunhado.
— Sou mil e uma utilidades, só me deixa acabar de comer.
O café da manhã deles fora feito de piadinhas inteiramente masculinas, ou seja, um falando da namorada do outro, ou zuando Cobra por estar, como podemos dizer, no chove não molha com a Ruiva.
. . .
Karina realmente tinha gostado do vestido, fazia de tudo para que não o rasgasse só porque estava com raiva. Bianca já era irritante por si só, mas comentar da sua vida pessoal com as outras amigas era um ato extremamente baixo.
Tirou o vestido, colocou suas roupas e saiu do provador, as três conversavam com a costureira que pregava alfinetes no vestido de Bianca para os ajustes. As quatro mulheres mal perceberam quando Karina saiu da loja. A loira pegou o taxi que passava e voltou para o sítio, seu vestido tinha ficado bom mesmo, não precisaria dos retoques.
Devia estar com tanto sono na ida que mal percebeu que o caminho até o sítio era longo, por sorte havia levado seu fone, fone que Pedro lhe dera de presente. Pedro, não pode evitar sorrir com pensamento que o levava ao rapaz. Ele havia lhe dado a melhor noite da sua vida. Eles estavam namorando de verdade agora, estavam fazendo do jeito certo, sem mentiras. Não totalmente, no entanto agora eram um casal de verdade.
Finalmente a loira avistou o portão de entrada do sítio, pediu para parar o carro, pagou o motorista e desceu. O portão estava aberto e de longe poderia ouvir as gritarias dos homens da casa. Da entrada vira a briga mais idiota do mundo, a disputa por uma bola de futebol. Dandara, Beth e Dona Dalva riam sentadas vendo o pequeno jogo, enquanto Gael tentava não penalizar as mil e umas faltas que ambos os times cometiam.
Pedro e Wallace com camisa. Duca e Cobra sem camisa. Viu Wallace contornando Cobra, passar pro Pedro que chutou pro gol e acertou. Duca não tinha adiantado muito como goleiro, já que a bola passou direto.
— Esse é pra você, Esquentadinha. — O rapaz veio na direção dela correndo fazendo menção de abraça-la.
— Nem vem, você está todo suado, moleque. — a loira reclamava mais sorria.
— Só um abraço, quando ficou tão mimada?
— Eu não sou mimada e você sabe — deu um soco no ombro dele — só não quero ficar...
Karina não terminou de concluir sua frase, pois sentiu ser pega no colo, é Pedro provavelmente gostava de calar a boca dela a carregando no colo. Quando ele começou a correr, o enlaçou pelo pescoço para não perder equilíbrio.
— Você não vai fazer o que eu estou pensando. Eu juro que eu vou te espancar até você morrer. — a loira gritou fazendo os mais velhos rirem, principalmente Gael, que estava “orgulhoso” da filha ainda manter o temperamento, mesmo com o namorado.
— Se você pensa que eu vou pular naquela linda piscina, então estamos tendo pensamentos gêmeos.
Ele disse continuando a correr e enfim pulou na piscina. Para Karina a reação fora rápida, fechar os olhos e prender a respiração, cair na água forçado é meio complicado, porque você nunca está esperando. Quando emergiram, Karina desferiu vários socos e tapas em Pedro que apenas riu e a puxou contra si.
— Você não tava no quarto quando eu acordei. Achei que estava magoada comigo. — O guitarrista falou perto da boca dela.
— Claro que não, a gente tá tentando de verdade, não tá?
— Tô louco pra te dar um beijo.
— Meu pai tá louca pra te dar uma surra. — ela o abraçou rindo.
— Isso é injusto comigo, o Duca agarra a Bianca toda hora e ele nem fala nada. — ele fica emburrado.
— Eles vão casar, meu pai tá acostumado com o Duca desde sempre. Você simplesmente apareceu depois de anos, morando e namorando com a caçula dele. Se fosse a sua filha, o que faria Pedro?
— Quem disse que a minha filha vai namorar? Vou interna-la num convento.
— Acredito muito nisso.
— Vocês são tão fofos juntos. — simultaneamente viraram para trás para ver Bianca abraçada a Duca sorrindo pra eles. — Quando vocês chegaram eu não acreditei muito que estivessem namorando, mas agora... Vocês são tão perfeitos um pro outro.
— Isso de perfeitos um pro outro é muito meloso, Bianca, pelo amor que você tem ao pai.
— A gente elogia, mas só recebe patada, é incrível. Você é uma chata. — Bianca bateu pé andando e arrastando Duca.
— Realmente você é um trator. Sorte sua que eu gosto.
Pedro aproveitou que Gael não estava presente e enlaçou a pela cintura, aproximando seus corpos. Mas fora Karina que aproximara suas bocas e as colando, o beijo bem menos intenso, mas tão bom quanto os que compartilharam na noite anterior. Pedro a acariciava na cintura, enquanto Karina arranhava devagar sua nuca.
— Não posso ficar fora cinco minutos que já se agarram?
A frase de Gael causou riso geral, nos presentes e deixou Pedro e Karina constrangidos. A vergonha não durou muito tempo, logo todos eles estavam na piscina se implicando, se divertindo, sendo uma grande família. Agiriam como uma família, do jeito certo.
Continua...

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