(Capítulo Nove — Fazer dar certo)
“Mais deixa eu te provar que eu posso ser bem mais,
Deixa eu te mostrar que esconder não da mais.”
Deixa eu te mostrar que esconder não da mais.”
— Arthur Aguiar
Karina estava extremamente corada, ela seguia para o quarto com Pedro em seu encalço cantarolando alguma música. Ela estava morrendo de vergonha por causa do comentário de João. Não que ainda fosse virgem, mas odiava falar das suas intimidades. Ou que comentassem isso com ela, se sentia tímida e despreparada. Entrou no quarto ainda com Pedro atrás de si e não pensou duas vezes antes de pegar uma roupa e sair novamente para ir ao banheiro.
Despiu-se entrando no box e ligou o chuveiro, banho gelado é o melhor tipo de banho para se refletir, por isso mudou a temperatura do chuveiro para quente. Não queria pensar em nada, pelo menos não naquela noite. Tomou banho rapidamente, vestiu-se e voltou para o quarto.
Pedro estava todo esparramado sem camisa na cama deitado de bruços, não pode evitar que um sorriso brotasse no canto dos seus lados. As costas dele não estavam tão vermelhas, e não estaria tão horrível no dia do casamento. Se deixando levar pelos pensamentos foi flagrada por Pedro a olhando.
— Admirando a vista, Esquentadinha?
— Não viaja cara. Suas costas estão horríveis.
— Devem está, tô sentindo como se ainda estivesse debaixo do sol.
Karina pegou encima da mesinha o seu creme hidrante e foi em direção ao amigo sentando ao seu lado. Jogou um pouco do creme nas costas dele e começou a massageá-lo, a loira provavelmente não estava pensando direito. Pedro estava sem reação, nunca esperava que a amiga fizesse isso por ele. Estava o deixando louco.
— Tá fazendo isso por quê? — Perguntou sem se virar.
— Também não sei. — suspirou — Desde que a carta da Bia chegou, eu não sei de nada.
— Cê sabe que não precisava de tudo isso, não sabe? — ele se sentou de frente para ela.
— Então por que pareceu tão certo quando eu pedi pra você topar isso comigo?
— Porque você estava com raiva. — parecia que explica o porquê de 1+1 ser igual a dois para uma criança —Viu que não tem mais necessidade disso?
— Pode ser que sim, eu sou uma idiota.
— Ainda bem que eu não precisei dizer isso. — Karina riu com o comentário de Pedro e o abraçou forte.
— Obrigada. Você está sendo um ótimo melhor amigo.
— Acho que não. — a loira lhe encarou confusa e ele desatou a falar — Melhores amigos não deveriam gostar de beijar melhores amigos. E desde quando você me pediu ajuda eu estou quase beirando a insanidade. Sinto vontade de beijar você toda vez que te olho e não só quando os outros estão perto, eu quase morri de ciúmes quando aqueles caras na praia te olharam porque em algum lugar dentro de mim me diz que você é minha e tenho ódio profundo do Duca por ter te desprezado há alguns anos. Karina você não tem noção do quanto tem me deixado louco. Não estou dizendo que te amo, mas eu queria fazer isso valer de verdade. Quero fazer dar certo entre nós dois, pelo menos o tempo em que estamos aqui.
Karina estava espantada com o desabafo de Pedro. Sentia mais ou menos o mesmo, gostava de estar com ele, de ser beijada por ele. Gostava dos abraços dele. Gostava simplesmente do fato de se sentir ‘gostada’ por ele. O problema é que o que sua mente queria gritar no momento, seu corpo está parado e estático olhando dentro dos olhos castanhos cor de mel do guitarrista.
— Deixa eu te provar que eu posso ser um bom namorado de verdade. — sussurrou com a boca quase colada na dela.
— Deixo.
Dane-se Bianca, dane-se Duca. Dane-se o mundo todo. Karina não pensou duas vezes antes de colar sua boca na Pedro. O rapaz a puxou mais pra perto e aprofundou, aquilo que seria o melhor beijo que eles deram. Quem diria que aqueles dois que brigavam tanto quando adolescentes estariam quase se fundindo um ao outro com apenas um beijo. O beijo estava tão intenso que Karina só percebeu que estavam passando dos limites quando sentiu Pedro sobre si, como não se dera conta que já estava deitada na cama? Quando pensou em parar o guitarrista, ele os separou, colando suas testas enquanto respiravam ofegantes.
— Vamos fazer dar certo? — Pedro perguntou.
— Vamos fazer dar certo.
. . .
Quando chegou da social na noite anterior, Bianca mal desconfiou da onde estava a irmã e o cunhado, mas agora tinha a certeza que estava tudo bem com eles. Era nove da manhã quando Bia entrou no quarto onde a irmã e o cunhado dormiam não pode conter o suspiro. Karina dormia quase que encima de Pedro, enquanto os dois braços dos rapazes a abraçava. Era fofo demais, se Bianca desconfiava de que tinha algo errado, aquilo já fugia de sua mente. Bateu a porta, e não percebeu que Karina estava acordada.
Quando Bianca saiu, Karina pode abrir os olhos, nunca pensara que dormir com outra pessoa fosse tão confortável, o perfume de Pedro era tão gostoso que não evitou se aconchegar ainda mais na curva do pescoço dele.
Levantou-se com cuidado para não acordar Pedro, e pegou uma roupa leve e seguiu para o banheiro.
. . .
— Bom dia, filha. — Gael saudou bagunçando o cabelo da caçula.
— Não perde essa mania, né? Bom dia.
— Karina toma café rápido que tem prova do vestido. — Bianca passou correndo com Barbara em seu encalço. — Cês viram a Sol?
— Tava perto da piscina com Wallace. E para de correr, menina. — Dona Dalva brigou. — A Beth fez bolo de laranja.
— Vou comer logo, antes que essa louca volte e não tenha comido o melhor bolo do mundo.
— Exagerada, magra de ruim, essa menina. Come que nem uma draga. — Gael brincou.
— Tá vendo o que a idade faz? Não sabe fazer piada, tá ficando velho, seu Gael.
Karina riu da expressão indignada do pai e pegou um pedaço do bolo, enquanto Gael colocava um copo de suco na sua frente, que a garota devorou tudo de uma vez. Para logo depois de terminar de comer ser puxada por Bianca.
. . .
— Gostaram dos vestidos? — Bianca perguntou quando Karina e Ruiva saíram do provador com vestidos de modelos diferentes, mas ambos na cor azul e Sol com o vestido verde.
— O meu está bom. — Karina disse simples, ao olhar o vestido longo — Só acho que eu vou ter que usar um salto, se não vai continuar arrastando no chão.
— Bom? Ka, esse vestido tá perfeito, irmã.
— Pedrinho vai ter um infarto quando te ver. — Sol brincou.
— Acho que ele quase teve um essa noite, não é Karina?
— Do que cê tá falando? Tá maluca? — se fez de desentendida.
— Você dormindo praticamente encima do Pedro, a noite foi boa, irmãzinha? — A fala de Bianca fez Sol e Ruiva rirem, enquanto Karina corava.
— Tem como mudar de assunto?
— Ah, não Karina. Não acredito que você tem vergonha de falar sobre isso. — Disse Ruiva.
— Só acho que as três fofoqueiras deveriam tomar conta dos seus namorados, ao invés do meu. — Karina diz de cara fechada.
— Duas porque eu não namoro o Cobra. — Barbara falou na defensiva.
— Em nenhum momento eu falei do Cobra, mas se a carapuça serviu. Você vive dando mole pro cara, ele tá praticamente de quatro por você, mudou por você e você continua de doce? Se eu fosse Cobra iria atrás de quem me quisesse de verdade. Agora dá licença que eu vou tirar esse vestido e ir embora. Cansei de vocês.
Continua...
Continua...

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