quarta-feira, 13 de maio de 2015

De mentirinha


(Capítulo Onze — Ciúmes)

Faço tudo pra chamar sua atenção
De vez em quando eu meto os pés pelas mãos
Engulo a seco um ciúme
Quando outro apaixonado quer tirar de mim sua atenção
”.
— Pimenta do Reino
Duas semanas havia se passado. Karina e Pedro não poderiam estar melhores, o casal parecia se implicar muito mais agora do que antes, além de joguinhos de sedução entre eles que passava despercebido pelo resto do pessoal da casa.
A casa estava completamente alvoraçada, tudo isso pela chegada de Zé, Marcão, Mari e Jeff, os mais próximos de Bianca e Duca da Ribalta e da Academia. Quem não estava gostando nada da chegada do primeiro citado era Pedro, que o observava a namorada ser cumprimentada por Zé.
— Ka, você está uma gata. — Pedro revirou os olhos quando a loira ia sendo abraçada pelo lutador. — Nunca mais voltou, nem pra fazer uma visitinha.
— As coisas lá em São Paulo estão pesadas. Você lembra-se do Pedro? — Karina já havia percebido que Pedro estava desconfortável com a presença de Zé — É o meu namorado.
— Tudo bem cara? — Zé estendeu a mão que Pedro fizera a questão de não apertar e abraçou Karina pela cintura.
— Tudo e você?
— Tô legal. — o lutador respondeu com um sorriso de canto. — Então, vou falar com os outros.
— “Então, vou falar com os outros”. — Pedro imitou falsamente a voz de Zé — Cara chato, ainda olhou pra sua bunda. Olhou pra bunda da minha namorada. Tudo bem que já namorou ela, mas agora é minha.
Pedro deixou a loira sozinha enquanto saia resmungando todos os palavrões possíveis contra Zé. Enquanto uma Karina risonha era deixada para trás revirando os olhos. Gael de longe havia percebido a cena, o mestre torcia para que não nada desse errado.
. . .
Karina já estava cansada das invertidas de Zé durante, o cara era seu amigo há alguns anos atrás, foi seu namorado durante algum tempo. Até fora ele que tirara sua virgindade, mas agora ele namora Pedro, poderia no mínimo não deixar tão na cara.
Pedro ao contrario do que todo mundo pensou não ficou por muito tempo com a cara amarrada, respondia no maior humor as perguntas que Zé fazia tentando deixar Pedro constrangido.
— Vamos dar uma volta, esquentadinha? — Pedro a puxou quando viu Zé se aproximando. — Tem um parque aqui perto, podemos ir lá.
— Claro, vamos. — Karina topou sem discutir para não criar um clima ruim, afinal ficariam todos ali até mais três semanas até o casamento.
Os dois caminhavam em silêncio, Pedro fazia círculos na mão de Karina com o polegar, até elevar a mão dela até sua boca e a beijar.
— Desculpa. — o guitarrista fala — Sério, eu nunca tive que sentir ciúmes de ninguém, e agora aquele cara chega e vocês já namoraram.
— É ‘namoraram’, no passado. Cê acha que se fosse pra te trocar eu tentaria algo de verdade contigo?
— Não posso fazer nada se aquele macaco de luta de circo fica te cercando.
— Macaco de circo? Não fala isso, ele é legal.
— Legal bem longe de você, ai ele vai ser ótimo. — Pedro emburrou a cara.
— Fecha a cara e não ganha beijo. — não era do feitio de Karina começar com os joguinhos, mas a cara dele de ciúmes, melhor ainda ciúmes dela estava a deixando louca. — Vamos lá, moleque, esquece o Zé e vamos aproveitar o nosso dia no parque, aproveita que eu tô de boa e que não tem tanta gente perto.
— Tudo bem, tudo bem. Mais vem cá, tô precisando de uns beijinhos.
Pedro não esperou a resposta, puxou Karina pela cintura enlaçando seus braços ao redor dela. Aproximou seus rostos devagar e quando estavam quase encostando suas bocas, Karina desviou e se soltou dele.
— Beijo só quando a gente chegar, e depois de você pagar o meu algodão doce.
Pedro adorava quando ela estava daquele jeito, livre, solta e um pouco doce. Amava quando ela baixava a guarda e se deixava ser ela mesma, sem a mascara de menina forte. O guitarrista soltou uma gargalhada, agarrou novamente na mão dela e depositou um beijo em sua testa.
— Okay, vamos lá.
. . .
Karina estava enjoada, nunca mais toparia em ir na “Xicara da Morte” com Pedro, aquela porcaria de brinquedo girava tanto que seu estomago estava revirado. Podia ver sentada no banco, Pedro comprando água para ela. E do lado oposto vinha Zé e Marcão, grande merda. Pedro parecia ter visto também, do jeito rápido que chegara perto dela com a agua e a abraçara.
— Nunca mais te peço pra vir num desses comigo. — Pedro diz preocupado. — Tá tudo bem, mesmo?
— Tá tudo ótimo. Nem adianta desconversar, eu quero o meu algodão doce.
— Poxa, achei que ia economizar minha grana. — ele riu — Eu quero o meu beijo e sem desviar.
— Claro, vou fazer esse sacrifício, só porque eu aturo você um pouquinho.
Pedro revirou os olhos, mania que herdou da convivência com ela, antes de apoiar suas mãos no pescoço dela e sorriu aproximando suas bocas e as colando. Karina não demorou muito tempo a dar passagem a língua dele. Suas línguas se exploravam docemente, era terno. Mostrando todo o carinho que sentiam um pelo outro.
— Desculpa, tô incomodando?
— Não Mac... Zé, eu só estava beijando a minha namorada e você interrompeu, mas não, tá tudo tranquilo. — Pedro respondeu irônico, mas mesmo assim sorrindo.
— Cês já estão voltando pra casa? — Zé perguntou interessado.
— Não, estávamos num passeio não planejado de namorados, então se você nos dá licença, precisamos ir. — Karina só dar de ombros, e segura na mão do namorado se levantando.
— Vamos Pedro, você ainda tem que comprar o meu algodão doce.
. . .
Karina e Pedro estavam na parte mais escondida da praça que tinha perto de casa, compartilhavam não só algodão doce, mas também beijos. Muitos beijos. Karina nunca pensou que seria tão bom namorar Pedro, e tudo o que ele estava provando era que não poderia ficar melhor.
— Finalmente sem sinal daquele infeliz. — Pedro resmungou.
— Concordo com você. Eu prefiro mil vezes essa praça vazia do que aquele parque com o idiota do Zé. Custa ficar um tempo com o meu namorado? — Karina demorou muito a perceber o sorriso de Pedro.
— Tá sorrindo porque moleque?
— Você me chamou de namorado. Pela primeira vez de verdade.
— É isso o que você é, se não for me avisa.
— Nem assim, cê deixa de ser esquentadinha.
— Esquentadinha é a puta que pariu. Agora deixa de graça e me beija.
— Te beijo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prometida a um Vampiro - Cap.71