quarta-feira, 13 de maio de 2015

De mentirinha


(Capítulo Doze — Acho que estou me apaixonando por você)

“Tinha medo de um "eu te amo"
Sair da minha boca
Até que um dia ele saiu
Eu gelei, te olhei
Você disse eu também, e sorriu”
— Anitta
Duas semanas. Faltavam apenas duas semanas para acontecer o casamento de Bianca e Duca. Duas semanas para Pedro e Karina voltarem para São Paulo e talvez tudo acabar? Karina estava se sentindo desesperada por isso.
Pedro dormia calmamente no ao seu lado, o guitarrista dormia com um braço por cima da cabeça e a boca um pouquinho aberta. A loira já havia se acostumado com isso, com a pequena rotina que eles criaram nesse mês. O relógio no criado mudo marcava sete e meia.
Karina levantou e caminhou até o armário, já perdera o sono mesmo, pegou um short e uma regata e vestiu. Aproveitou que não teria ninguém acordado e foi pra piscina. Precisava de um tempo assim só dela. Coisa que não estava tendo, afinal era prova de vestido de um lado, ajudar a Bianca, fugir das investidas de Zé, aproveitar o tempo que tiver com Pedro, beijar Pedro, lidar com ciúmes de Gael. É. Realmente precisava de um momento só dela.
Ka se sentou na borda piscina e pôs os pés na água. Como tudo pode mudar tanto em um mês? Como ela deixou a vida passar tão rápido sem perceber e um mês mudou tudo? Era incrível tudo aquilo. Era incrível o jeito que tudo o que sempre julgou clichê sempre fez parte dela e que agora considerava tão fofo. Tão apegante.
— Tudo bem, esquentadinha?
— Tudo. Cê já acordou? Que foi sentiu saudades?
— O que foi o que está acontecendo, Karina? — o semblante de Pedro era pura preocupação.
— Não é nada, eu estou normal, moleque.
— Não mente Karina. Não pra mim. Pedro, seu namorado, melhor amigo.
A loira soltou um longo suspiro e o encarou nos olhos, como nunca tinha reparado que era fácil se perder dentro dos olhos dele? O quanto era difícil mentir olhando pra ele. Karina revirou os olhos.
— Eu estou confusa. E a culpa é toda sua.
— Mas eu não me lembro de ter feito nada. Juro. — ele disse brincalhão beijando os dois dedos cruzados.
— Não é Ave Maria, mas tá cheio de graça, hein!
— Você precisa parar de fugir dos assuntos assim, abre logo o jogo.
— O casamento está chegando, logo a gente volta pra São Paulo e eu estou ficando confusa com tudo isso. E eu me sinto horrível por isso. Por que você foi idiota pra aceitar a minha ideia?
— Porque você é a minha melhor amiga, e também me deixa confuso. Me deixa louco e as vezes acho que eu vou te matar, mas incrivelmente por eu ser um musico simplesmente sensível, meu coração não aguenta te ver com esses olhinhos azuis.
— Para com isso. — Karina havia corado, é receber elogios não é algo que ela saiba fazer.
— Mas é a verdade. E tem outra verdade, eu não consigo te ver mais como a minha amiga. E isso mudou assim que eu aceitei a proposta. Eu sinto vontade de te beijar a todo instante, e não consigo cogitar a ideia de dormir em uma cama que não seja a sua. Eu acho que eu estou me apaixonando por você.
— Não cara, não faz isso. — Karina pediu — Olha ainda não são nem oito da manhã ainda, tenho certeza que isso é sono.
— E eu tenho a certeza que não é. Sério, eu gosto da sensação de gostar de alguém, de passar a noite escrevendo uma música pra você. De ter o pai de alguém me olhando feio. E quero que você sinta a mesma coisa sobre mim.
— Não vou me declarar. Mas eu gosto de você e não quero terminar tudo quando voltarmos pra São Paulo.
— Talvez eu já soubesse disso. E eu também não quero terminar. — Pedro sorriu e a puxando para um beijo.
. . .
Duas horas depois
— Bom dia. Alguém viu a Ka e o Pedro? — Bianca entrou na cozinha — Daqui a pouco temos o último ensaio da dança e eles não estavam aqui. Eu vou matar a Karina.
— Tá vendo? Até quando eu não fiz nada eu levo culpa. — Karina entrou na cozinha de mãos dadas com Pedro que sorria atraindo a atenção de Zé.
— Onde vocês estavam, posso saber? — Gael perguntou cruzando os braços.
— Sem essa de pai ciumento, seu Gael. Somos maiores de idade e vacinados. Além disso, moramos juntos ha anos. E estávamos na praia.
— Então vão tomar banho logo, Lucrécia quer a gente em uma hora pro ultimo ensaio.
— Relaxa Bia, tudo vai certo.
— Então, dona Bete eu acho que preciso de um bolo. — Pedro disse abraçando a mulher.
— Mas veja só, além do Wallace ganhei outro bajulador atrás de comida.
— Cuidado hein, Bete. Esse come mais do que eu. — Karina “avisa”.
— Ok, ainda não sei como vocês estão juntos. Brigam tanto. — Zé falou inocentemente.
— É por isso que ainda estamos juntos, já ouviu falar que opostos se atraem? Ela gosta de bater, eu gosto de apanhar. É acho que dá certo assim. — Pedro respondeu sorrindo e comendo a fatia de bolo que Bete colocara em seu prato.
. . .
Se não sabiam dançar antes, Karina e Pedro sabiam muito bem agora. A sincronia entre o casal era incrível, a música fluía não só para se ouvida, mas agora os pés os acompanhavam também.
— Realmente eu não esperava muito dos seis e vocês me surpreenderam. Principalmente você, projeto de Nando. Vejo que precisou de alguém pra te colocar na linha. — Lucrécia sorriu para Karina — Como você nunca se inscreveu para fazer parte da Ribalta? Você leva talento pra dança.
— Eu passo. Sempre preferi lutar. Arte fica com a princesinha aí. — Bianca revirou os olhos com o comentário da irmã.
— Também te amo, Karina.
— Enfim, vocês estão prontos para não passarem vergonha na festa de casamento e tudo irá dar certo.
— Obrigada Lucrécia, você fez muito por nós. — agradeceu Bianca e Duca concordou.
— De nada querida, sempre gostei de você, isso seria o mínimo que eu poderia fazer.
Karina e Pedro aproveitaram o momento de distração e saíram, já havia acabado realmente. Era incrível o fato de que gostavam tanto assim do beijo um do outro, quase não se desgrudavam. E isso não agradava nada Zé, que observava o casal de longe.

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