sábado, 28 de março de 2015

De mentirinha



(Seis — Nossa história)


Karina se sentia muito enjoada, o balanço do avião vinha fazer efeito com o balanço do carro, Gael estava ficando preocupado com a filha e Pedro também. A loira estava ficando fraca e mais pálida do que já era.

— Gael não tem como pegar um atalho? A Esquentadinha aqui está um pouco mal. — Pedro disse olhando o ‘sogro’ pelo retrovisor.

— Não acredito que você ainda a chama de Esquentadinha. — Bianca riu.

— É, ele é um idiota. — Ka disse deitando a cabeça no peito de Pedro. — Minha cabeça dói demais.

— Ela ainda está tremendo, Pedro? — Gael perguntou.

— Está sim.

— Igualzinha a Ana. Parece que eu estou tendo um Déjà vu vendo vocês assim. — o mais velho sorriu fraco. — Mais a dor de cabeça é psicológica.

— Conta mais, pai.

Não fora Bianca que perguntara sobre a mãe, mas sim Karina. Queria saber mais sobre o que a mãe tinha de parecido com ela. Afinal na aparência Karina não havia puxado nem a mãe e nem o pai, mas sim a avó materna.

— Ana e eu estávamos voltando da viajem da lua de mel, sua mãe estava bem pior do que você está, Karina. Tremia, chorava e me batia, dizendo que era tudo culpa minha já que eu que quis casar com ela.

— A Ka não me bateu, ficou calma por isso que estou achando que ela está mal mesmo. — Pedro fez Gael e Bianca rirem no banco da frente.

— Superengraçado você, quer um prêmio? — Karina o olhou.

— Quero, obrigado por oferecer. — Pedro abaixou um pouco a cabeça e depositou um selinho na boca da loira e mordiscou o lábio inferior dela e aprofundou o beijo.

Karina parecia ter esquecido que tremia, que sua irmã e seu pai estavam no carro, o beijo de Pedro fazia muito efeito nela, já sabia. Sentia a mão de Pedro fazer um carinho gostoso em sua nuca e suspirou contra a boca dele, continuando a beijá-lo.

Bianca sorriu enquanto Gael fechou a cara e pigarreou alto, separando o casal.

— Não esqueça o esporte que eu pratico, Pedro. Só a beije bem longe de mim se quiser viver.

— Pai para com ciúmes, vocês são tão fofos juntos. Eu sabia que aquele ódio todo de anos atrás era amor reprimido. — Bianca comentou risonha.

— Ela sempre me amou, só não queria admitir. — Pedro dizia sorrindo.

— Você sabe que a história não é bem assim, Pedro Ramos.

A viagem de carro fora rápido, afinal passaria os dois primeiros dias na casa de Gael e Dandara, já que ambos venderam os apartamentos que tinham e compraram uma casa maior com quarto para cada filho. Karina não estava presente quando eles casaram, estava em época de prova e não pudera ir à festa de casamento simples que o pai e a madrasta fizeram.

Para depois disto todos partiriam para o sítio alugado em São Pedro da Aldeia. Karina já havia voltado ao normal. É parece que o beijo fora milagroso.

Na esquina da rua podiam avistar Dandara abraçada a João, o garoto estava bem melhor do que a versão ‘gamer’ viciado. Bem mais bonito e forte. Pedro não pensou duas vezes antes de correr ao encontro do melhor amigo e da ‘tia’.

— Resolveu voltar foi, lembrou que tem amigos? —João falou brincalhão.

— Poxa cara, nosso lance não estava dando certo, sabe? Não era você, era eu, fiquei gamado na loira aqui. — Puxou Karina pelo braço e abraçou pela cintura.

— Não acredito que é a Esquentadinha? Dá ultima vez que falei que era amor levei um chute.

— A vida dá muitas voltas. Não é maninho? — a loira ironizou.

— Claro maninha, sabia que nossos quartos têm um quarto com uma porta ligado ao outro? Sem safadeza de noite, ok? — maliciou João.

— Vá à merda, Johnny. — Pedro disse quando percebeu Karina corando.

— Tem como a gente entrar? Eu estou morrendo de fome.

— Quando você não está, Esquentadinha? — Pedro disse levando um soco leve no ombro.

. . .

— Como no sítio vocês ficaram juntos, aqui vocês também ficaram juntos. — e antes de Gael abrir a boca pra dizer algo, Bianca cortou — Por favor, pai. Eles já moram juntos.

Gael revirou os olhos e levantou para abrir a porta quando a campainha tocou.

— Boa noite, Gael. É aqui que tem um moleque que se esquecer de avisar que está namorando e que está a metros de distancia da família e não vai visitar? — Delma disse olhando para o sofá onde Pedro sorria para ela.

— Sem drama, dona Delma. — Pedro se levantou e abraçou a mãe, visualizando o pai e a irmã que está bem maior, a Tomtom estava linda demais. — Será que eles podem ficar para o jantar de hoje à noite?

— Claro que não, Pedro. — Marcelo falou — Vamos todos jantar lá no Perfeitão, só nos mesmos. Assim você nós explica como surgiu esse namoro. — o homem olhou para o filho.

— O mesmo vale para você, Karina. — Gael olhou para sua caçula — Não basta uma filha prestes a casar, a outra me aparece namorando. Deus porque não me deu um filho homem? — Praguejou fazendo os presentes rirem.

Pedro e Karina se entreolharam, sabiam da merda que estavam se metendo. Não puderam evitar sorrir um para o outro.

. . .

A macarronada de Lincoln estava deliciosa, mas não ao ponto de tirar a atenção do casal recém-formado. Pedro e Karina sentados lado a lado eram os centros da conversa, todos sem exceção nenhuma, os olhavam. Era bonito de ver o casal se implicar, se bater e depois Pedro sempre beijar o alto da cabeça de Karina.

Bianca achava fofo, porem estranho por perceber que o casal não se beijaram o dia todo além do beijo no carro. Apesar de demonstrar muito afeto.

— Então, como vocês se encontram em São Paulo? — Quem havia perguntado fora Tomtom, a garota já tinha deixado claro para todos que havia adorado Karina como cunhada, já que admirava a loira desde antes.

— Eu est... — Ka foi interrompida.

— Por que é sempre você que começa a contar? — Pedro perguntou.

— Porque talvez a história comece por mim. Agora não atrapalha. — ela revidou. — Como eu estava dizendo, eu estava há uns dois meses em São Paulo e o aluguel estava subindo, eu estava precisando de alguém para compartilhar as despesas.

— Digo, ela estava desesperada. De verdade.

— Tem como parar de me interromper, Pedro? Obrigada. Eu coloquei alguns cartazes com o anuncio no mural da faculdade, esperando alguém ligar e esse idiota ligou.

— E ela não reconheceu a minha voz. Tem como esquecer essa voz perfeita? Enfim, como eu estava ficando nunca pensão e ficava caro para ir pra faculdade de ônibus e ficar pagando uma diária caríssima, eu vi o anuncio da Karina e liguei. Depois escondi todos os outros cartazes.

— Então era por isso que mais ninguém ligou? — Karina estava realmente surpresa sobre aqui.

— Talvez sim, talvez não. Enfim quando marcamos o encontro para nos “conhecer” ela só faltou me matar.

— Essa é a minha filha. — Gael deixou escapar.

— Demorou quase uma semana para que ela me deixasse morar com ela.

— Claro, eu não iria abrir as portas para qualquer um.

— Vocês começaram a namorar no mesmo ano? — Bianca perguntou.

— Não, nós discutíamos todos os dias, esse idiota deixava tudo desorganizado. Toalha molhada em cima do sofá, pilha de louça que ele fazia sozinho e que ficava lá até ele lavar. Além de todo santo dia ele está com aquela guitarra.

— Como vocês começaram a namorar, Pedrinho? — Todas as mulheres da mesa estavam ansiosas para saber aquilo, enquanto os homens pareciam extremamente distraídos com conversas alheias.

— Nós tínhamos brigado, porque ele fez uma cena por causa do Lucas. — começou Karina a contar a farsa que tinham ensaiado — ele mora no andar de cima do nosso prédio. Pedro estava totalmente sério naquele dia, não fez gracinha nenhuma comigo, nenhuma piadinha com o porteiro do prédio, nada ficou mudo o dia todo. E aquilo me irritou.

— Estão vendo como ela é estranha? Se a gente implica, reclama, se não implica reclama também. — Pedro fingiu estar bravo e revirou os olhos. — E eu tinha motivos pra estar chateado.

— Claro porque ciúmes é um ótimo motivo pra raiva.

— Aquele cara ia todo dia pedir açúcar de manhã, clichê, ridículo e tinha necessidade de aparecer só de bermuda? Ele estava tentando seduzir ela.

— Coisa que a bonitinha da Tatiana não fazia né? — revidou a loira — Me desculpem as vacas, mas aquela era um vaca mesmo, quase jogava os peitos na sua cara nos ensaios.

— Claro que não. Enfim, deixando o ciúme de lado ela passou a me ignorar e eu o mesmo, até o dia em que ela passou muito mal.

— Eu tive uma crise de asma terrível, e eu nunca tinha tido, estava sufocando e tossindo muito e ele entrou no meu quarto e me ajudou.

— Eu tinha uma bombinha da Tomtom e ajudei ela. — o guitarrista abraçou Karina pelos ombros e sorriu.

— Depois dessa noite foi rolando a química e bum, acabamos juntos. — terminou a loira.

Era uma meia verdade, Karina realmente tivera aquela crise terrível de asma. A loira achou que morreria sufocada quando Pedro entrou voando em seu quarto com aquela bombinha, ele a ajudou em tudo. Até mesmo quando ela pediu para que ele passasse a noite com ela, fora a primeira vez que dividiram a cama. Claro, sem fazer nada a mais do que dormir. Além de ter sido o primeiro beijo que deram depois de tanto se esnobarem enquanto ainda estavam no Rio. As lembranças daquele beijo voltou na memoria dos dois quando se lembraram daquele dia.

. . .

Depois do jantar a família de Pedro fora para casa, Bianca para casa de Duca e o resto para casa de Gael e Dandara. Karina andava automaticamente alheia ao que estava acontecendo enquanto segurava a mão de Pedro que conversava animadamente com João. E haja assunto para aqueles dois.

Assim que chegaram à casa fora cada um para o seu quarto, tinha caído a ficha que ficariam no mesmo quarto.

— Se quiser posso dormir no chão. — Pedro foi se adiantando.

— Nada disso, já dormirmos juntos, não tem nada demais. Somos amigos.

— Então o mínimo que posso fazer e virar de costas para que troque de roupa.

— Isso mesmo, mas não olha.

— Não prometo nada.

Pedro virou-se em direção a porta enquanto podia seguir os movimentos da loira pela sombra, tentava a todo custo resistir a ideia de virar e olhar o corpo bem definido da amiga. Logico que já percebera que Karina tinha um corpo de dar inveja, quem era o louco de não perceber. Mas por respeito não virou nem uma vez.

— Já pode olhar.

Na opinião de Pedro, ela não poderia ficar mais bonita do que vestindo blusão largo e shortinho, além do cabelo preso em um rabo de cavalo alto.

— Espero que não se importe, mas eu só consigo dormir de cueca.

— Sem problemas. — Ela disse indo para cama — Dorme de qual lado?

— Direito.

— Ótimo, eu prefiro o lado esquerdo. — Deitou-se e se cobriu.

O rapaz não demorou muito a fazer o mesmo, tentava ficar o mais longe possível do corpo dela para que não a abraçasse como fizera na ultima e única vez que dormiram juntos. Karina parecia ser tão pequena e frágil deitada.

— Nós fizemos bem. — a loira começou.

— É, temos sintonia. Combinamos juntos.

— Saiu tudo tão fácil, espero que seja assim nos outros dias também.

— Também espero. Boa noite, Karina.

— Boa noite, Pedro.


Continua...

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Prometida a um Vampiro - Cap.71