sábado, 21 de março de 2015

De Mentirinha




(Quatro — Regras)
— Então? Como vai ser? Digo, a nossa história. — Pedro pergunta para a loira virando-se para ela, enquanto lavava a louça do almoço.
— De verdade? Não faço a mínima ideia. — Revirou os olhos — Nunca fui criativa para criar alguma coisa, Bianca sempre teve esse talento. — lamentou-se
— Primeiro passo: Nunca se rebaixar diante da Bianca, ela pode achar que você ainda gosta do Duca e não acreditar no nosso namoro. — listou Pedro.
— Confere. Tenho certeza que ela vai perguntar como a gente ficou junto, cara. E ela vai perguntar com detalhes e tudo.
— Podemos dizer que você veio atrás de mim depois de uma crise de ciúmes.
— Porque eu tenho que sentir ciúmes e não você? — indagou.
— Só era uma dica, pode ser eu mesmo.
Eles ficaram quase meia hora discutindo toda a história de como começara o namoro falso, ora Karina dizia que ele estava sendo muito machista, ora Pedro reclamava das reclamações dela. Karina ficava com raiva de cada piadinha que Pedro fazia e ele ao contrário ria e implicava bem mais.
— Respira, inspira e relaxa, Esquentadinha.
—Esquentadinha vai ficar a sua cara quando minha mão se encontrar com ela. — sorriu ameaçadora — E falando em mão, vamos às regras.
— Regras? Estou começando a cogitar que se eu entrasse para o exército seria mais fácil do que ser seu namorado. — reclamou ele.
— Sem reclamar. Eu falo uma e você fala outra. Primeira regra: sem apelidos toscos como: mô, bebê, môzin e derivados, eu vou me sentir uma adolescente sem cérebro da Disney. — Declarou ela.
— Segunda regra: Não me deixe sozinho com o seu pai, de verdade se você é forte e não pratica faz tempo imagina ele que tem uma academia há anos?
— Deixa de ser covarde, Pedro. — ela riu da expressão amedrontada dele — Terceira regra: enquanto estivermos juntos, eu não fico com outros caras e você com outras mulheres, não quero ser chifruda e isso vale já de hoje.
— Sendo assim, quarta regra: eu poderei te beijar a hora que eu quiser, logicamente eu não irei ficar na seca por um mês e meio, já que não posso ficar com outra. — ele sorriu malicioso.
— Você é uma babaca, e eu sou vou te beijar quando tiver alguém perto, nada de se aproveitar de mim.
— Poxa, só porque era a melhor parte, e eu me lembro bem, quando a gente era mais novo você só me batia quando depois que terminava o beijo. — o sorriso era ainda maior.
Revirar os olhos, respirar fundo, ignorar e não matar Pedro. Isso havia virado um mantra para que não esquecesse que eles eram amigos e voasse no pescoço dele a cada merda que ele, o que era muito, muito mesmo. Talvez ele não tivesse um filtro de palavras, o único motivo para falar tanta besteira do tipo.
— Sem comentários. Quinta regra: Áreas do meu corpo são restritamente proibidas do seu toque, nada de tirar casquinha.
— Assim acaba com o restinho da graça que tinha esse namoro.
— Áreas do tipo: seios, bunda, coxa e outros. Ah, pescoço também não. — ela citou
— Assim não dá Karina, que tipo de casal não se provoca com beijo no pescoço? Todo mundo gosta de beijo no pescoço.
— Ok, pescoço pode.
— Então está acabada nossa reunião, meu corpo é seu, use e abuse. — piscou pra ela antes de se jogar esparramado no chão.
E do jeito que estavam ficaram Karina no sofá e Pedro no chão, ligaram a TV e por ironia do destino, passava o filme Esposa de Mentirinha, é o universo não conspirava ao favor daqueles dois. E por incrível que pareça ambos gostavam daquele filme, afinal não era nada difícil gostar de Adam Sandler e Jennifer Aniston.
— Varias coisas dão errado nesse filme, já no começo ele se ferrar por causa da aliança da esposa falsa. E depois ainda mete a melhor amiga na furada. — ele se apoia nos braços para olhar pra ela — É quase o nosso caso, só que o inverso.
— Você viu que ela foi uma ótima melhor amiga e aceitou o trato?
— Aceitar é uma coisa, concorda que não é uma droga de um plano é outra bem diferente.
— Se você não fosse ciumento, seria o Lucas com quem eu estivesse ditando as regras. — ela frisou bem as palavras ‘ciumento’ e ‘Lucas’
— Não sou ciumento, só acho que vizinho é meio burro pra não perceber que você estava sóbria. — desdenhou — Sério K, ele conversou com você muito tempo pra não perceber que eu estava mentindo.
— Ele compensa sendo bonitinho. ­— Karina deixou escapar.
Não era sempre que ela fazia comentários do tipo, e quando fazia se sentia muito envergonhada. Ainda por que sempre falava isso na frente de Pedro e geralmente ele sempre ficava emburrado. Porém era difícil negar o quanto o vizinho do andar de cima a atraia.
— Eu não sei o que você e as outras vizinhas veem nesse cara, ele só um rostinho bonito. — ele continuava emburrado.
— Você morre de ciúmes de mim. Confessa.
Limites era algo que ambos desconheciam, Karina havia rolado do sofá para cima de Pedro e apoiado cada braço de um lado cabeça dele, o sonho não saia da mente dela e a boca de Pedro parecia tão convidativa naquele momento.
— Não provoca, loira. — Pedro firmou as mãos na cintura dela. — Não provoca se não for fazer.
— E quem disse que eu não vou fazer?
Puta merda, ela havia mandado todo o resto de sanidade que tinha para o espaço, não poderia ficar com sua mente a acusando sempre com aquele sonho e não aguentaria ficar muito tempo esperando para beijá-lo. E se tinha algo que ele fizesse de bom era beijar, ela mal havia percebido que ele a virara ficando por cima e que as mãos dele faziam um carinho gostoso em sua cintura. Não era algo tão intenso quanto o do seu sonho, mas era tão bom quanto, bom não, era ótimo. Ficaria naquele se beijo até quando pudesse, porém tomar um pouco de folego era necessário.
— Acho que esse namoro falso não vai ser tão ruim assim. — O sorriso malicioso de Pedro era enorme. — Como já disse pode usar e abusar.
— Idiota, tem como sair de cima? — Karina evitava o olhar nos olhos, era claro, morria de vergonha. Como pudera se deixar levar desse jeito.
— Claro, mas se precisar eu estou à disposição. — Safado do jeito que era depositou um selinho na boca dela, mordeu seu lábio inferior e levantou tomando o caminho de seu quarto, não sem antes dizer — Só não esquece que você falou que só ia beijar se tivesse alguém por perto e de verdade, eu não vejo mais ninguém além de nós dois aqui.
Continua....

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Prometida a um Vampiro - Cap.71