quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

De mentirinha



(Um – O Convite)
Karina não conseguia acreditar no que estava lendo, nunca pensou que a irmã fosse tão cara de pau a ponto de lhe mandar uma carta avisando do casamento com Duca e ainda por cima a convidando e convidando o “namorado” dela para padrinhos. Namorado este que não existia, afinal fora apenas mais uma mentira contada para que não ficasse por baixo.
Já se fazia quatro anos que abandonou o Rio de Janeiro para viver em São Paulo, tudo porque não queria ficar perto da irmã. Bianca sabia dos sentimentos que a loira nutria por Duca e mesmo assim não respeitando o que ela sentia, ficou com ele e agora lhe mandava a carta e o convite do casamento. Não que ela ainda sentisse alguma coisa por Duca, longe disso, sabia que o que havia sentido por ele fora coisa de adolescente, no entanto sua irmã que nunca lhe mandara uma carta só pra perguntar como ela estava e agora pedia para ser a madrinha do casamento?
Não que estivesse mal em São Paulo, quando se mudou fora porque receberá a oferta de lutar numa das melhores academias do país, mesmo gostando muito de lutar, o emprego não vingou. A loira acabou se firmando na USP em Arquitetura e era uma das melhores arquitetas jovens de São Paulo.
Uma grande coincidência que aconteceu na vida da jovem, foi que quando encontrou alguém para compartilhar o apartamento, acabou sendo justamente Pedro. Sim, o Pedro guitarrista que a chamava de esquentadinha, quase aconteceu uma terceira guerra mundial quando os dois se cruzaram, mas acharam melhor compartilhar o apartamento, já que se conheciam e iam para mesma faculdade todo dia, Pedro cursava música.
Era certo que no primeiro ano juntos eles brigavam demais, a ponto de o sindico do prédio chamar a policia porque os dois estavam aos berros brigando. Quase se mataram por motivos bobos e encontros constrangedores aconteciam até hoje, do tipo Pedro entrar no quarto de Karina enquanto ela está de calcinha e sutiã, ou ele sempre deixar a toalha cair e ficar nu diante dela quando se esbarram de manhã no banheiro. Enfim, com todas essas confusões estão juntos há quatro anos.
— Esquentadinha, está aí? Trouxe comida. — Pedro entrou e a viu — Porque está chorando?
A garota mal percebeu as lágrimas que rolavam pelo rosto, desde quando seu coração não doía daquele jeito cruel? Como se estivessem o despedaçando com facas afiadas?
— Karina, o que aconteceu? — o garoto perguntou e ela apenas negou com a cabeça, fazendo o deixar a comida em cima da mesinha e a abraçar. — Sabe que eu não suporto te ver assim, não sabe?
Pedro havia se tornado para ela, a âncora que ninguém nunca foi e isso a surpreendia. Ele tinha sido o amigo que não abandonou quando ela mais precisava e sabia que nunca abandonaria.
— Bianca vai casar com o Duca. — sussurrou e sentiu Pedro a aperta ainda mais no abraço, ele sabia. Pedro sempre sabia.
— Vai dar tudo certo, K. — ele disse se afastando um pouco e a olhando nos olhos — Você vai lá e mostra como está bem, como você mudou. — Falou enquanto desfazia o coque que ela havia feito e os cabelos loiros — agora estavam compridos — caíram como cascata por seus ombros.
— São dois convites. Pra mim e pro meu namorado. Falei pra Bianca que eu estava namorando.
— Mas você não namora.
— Eu sei, sou uma idiota.
Karina se sentia uma fraca, estava chorando feito uma mulherzinha, coisa que nunca fora. Sempre evitou se parecer uma princesa como a irmã, sempre se escondeu debaixo de roupas largas, lutava ao invés de atuar ou dançar. Sempre fora a vilão, nunca a mocinha e gostava disso, gostava muito.
Maldita ideia de falar que tinha um namorado, coisa que nunca passou pela sua cabeça durante todo esse tempo em São Paulo, durante a faculdade e agora que trabalhava, o único contato intimo masculino eram os abraços e beijos na testa que Pedro sempre lhe dava, mesmo quando estavam brigados.
— Vamos comer, esquentadinha? Antes que a nossa maravilhosa pizza metade calabresa e metade portuguesa esfrie?
— Depois conversamos sobre isso? — Com a afirmação do amigo, o abraçou mais uma vez antes de levantar e ir pegar pratos e copos na cozinha.
Era raro para ela o abraça-lo, ela era sempre abraçada por ele, nunca tomava a iniciativa, não sabia ser doce e amigável, isso era um instinto que ela como uma mulher não tinha. Entretanto, Pedro sempre parecia gostar quando ela o abraçava, sempre ficava com aquele risinho de canto de boca que a deixava irritada.
Voltou a sala e viu Pedro quase pegando um pedaço da pizza.
— Se você mexer um dedo antes que eu me sente eu vou mostrar a você qual a minha especialidade antes de ser arquiteta.


— Com essa cara de boazinha? — Sorriu irônico, tinha conseguido o queria.
Karina largou os pratos e os copos em cima da mesa e voou no pescoço do amigo, dando-lhe uma gravata, não a ponto de sufoca-lo. Karina ria debochada quando Pedro mordeu seu braço, a fazendo o soltar rapidamente. Ele sendo mais alto conseguiu girar seus corpos e fez Karina cair deitada no sofá e ele por cima.
— Quem é fraco aqui mesmo? Pensou que eu seria o mesmo magricela de 17 anos?
Era verdade, Pedro havia abandonado completamente o corpo magrelo de um ano atrás, tinha músculos definidos assim como a barriga, mas nada exagerado. Além de o cabelo que antes caia nos olhos, estavam mais curtos.
— Mas eu, ainda fiz lutei. — a loira diz antes de girar novamente os corpos e ficar por cima dele.
— A vista daqui de baixo é muito boa, esquentadinha. — Pedro afirma olhando para os seios dela. — Boa demais.
Viu o sorriso malicioso dele. Fora isso que a fizera despertar, a pesar do tempo todo que moravam juntos nunca estiveram tão íntimos como agora, Karina estava com cada perna uma de um lado do corpo dele, enquanto as mãos dele estavam firmes em sua cintura. Percebeu que estava bem inclinada para ele, seus seios estavam perto do rosto dele e isso a fez corar, Karina nunca corava.
Saiu de cima dele rapidamente e se sentou no chão como se nada tivesse acontecido. Pegou um pedaço da pizza e comeu calmamente, tentando evitar o olhar de Pedro sobre si.
— K, desculpa, passei dos limites dessa vez. — Ele disse colocando a mão no ombro dela. — Desculpa mesmo.
Karina não acreditava na ideia que veio em sua mente ao olhar para os olhos castanhos dele, aquilo era loucura. Ela provavelmente estava ficando louca por causa do casamento de Bianca.
— Desculpo. Mas com uma condição.

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Prometida a um Vampiro - Cap.71