— Ótimo, está tudo perfeito então —
retrucou Arthur com ironia, mas ao ver se aproximar o mordomo carregando uma
grande bandeja de prata, calou-se.
Lua correu para sua suíte e tomou um
banho rápido, com o pensamento no filho incrivelmente lindo dos amigos de seu
avô. Ela ficou muito surpresa, mas esperava que isso não tivesse ficado evidente.
Ele era mais velho, claro, e tinha um
ar arrogante e intimidador, com seus espessos cabelos negros, o nariz
proeminente, as maçãs do rosto saltadas e os olhos castanhos manchados de cor
de mel. Parecia um ator, ela pensava, antes de entrar no quarto e escolher um
vestido Gucci curto e rosa.
Alguns minutos depois, juntou-se aos
demais. Ela sentou-se na única cadeira disponível, ao lado de Arthur,
determinada a não deixar que a presença intensamente masculina dele a
distraísse, enquanto servia-se de chá. Os momentos seguintes foram ocupados
com os sanduíches, e somente quando se recostou notou que Arthur estava olhando
para ela fixamente.
Ela se ajeitou desconfortavelmente e
reprimiu um desejo de descer o comprimento da saia. Um delicioso arrepio
percorreu seu corpo. Havia ouvido falar de homens que olham para mulheres e
fazem com que se sintam nuas. Agora sabia o que isso significava. Por um momento
queria estar sonhando. Talvez tivesse deixado cair algo no vestido, por isso
ele estava olhando-a de forma tão natural e atrevida.
Ela olhou para baixo, mas nada havia no
vestido. Sentiu raiva de si mesma por permitir que um homem a deixasse ao mesmo
tempo tão embaraçada e tão... algo que não conseguia definir. Aproximando-se
da mãe dele, Lua praticamente virou de costas para Arthur e conversou com ela
animadamente por algum tempo, fingindo não sentir o olhar dele fixado nela.
— A senhora deveria vir aqui mais vezes
para conhecer melhor o jardim — disse a Katia. — Tenho alguns novos canteiros
de flores perto do lago, e o pequeno bosque ali na frente é perfeito para caminhadas.
— Obrigada, querida — respondeu Katia
com um sorriso gracioso. — Mas temo que na minha idade caminhar tenha se
tornado para mim um tanto cansativo demais, especialmente no calor. Mas com
certeza Arthur ficaria encantado com o jardim.
— Ah não, não acho que você vá gostar —
disse Lua, virando na direção dele, constrangida, mordendo o lábio e esperando
que não tivesse soado muito grosseira. Certamente não recusaria acompanhá-lo,
mas a última coisa que ela desejava naquele momento era caminhar ao lado da
imponente, quase autoritária, presença de Arthur.
— Sim, Lua, é uma ótima idéia —
insistiu o avô. — Você leva Arthur para passear enquanto nós, os velhos,
conversamos. — Billy sorriu com aprovação.
Sem desejar contrariar o avô, Lua
lançou um olhar para Arthur.
— Se você quiser, podemos ir — disse,
num tom sem entusiasmo, esperando que ele recusasse.
— Certo, vamos.
Relutantemente ela se levantou e
começou a caminhar na direção do lago com Arthur ao seu lado. Ela notou que ele
era alto, pelo menos um metro e oitenta e cinco, ou mais, e seus ombros eram
largos. Havia algo de poderoso e envolvente em sua presença, uma autoridade que
de alguma forma a fazia lembrar de seu avô. Durante a caminhada, ele tirou o
paletó e o jogou sobre os ombros, enquanto Lua imaginava o que conversaria com
ele.
Logo chegaram à beira do lago e Arthur
ainda não fizera nenhum esforço para começar uma conversa, embora durante todo
o tempo Lua pudesse sentir seus olhos sobre ela, uma sensação muito desconfortável,
especialmente dada a proximidade em que se encontravam. Ela podia sentir a
fragrância da loção dele, bem como algo mais, indecifrável, que jamais sentira
por nenhum outro homem antes.
— Aqui temos delfínios e peônias — ela
balbuciou, apontando as plantas. — E logo ali temos várias dálias. Mas
certamente você não está muito interessado nas flores — ela acrescentou,
apertando as mãos e imaginando por que se sentia tão confusa e nervosa quando
normalmente era tão extrovertida com visitantes.
— Tem razão — ele respondeu, imprimindo
um charmoso e repentino sorriso no rosto, enquanto olhava para ela. — Não
entendo muito de flores. Mas meus pais e seu avô pareciam muito determinados quando sugeriram que caminhássemos juntos, você não acha? — ele perguntou,
testando o terreno.
— Sim. — Ela franziu a testa, olhando
para ele, desorientada. — Estavam bem determinados, não? Você tem alguma idéia
do motivo?
Arthur preferia ter ficado de boca
calada. Agora, sentia-se como um cafajeste, como se estivesse iludindo aquela
jovem, sem poder contar-lhe a verdade. Como poderia esclarecê-la, se ela não
tinha a menor idéia de que seu amado avô estava morrendo?
— Acho que eles pensam que, por sermos
jovens, podemos ter mais coisas para conversar sozinhos — ele disse, encolhendo
os ombros de forma descomprometida. Era-lhe difícil resistir ao olhar de
dúvida dela, àquela adorável e franca inocência de seus olhos, ao seu sorriso
charmoso e ao traço de sensualidade que ele podia apostar que ela ainda não
descobrira em si mesma. O pensamento o levou a mais um risco de reação física
constrangedora, e ele se virou na direção do lago.
— Por que não os deixamos felizes e
você não me mostra este famoso bosque? — ele perguntou, com interesse forçado.
— Certo — ela concordou, contente pela
atmosfera ter ficado mais leve. Talvez ele fosse apenas do tipo que precisava
ser mais bem conhecido.
— Fale-me de você — ele disse, pegando
o braço dela quando chegaram em uma pequena ponte que cruzava o lago até o
caminho que levava ao bosque.
Uma nova sensação curiosa atingiu Lua
quando ele tocou sua pele, e foi difícil conter o tremor.
— Não há muito o que falar — ela disse, permitindo que ele a guiasse,
apesar de conhecer muito bem a ponte. — Terminei a escola ano passado. Eu
queria cursar a universidade, na realidade passei para umas duas — ela
acrescentou. Por alguma razão, não queria que ele pensasse que fosse burra.
Continua...

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