quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Casamento por Conveniência

Cap.5



— Ótimo, está tudo perfeito então — retrucou Arthur com ironia, mas ao ver se aproximar o mordomo carregando uma grande bandeja de prata, calou-se.

Lua correu para sua suíte e tomou um banho rápido, com o pen­samento no filho incrivelmente lindo dos amigos de seu avô. Ela ficou muito surpresa, mas esperava que isso não tivesse ficado evi­dente.

Ele era mais velho, claro, e tinha um ar arrogante e intimidador, com seus espessos cabelos negros, o nariz proeminente, as maçãs do rosto saltadas e os olhos castanhos manchados de cor de mel. Parecia um ator, ela pensava, antes de entrar no quarto e escolher um vestido Gucci curto e rosa.

Alguns minutos depois, juntou-se aos demais. Ela sentou-se na única cadeira disponível, ao lado de Arthur, determinada a não dei­xar que a presença intensamente masculina dele a distraísse, enquan­to servia-se de chá. Os momentos seguintes foram ocupados com os sanduíches, e somente quando se recostou notou que Arthur estava olhando para ela fixamente.

Ela se ajeitou desconfortavelmente e reprimiu um desejo de descer o comprimento da saia. Um delicioso arrepio percorreu seu corpo. Havia ouvido falar de homens que olham para mulheres e fazem com que se sintam nuas. Agora sabia o que isso significava. Por um mo­mento queria estar sonhando. Talvez tivesse deixado cair algo no vestido, por isso ele estava olhando-a de forma tão natural e atrevida.

Ela olhou para baixo, mas nada havia no vestido. Sentiu raiva de si mesma por permitir que um homem a deixasse ao mesmo tempo tão embaraçada e tão... algo que não conseguia definir. Aproximan­do-se da mãe dele, Lua praticamente virou de costas para Arthur e conversou com ela animadamente por algum tempo, fingindo não sentir o olhar dele fixado nela.

— A senhora deveria vir aqui mais vezes para conhecer melhor o jardim — disse a Katia. — Tenho alguns novos canteiros de flores perto do lago, e o pequeno bosque ali na frente é perfeito para cami­nhadas.
— Obrigada, querida — respondeu Katia com um sorriso gra­cioso. — Mas temo que na minha idade caminhar tenha se tornado para mim um tanto cansativo demais, especialmente no calor. Mas com certeza Arthur ficaria encantado com o jardim.

— Ah não, não acho que você vá gostar — disse Lua, virando na direção dele, constrangida, mordendo o lábio e esperando que não tivesse soado muito grosseira. Certamente não recusaria acompanhá-lo, mas a última coisa que ela desejava naquele momento era cami­nhar ao lado da imponente, quase autoritária, presença de Arthur.

— Sim, Lua, é uma ótima idéia — insistiu o avô. — Você leva Arthur para passear enquanto nós, os velhos, conversamos. — Billy sorriu com aprovação.

Sem desejar contrariar o avô, Lua lançou um olhar para Arthur.

— Se você quiser, podemos ir — disse, num tom sem entusiasmo, esperando que ele recusasse.

— Certo, vamos.

Relutantemente ela se levantou e começou a caminhar na direção do lago com Arthur ao seu lado. Ela notou que ele era alto, pelo menos um metro e oitenta e cinco, ou mais, e seus ombros eram largos. Havia algo de poderoso e envolvente em sua presença, uma autoridade que de alguma forma a fazia lembrar de seu avô. Durante a caminhada, ele tirou o paletó e o jogou sobre os ombros, enquanto Lua imaginava o que conversaria com ele.

Logo chegaram à beira do lago e Arthur ainda não fizera nenhum esforço para começar uma conversa, embora durante todo o tempo Lua pudesse sentir seus olhos sobre ela, uma sensação muito des­confortável, especialmente dada a proximidade em que se encontra­vam. Ela podia sentir a fragrância da loção dele, bem como algo mais, indecifrável, que jamais sentira por nenhum outro homem antes.

— Aqui temos delfínios e peônias — ela balbuciou, apontando as plantas. — E logo ali temos várias dálias. Mas certamente você não está muito interessado nas flores — ela acrescentou, apertando as mãos e imaginando por que se sentia tão confusa e nervosa quando normalmente era tão extrovertida com visitantes.

— Tem razão — ele respondeu, imprimindo um charmoso e re­pentino sorriso no rosto, enquanto olhava para ela. — Não entendo muito de flores. Mas meus pais e seu avô pareciam muito determinados quando sugeriram que caminhássemos juntos, você não acha? — ele perguntou, testando o terreno.

— Sim. — Ela franziu a testa, olhando para ele, desorientada. — Estavam bem determinados, não? Você tem alguma idéia do motivo?

Arthur preferia ter ficado de boca calada. Agora, sentia-se como um cafajeste, como se estivesse iludindo aquela jovem, sem poder contar-lhe a verdade. Como poderia esclarecê-la, se ela não tinha a menor idéia de que seu amado avô estava morrendo?

— Acho que eles pensam que, por sermos jovens, podemos ter mais coisas para conversar sozinhos — ele disse, encolhendo os om­bros de forma descomprometida. Era-lhe difícil resistir ao olhar de dúvida dela, àquela adorável e franca inocência de seus olhos, ao seu sorriso charmoso e ao traço de sensualidade que ele podia apostar que ela ainda não descobrira em si mesma. O pensamento o levou a mais um risco de reação física constrangedora, e ele se virou na direção do lago.

— Por que não os deixamos felizes e você não me mostra este famoso bosque? — ele perguntou, com interesse forçado.

— Certo — ela concordou, contente pela atmosfera ter ficado mais leve. Talvez ele fosse apenas do tipo que precisava ser mais bem conhecido.

— Fale-me de você — ele disse, pegando o braço dela quando chegaram em uma pequena ponte que cruzava o lago até o caminho que levava ao bosque.

Uma nova sensação curiosa atingiu Lua quando ele tocou sua pele, e foi difícil conter o tremor.

— Não há muito o que falar — ela disse, permitindo que ele a guiasse, apesar de conhecer muito bem a ponte. — Terminei a escola ano passado. Eu queria cursar a universidade, na realidade passei para umas duas — ela acrescentou. Por alguma razão, não queria que ele pensasse que fosse burra.



Continua...

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