segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Casamento por Conveniência

Cap.4


E seus cabelos...


Caiam em leves mechas de um rabo-de-cavalo, dando a ela um ar de quem acabara de sair da cama e provocando nele uma reação física embaraçosa.

Recompondo-se, Arthur se levantou e apertou a mão de Lua, esperando esconder aquelas emoções inconvenientes e lembrando a si mesmo a real natureza daquela visita.

— Se vocês me derem licença, vou dar um pulo lá em cima para me trocar — ela disse à mãe dele, atraentemente segura para sua idade. — Estou horrorosa.

Ele observou enquanto ela se retirava pelo gramado, e tentava suprimir a imagem maravilhosa daquele corpo longilíneo, cheio de curvas e esbelto se enroscando nos lençóis, encontrando-o como uma presa fácil para um lento e sensual abraço. Ele percebeu que não deveria pensar nisso e retirou os olhos dela, voltando à realidade. Notou o olhar de aprovação do pai e rapidamente se concentrou no­vamente na conversa.

Mas se o pai dele pensava que a beleza e o charme estonteantes de Lua tornariam a idéia do casamento mais aceitável, estava errado. De alguma forma, tornava tudo ainda pior. Uma coisa era fazer um favor a uma criatura desajeitada, outra era colocar sob sua proteção uma beldade que, quando desabrochasse, seria a queridinha da socie­dade em todas as cidades que visitassem. Este pensamento o incomo­dava estranhamente, e ele o baniu.

— Arthur, espero que você tenha pensado sobre a proposta que eu e seu pai fizemos — disse Billy, acomodando-se na cadeira de vime com uma dificuldade visível, lembrando a Arthur o quanto ele estava em jogo. — Depois de ver minha adorável neta, certamente você compreende por que seria impossível para mim permitir que ela ficasse sozinha e desprotegida neste mundo.


— Bem, eu não acredito que concorde — retrucou Christopher. — Afinal, senhor, estamos no século XXI. Um corpo bem selecionado de fiduciários poderia tomar conta dos negócios dela. Ela parece uma jovem confiável, bem capaz de cuidar de si mesma — ele acres­centou.

— Ha! — Billy soltou uma estridente exclamação. — Você então entende tudo sobre este assunto! É claro que ela é confiá­vel, tem charme e excelentes maneiras. Mas ela seria passada para trás pelo primeiro caçador de fortunas que aparecesse em sua vida. E, acredite em mim, eles já estão se aproximando — ele disse.

— Não tenho a menor dúvida — respondeu Henrique Aguiar, lan­çando um olhar significativo para o filho.

— E não é apenas com minha querida Lua que me preocupo — continuou Billy, encontrando nos olhos de Arthur a mesma perseverança que tinha nos seus. — É com o futuro de tudo que construí em minha vida. Não tenho a menor intenção de que isso vire pó, desperdiçado por um boa-vida perdulário. Os fiduciários que você mencionou são legais e refinados, mas não cuidarão da vida sentimental dela; não lhe darão o que uma mulher precisa.

— Desculpe-me por ser tão atrevido — disse Arthur, inclinando-se para a frente —, mas Lua tem alguma idéia do que está se passan­do aqui?

— Até agora achei melhor manter o silêncio. Afinal, não quero incomodá-la inutilmente. E quando ela souber da minha doença — ele disse, sufocando um suspiro —, ficará bastante incomodada.

— É claro. — Arthur olhou para baixo. — Billy, apesar de eu estar mais do que disposto a aceitar a função de um consultor, não me sinto capaz de...

— Um momento, rapaz. Tenho certeza de que tudo isso foi jogado sobre você de forma um tanto repentina. Mas agora que você veio até aqui, não irá querer aproveitar a oportunidade de conhecer minha neta um pouco melhor? Não estou sugerindo que vocês se apaixonem ou coisa do gênero, mas que estabeleçam uma relação saudável e equilibrada. Lua foi educada com todo o rigor. Ela seria uma exce­lente esposa para você.


Billy fez uma pausa para retomar o fôlego.


— Muitos casamentos funcionam muito bem sob estas condições — ele acrescentou, com um sorriso curto e cansado. — Sei que nos dias de hoje, vocês, jovens, acreditam em relacionamentos no estilo de Hollywood: casam-se num dia e divorciam-se no outro. Mas a vida real, meu rapaz, é muito diferente. Olhe para seus pais e para mim mesmo. Nossos casamentos foram planejados e funcionaram brilhantemente.



Continua...

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