Cap.6
— Mas então meu avô começou a sentir-se
cada vez mais indisposto e eu não queria que ele pensasse que o estava
abandonando. — Ela parou e suspirou, então sorriu para ele. — Ele não me parece
muito bem ultimamente e não quero deixá-lo triste.
— Mas é claro que você deve ir para a
universidade — retrucou Arthur. Parte dele ficou chocada em saber que o futuro
dela poderia estar comprometido. A outra parte, aquela que não queria
reconhecer o quanto ele a achava atraente, pensava em como era encantador
encontrar, numa época em que a maioria das mulheres que conhecia só pensava em
seu bem-estar e ambições pessoais, uma moça que punha o avô em primeiro lugar.
O que, por sua vez, o fez lembrar toda a dor por que ela passaria quando
soubesse sobre o estado terminal de Billy.
— Talvez um dia eu consiga ir para a
universidade — ela respondeu, suspirando. — Eu realmente gostaria. Mas por
favor — ela disse, franzindo as sobrancelhas —, prometa que não vai contar ao
meu avô. Eu detestaria vê-lo chateado ou preocupado.
— É claro que não direi nada. Não me
diz respeito. Mesmo assim, parece estranho que ele... — De repente Arthur se
lembrou. É lógico que Billy não queria que ela circulasse entre pessoas sobre
as quais ele não tinha controle. — Para que universidades você passou? — ele
perguntou.
— Oxford e Sorbonne.
Ele olhou para ela erguendo as
sobrancelhas.
— Isso é muito bom.
— Você parece surpreso — ela replicou,
desafiando-o. — Talvez pelo fato de eu ser mulher?
— Na mosca! — ele disse, com um novo e
delicioso vislumbre nos olhos. — Creio que não estou acostumado a cruzar com
mulheres tão atraentes como você e ao mesmo tempo tão obviamente inteligentes e
bem-dotadas.
Dulce sentiu as faces enrubescerem e
rapidamente olhou para longe.
— Ah, não sou tão brilhante assim.
Apenas gosto de estudar, é isso. Chegamos no bosque — ela murmurou.
— E o seu namorado? — Ele sondou-a. — Ele quer que você faça a faculdade?
— Namorado? — Lua franziu a testa,
então soltou uma gargalhada tão espontânea que excitou Arthurr. — Não, não
tenho namorado. Bem, tenho amigos, claro, como Jimmy Chandler e David Onslow do
clube de tênis, mas é diferente.
— E nenhum deles tentou beijá-la? — ele
perguntou, em um tom maroto, incapaz de resistir à tentação de saber mais sobre
aquela criatura sedutora com a qual estava começando a se envolver, apesar da
estranha situação em que estavam.
— Oh, não. Eles são apenas amigos. — Lua
suspirou constrangida e seus olhares se cruzaram quando chegaram na entrada do
bosque. — Eis o bosque. Você quer conhecer?
— Sinceramente? — Ele piscou.
— Sinceramente — ela respondeu.
— Sinceramente não tenho qualquer
interesse em conhecer seu bosque. Mas, se ele tiver metade do encanto da dona,
com certeza irá me interessar.
— Ah, cale-se. — Ela deu uma risadinha,
como se o conhecesse há tempos. — Deixe de ser bobo.
— Por que não sentamos um pouco perto
do lago para relaxar?
— Tudo bem.
Eles voltaram pela ponte e desceram
para a margem do lago.
— Olhe, deixa eu pôr isso na grama.
Pode estar enlameada — ele disse, estendendo o paletó para ela e tentando
organizar a confusão em sua cabeça.
— Obrigada. — Ela sentou em uma parte
do paletó, deixando espaço para ele, que se abaixou ao seu lado.
— Conte-me como é viver com seu avô —
ele perguntou, de repente.
— Amo muito meu avô. Quero dizer, é claro que às vezes ele é um pouco
restritivo, mas tenho que cuidar dele. Foi por isso que não contei para ele
Continua...

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