quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Casamento por conveniência





Cap.6

— Mas então meu avô começou a sentir-se cada vez mais indisposto e eu não queria que ele pensasse que o estava abandonando. — Ela parou e suspirou, então sorriu para ele. — Ele não me parece muito bem ultimamente e não quero deixá-lo triste.


— Mas é claro que você deve ir para a universidade — retrucou Arthur. Parte dele ficou chocada em saber que o futuro dela poderia estar comprometido. A outra parte, aquela que não queria reconhecer o quanto ele a achava atraente, pensava em como era encantador encontrar, numa época em que a maioria das mulheres que conhecia só pensava em seu bem-estar e ambições pessoais, uma moça que punha o avô em primeiro lugar. O que, por sua vez, o fez lembrar toda a dor por que ela passaria quando soubesse sobre o estado terminal de Billy.


— Talvez um dia eu consiga ir para a universidade — ela respon­deu, suspirando. — Eu realmente gostaria. Mas por favor — ela dis­se, franzindo as sobrancelhas —, prometa que não vai contar ao meu avô. Eu detestaria vê-lo chateado ou preocupado.


— É claro que não direi nada. Não me diz respeito. Mesmo assim, parece estranho que ele... — De repente Arthur se lembrou. É lógico que Billy não queria que ela circulasse entre pessoas sobre as quais ele não tinha controle. — Para que universidades você pas­sou? — ele perguntou.


— Oxford e Sorbonne.


Ele olhou para ela erguendo as sobrancelhas.


— Isso é muito bom.


— Você parece surpreso — ela replicou, desafiando-o. — Talvez pelo fato de eu ser mulher?


— Na mosca! — ele disse, com um novo e delicioso vislumbre nos olhos. — Creio que não estou acostumado a cruzar com mulheres tão atraentes como você e ao mesmo tempo tão obviamente inteligentes e bem-dotadas.


Dulce sentiu as faces enrubescerem e rapidamente olhou para longe.


— Ah, não sou tão brilhante assim. Apenas gosto de estudar, é isso. Chegamos no bosque — ela murmurou.

— E o seu namorado? — Ele sondou-a. — Ele quer que você faça a faculdade?


— Namorado? — Lua franziu a testa, então soltou uma gargalha­da tão espontânea que excitou Arthurr. — Não, não tenho namorado. Bem, tenho amigos, claro, como Jimmy Chandler e David Onslow do clube de tênis, mas é diferente.


— E nenhum deles tentou beijá-la? — ele perguntou, em um tom maroto, incapaz de resistir à tentação de saber mais sobre aquela criatura sedutora com a qual estava começando a se envolver, apesar da estranha situação em que estavam.


— Oh, não. Eles são apenas amigos. — Lua suspirou constrangi­da e seus olhares se cruzaram quando chegaram na entrada do bos­que. — Eis o bosque. Você quer conhecer?


— Sinceramente? — Ele piscou.


— Sinceramente — ela respondeu.


— Sinceramente não tenho qualquer interesse em conhecer seu bosque. Mas, se ele tiver metade do encanto da dona, com certeza irá me interessar.


— Ah, cale-se. — Ela deu uma risadinha, como se o conhecesse há tempos. — Deixe de ser bobo.


— Por que não sentamos um pouco perto do lago para relaxar?


— Tudo bem.


Eles voltaram pela ponte e desceram para a margem do lago.


— Olhe, deixa eu pôr isso na grama. Pode estar enlameada — ele disse, estendendo o paletó para ela e tentando organizar a confusão em sua cabeça.


— Obrigada. — Ela sentou em uma parte do paletó, deixando espaço para ele, que se abaixou ao seu lado.


— Conte-me como é viver com seu avô — ele perguntou, de re­pente.


— Amo muito meu avô. Quero dizer, é claro que às vezes ele é um pouco restritivo, mas tenho que cuidar dele. Foi por isso que não contei para ele



            Continua...

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