sexta-feira, 24 de junho de 2016

Amante da fantasia - Cap. 84


Jasão desferiu um golpe. Arthur pulou para trás, desviando-se do trajeto da lâmina. Por instinto, levou a mão à sua espada, mas se conteve. A última coisa que queria era derramar o sangue de Jasão.


- Não quero lutar contra você.


- Não quer? Você violou minha mulher e gerou com ela filhos que deveriam ter sido meus! Eu o recebi em meu lar. Eu lhe dei uma cama, quando ninguém mais o queria por perto, e é assim que você me retribui?


Arthur encarou-o com descrença.


- O que eu retribuo a você? Tem ideia da quantidade de vezes em que eu salvei a sua vida em batalha? De quantos espancamentos sofri por você? Consegue contá-los? E, ainda assim, você ousou zombar de mim.


Jasão riu cruelmente.


- Todos, exceto Kyrian, zombam de você, seu tolo. Na verdade, ele o defende com tanta veemência que me leva a imaginar o que fazem quando vagam por aí sozinhos.


Controlando a raiva que o deixaria vulnerável à lâmina de Jasão, Arthur mal se esquivou do golpe seguinte.


- Pare com isso, Jasão. Não me obrigue a fazer algo de que nós dois vamos nos arrepender.


- A única coisa da qual eu me arrependo é de ter deixado um ladrão entrar na minha casa. - ele berrou, furioso, e investiu outra vez.


Arthur tentou afastar-se, mas Penélope correu para trás dele e empurrou-o para a frente. A espada de Jasão fez um corte em suas costelas. Emitindo um ruído de dor, Arthur desembainhou sua espada e desviou-se de um golpe que, caso o tivesse atingido, o teria decapitado.


Jasão tentou envolvê-lo no combate, mas ele apenas se defendia, tentando manter Penélope fora do centro da luta.


- Não faça isso, Jasão. Sabe que suas habilidades são inferiores às minhas.


Jasão intensificou o ataque.


- De jeito nenhum vou permitir que você fique com ela.


Os próximos poucos segundos tinham acontecido muito depressa e, ainda assim, Arthur os via desenrolar-se com clareza.


Penélope agarrou o braço livre de Arthur enquanto Jasão brandia a espada. A lâmina por pouco não o atingiu enquanto ela se pendurava nele.


Desequilibrado, Arthur tentou soltar-se, mas, com Penélope no caminho, cambaleou para a frente ao mesmo tempo em que Jasão. Assim que se colidiram, ele sentiu a espada penetrar o corpo de Jasão.


- Não! - Arthur gritou, puxando a espada do estômago de Jasão enquanto Penélope emitia um grito de pura agonia.


Lentamente, Jasão caiu. Ajoelhando-se, Arthur lançou a espada para o lado e pegou o amigo nos braços.


- Pelos deuses, o que você fez?


Expelindo sangue pela boca, Jasão encarou-o acusadoramente.


- Eu não fiz nada. Foi você quem me traiu. Éramos irmãos e você roubou meu coração. - Ele engoliu a saliva dolorosamente. - Você nunca teve nada na vida que não tivesse roubado de alguém.




Continua...

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