Jasão desferiu um golpe. Arthur pulou para trás, desviando-se do trajeto
da lâmina. Por instinto, levou a mão à sua espada, mas se conteve. A última
coisa que queria era derramar o sangue de Jasão.
- Não quero lutar contra você.
- Não quer? Você violou minha mulher e gerou com ela filhos que deveriam
ter sido meus! Eu o recebi em meu lar. Eu lhe dei uma cama, quando ninguém mais
o queria por perto, e é assim que você me retribui?
Arthur encarou-o com descrença.
- O que eu retribuo a você? Tem ideia da quantidade de vezes em que eu
salvei a sua vida em batalha? De quantos espancamentos sofri por você? Consegue
contá-los? E, ainda assim, você ousou zombar de mim.
Jasão riu cruelmente.
- Todos, exceto Kyrian, zombam de você, seu tolo. Na verdade, ele o
defende com tanta veemência que me leva a imaginar o que fazem quando vagam por
aí sozinhos.
Controlando a raiva que o deixaria vulnerável à lâmina de Jasão, Arthur
mal se esquivou do golpe seguinte.
- Pare com isso, Jasão. Não me obrigue a fazer algo de que nós dois
vamos nos arrepender.
- A única coisa da qual eu me arrependo é de ter deixado um ladrão
entrar na minha casa. - ele berrou, furioso, e investiu outra vez.
Arthur tentou afastar-se, mas Penélope correu para trás dele e
empurrou-o para a frente. A espada de Jasão fez um corte em suas costelas.
Emitindo um ruído de dor, Arthur desembainhou sua espada e desviou-se de um
golpe que, caso o tivesse atingido, o teria decapitado.
Jasão tentou envolvê-lo no combate, mas ele apenas se defendia, tentando
manter Penélope fora do centro da luta.
- Não faça isso, Jasão. Sabe que suas habilidades são inferiores às
minhas.
Jasão intensificou o ataque.
- De jeito nenhum vou permitir que você fique com ela.
Os próximos poucos segundos tinham acontecido muito depressa e, ainda
assim, Arthur os via desenrolar-se com clareza.
Penélope agarrou o braço livre de Arthur enquanto Jasão brandia a
espada. A lâmina por pouco não o atingiu enquanto ela se pendurava nele.
Desequilibrado, Arthur tentou soltar-se, mas, com Penélope no caminho,
cambaleou para a frente ao mesmo tempo em que Jasão. Assim que se colidiram,
ele sentiu a espada penetrar o corpo de Jasão.
- Não! - Arthur gritou, puxando a espada do estômago de Jasão enquanto
Penélope emitia um grito de pura agonia.
Lentamente, Jasão caiu. Ajoelhando-se, Arthur lançou a espada para o
lado e pegou o amigo nos braços.
- Pelos deuses, o que você fez?
Expelindo sangue pela boca, Jasão encarou-o acusadoramente.
- Eu não fiz nada. Foi você quem me traiu. Éramos irmãos e você roubou
meu coração. - Ele engoliu a saliva dolorosamente. - Você nunca teve nada na
vida que não tivesse roubado de alguém.
Continua...

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