O
pensamento chocou-o. Porém, era verdade.
Desde a
infância não sentia uma vontade tão intensa e dolorosa de que alguém o
abraçasse com carinho. De que alguém lhe dissesse que o amava, com sinceridade
e não apenas por causa de um feitiço.
Inclinando
a cabeça para trás, ele praguejou.
Quando
aprenderia? Tinha nascido para sofrer. O Oráculo de Delfos lhe dissera isso.
"Você
sofrerá como nenhum homem sofreu."
"Mas
eu serei amado?"
"Não
nesta vida."
Ele
partira aniquilado pela profecia. E mal sabia exatamente quanto sofrimento o aguardava.
Ele é o
filho da deusa do amor, e nem mesmo ela suporta estar perto dele.
Estremeceu
ao reconhecer a verdade.
Lua nunca
o amaria. Ninguém o amaria. E, pior ainda, seu destino tinha uma forma trágica
de atingir aqueles ao seu redor.
Experimentou
uma dor dilacerante no peito ao imaginar que algo poderia acontecer com Lua.
Não
permitiria. Precisava protegê-la a qualquer preço. Mesmo que isso significasse
perder sua liberdade.
Com esse
pensamento em mente, foi encontrá-la.
Lua tirou
o sabão dos olhos. Abrindo-os, sobressaltou-se ao avistar Arthur observando-a
pela pequena abertura da cortina do chuveiro.
- Você me
assustou! - ela exclamou.
-
Desculpe.
Ele
estava do lado de fora da imensa banheira, apenas de cueca, com a mesma postura
casual que tinha no livro. O ombro largo estava apoiado na parede, e os longos
braços, estendidos ao lado do corpo.
Ela
lambeu os lábios ao ver os músculos firmes e esculpidos do peito e torso.
Involuntariamente,
seu olhar recaiu sobre a cueca boxer vermelha e amarela. E pensar que achara
que nenhum homem ficaria bem naquilo... Pois ele ficava.
Não havia
palavras para descrever exatamente o quanto ele ficava bem. Além disso, aquele
sorriso malicioso podia derreter o coração até mesmo da mulher mais frígida.
O homem
era sensual.
Nervosa,
ela se deu conta de que estava nua.
- Você
precisa de alguma coisa? - perguntou, cobrindo os seios com a toalhinha que
usava para banhar-se.
Para seu
espanto, ele se despiu e uniu-se a ela na banheira.
Sua mente
transformou-se em mingau enquanto era subjugada pela poderosa presença
masculina.
Aquele
sorriso lindo, que revelava as covinhas no rosto, fazia seu coração acelerar.
Seu corpo tremer.
- Quero
apenas olhar você. - ele respondeu, com a voz baixa e gentil. - Tem ideia do
que faz comigo quando passa as mãos pelo corpo?
A julgar pela excitação de Arthur,
ela tinha uma boa ideia.
Continua...

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