sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 89


O pensamento chocou-o. Porém, era verdade.



Desde a infância não sentia uma vontade tão intensa e dolorosa de que alguém o abraçasse com carinho. De que alguém lhe dissesse que o amava, com sinceridade e não apenas por causa de um feitiço.



Inclinando a cabeça para trás, ele praguejou.



Quando aprenderia? Tinha nascido para sofrer. O Oráculo de Delfos lhe dissera isso.



"Você sofrerá como nenhum homem sofreu."



"Mas eu serei amado?"



"Não nesta vida."



Ele partira aniquilado pela profecia. E mal sabia exatamente quanto sofrimento o aguardava.



Ele é o filho da deusa do amor, e nem mesmo ela suporta estar perto dele.



Estremeceu ao reconhecer a verdade.



Lua nunca o amaria. Ninguém o amaria. E, pior ainda, seu destino tinha uma forma trágica de atingir aqueles ao seu redor.



Experimentou uma dor dilacerante no peito ao imaginar que algo poderia acontecer com Lua.



Não permitiria. Precisava protegê-la a qualquer preço. Mesmo que isso significasse perder sua liberdade.



Com esse pensamento em mente, foi encontrá-la.







Lua tirou o sabão dos olhos. Abrindo-os, sobressaltou-se ao avistar Arthur observando-a pela pequena abertura da cortina do chuveiro.



- Você me assustou! - ela exclamou.



- Desculpe.



Ele estava do lado de fora da imensa banheira, apenas de cueca, com a mesma postura casual que tinha no livro. O ombro largo estava apoiado na parede, e os longos braços, estendidos ao lado do corpo.



Ela lambeu os lábios ao ver os músculos firmes e esculpidos do peito e torso.



Involuntariamente, seu olhar recaiu sobre a cueca boxer vermelha e amarela. E pensar que achara que nenhum homem ficaria bem naquilo... Pois ele ficava.



Não havia palavras para descrever exatamente o quanto ele ficava bem. Além disso, aquele sorriso malicioso podia derreter o coração até mesmo da mulher mais frígida.



O homem era sensual.



Nervosa, ela se deu conta de que estava nua.



- Você precisa de alguma coisa? - perguntou, cobrindo os seios com a toalhinha que usava para banhar-se.



Para seu espanto, ele se despiu e uniu-se a ela na banheira.



Sua mente transformou-se em mingau enquanto era subjugada pela poderosa presença masculina.



Aquele sorriso lindo, que revelava as covinhas no rosto, fazia seu coração acelerar. Seu corpo tremer.



- Quero apenas olhar você. - ele respondeu, com a voz baixa e gentil. - Tem ideia do que faz comigo quando passa as mãos pelo corpo?



A julgar pela excitação de Arthur, ela tinha uma boa ideia.



Continua...

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