sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Amante da fantasia - Cap. 87


- Qual? - perguntou Tommy.



Arthur sorriu ante as perguntas ávidas.



- O comandante retalhou o estandarte romano e usou o tecido para ajudar o sobrevivente a estancar o sangramento das feridas. Com um sorriso letal, ele o fitou e disse: Roma delenda est. Roma deve ser destruída. Então, enviou o general romano acorrentado para casa, para que transmitisse a mensagem ao Senado.



- Uau! - Bobby exclamou, admirado. - Gostaria que você fosse meu professor na escola. Talvez eu até passasse em história.



Arthur correu a mão pelos cabelos negros do menino.



- Se isso faz você se sentir melhor, eu também não me importava com esse assunto na sua idade. Tudo o que eu queria era fazer travessuras.



- Oi, Srta. Lua! - Tommy disse ao finalmente avistá-la. - Escutou a história do Sr. Arthur? Ele disse que os romanos eram maus.



Ao olhar para cima, Arthur viu Lua parada a alguns metros. Ela sorriu.



- Tenho certeza de que ele sabe bem disso.



- Você pode consertar minha boneca? - Katie pediu, entregando-a para Arthur. Soltando Allison, ele pegou a boneca e recolocou o braço no lugar. - Obrigada. - disse Katie, abraçando-o pelo pescoço.



A expressão saudosa de Arthur partiu o coração de Lua. Sabia que era o rosto da própria filha que ele enxergava ao olhar para Katie.



- O prazer foi meu, pequenina. - ele falou em voz rouca, afastando-se dela.



- Katie, Tommy, Bobby, o que vocês estão fazendo aí? - Lua ergueu o olhar, quando Emily deu a volta na lateral da casa. - Vocês não estão incomodando a Srta. Lua estão?



- Não, eles não estão me incomodando. - Lua assegurou-lhe. Emily não pareceu escutá-la ao prosseguir, alvoroçada: - E o que Allison está fazendo aqui? Vocês devem ficar no quintal.



- Ei, mamãe. - Bobby gritou, correndo até ela. - O Sr. Arthur nos mostrou um jogo muito legal.



Lua riu, observando os cinco retornarem para o jardim dianteiro enquanto a tagarelice animada de Bobby ecoava ao redor deles.



Arthur tinha os olhos fechados e parecia estar saboreando o som das vozes infantis.



- Você é um ótimo contador de histórias. - disse Lua quando ele foi encontrá-la.



- Não é verdade.



- É, sim. - ela afirmou enfaticamente. - Sabe, eu fiquei pensando... Bobby tem razão. Você seria um excelente professor.



Ele lhe deu um sorriso afetado.



- De comandante a professor. Por que não me chama logo de Catão, o Antigo, e me insulta de verdade, uma vez que está tentando?



Ela riu.



- Você não está tão ofendido quanto finge.



- Como sabe?



- Pela expressão em seu rosto e pelo brilho em seu olhar. - Ela o pegou pelo braço, conduzindo-o de volta ao deque. - Você deveria mesmo pensar nisso. Mel obteve o doutorado em Tulane e conhece a faculdade. Quem melhor para ensinar civilização antiga do que alguém que realmente viveu naquela época?



Ele não respondeu. Lua notou o modo como ele mexia os pés descalços no chão.



- O que está fazendo? - ela indagou.



- Estou desfrutando a sensação da grama. - ele sussurrou. - Do jeito que as folhas fazem cócegas nos meus dedos.



Ela sorriu da ação pueril.



- Foi por isso que veio aqui fora?



- Sim. Adoro sentir a luz do sol no meu rosto.





Continua...




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