segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Casamento por conveniência - Cap. 50






— Que tal uma viagem para Agapos? — perguntou Arthur, três semanas depois. Lua ainda parecia muito triste, letárgica e desinte­ressada pela vida.

 Arthur estava seriamente preocupado com ela. Tentara falar sobre o acontecido, mas ela não demonstrava interesse. Ele insistiu para que ela consultasse um psicólogo, mas Lua não achava que valesse a pena.


— Agapos? — ela disse, lembrando da linda ilha em que ela co­nhecera o amor físico pela primeira vez, onde talvez o bebê deles tivesse sido concebido.


— Sim. Seria bom darmos um tempo, sair daqui um pouco e ir para onde haja sol. Aquele lugar é adorável no começo do outono. Ficaríamos sozinhos.


Ele pegou a mão dela. Ultimamente ela não o aceitava nem rejei­tava. Era como se vivesse em outro mundo, um lugar só dela, sem muitas intrusões. Mas Arthur sabia, ou melhor, sentia que se não conseguisse atingi-la emocionalmente logo, perdê-la-ia para sempre.


— Acho que deveríamos ir para lá — ele insistiu. — Vou pedir para prepararem o avião para nos levar depois de amanhã.


Lua deu de ombros. Realmente não se importava mais com o que faria. A perda do bebê fora dolorosa demais. E apesar de Arthur estar sendo atencioso e cuidadoso, ela simplesmente não conseguia supe­rar aquela pequena desconfiança que ainda tinha e que voltava sem­pre que estava prestes a baixar a guarda e se entregar a ele.


Seria possível que algum dia ela se livraria daquele sentimento ou a desconfiança persistiria, assombrando o casamento deles, impossi­bilitando que os dois viessem a ficar juntos, que ela acreditasse nele por completo? Afinal, o que aconteceria quando tudo isso passasse? Digamos que ela concordasse em viver com ele e levar uma vida normal. Será que se sentiria livre do medo de entrar em outro restau­rante e vê-lo com outra mulher? Talvez ele passasse a ser mais cuida­doso em suas escapadas, mas ela acabaria por ficar sabendo de algu­ma outra forma, ou até mesmo saberia instintivamente quando ele estivesse fazendo amor com outra mulher.

Lua suspirou. Talvez fosse melhor ir para Agapos do que ficar em Londres, onde chovia o tempo todo e ela sentia-se tão triste. Suas amigas a chamavam para sair, mas ela não tinha o menor interesse em vê-las. Nem qualquer outra pessoa, aliás. Era como se tivesse entrado em seu próprio casulo e relutasse em sair de lá, com medo de que outra surpresa ruim a pegasse desprevenida.


Apesar de ela não saber, Arthur prestou atenção nas recomenda­ções médicas e estava dormindo no quarto ao lado do dela. Mas con­forme os dias iam passando, ele estava determinado a fazê-la dormir junto dele novamente.


Dois dias depois o helicóptero estava aterrissando novamente na ilha, agora diferente sob as luzes do outono, com uma leve intensida­de delineando as casas brancas. As águas azuis do Egeu tremeluziam e os barcos pesqueiros coloridos brilhavam sob o sol prolongado.


Logo eles estavam em casa. Lua trocou de roupa e vestiu uma túnica branca confortável. Depois caminhou até o terraço, de onde ficou olhando para o mar, para o sol se pondo no horizonte, para outros barcos pesqueiros voltando para o porto com a pesca do dia.


Tudo parecia tão em paz, tão distante de Londres e da exaustão emocional das últimas semanas. Arthur estivera ocupado ultima­mente, passando muito tempo no escritório. Ela não o questionou sobre isso. Ou, ela refletiu tristemente, talvez ele tenha ficado satura­do e começara um caso com outra mulher.


Continua...

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