— Que tal uma viagem para Agapos? —
perguntou Arthur, três semanas depois. Lua ainda parecia muito triste,
letárgica e desinteressada pela vida.
Arthur estava seriamente preocupado com ela.
Tentara falar sobre o acontecido, mas ela não demonstrava interesse. Ele
insistiu para que ela consultasse um psicólogo, mas Lua não achava que valesse
a pena.
— Agapos? — ela disse, lembrando da
linda ilha em que ela conhecera o amor físico pela primeira vez, onde talvez o
bebê deles tivesse sido concebido.
— Sim. Seria bom darmos um tempo,
sair daqui um pouco e ir para onde haja sol. Aquele lugar é adorável no começo
do outono. Ficaríamos sozinhos.
Ele pegou a mão dela. Ultimamente ela
não o aceitava nem rejeitava. Era como se vivesse em outro mundo, um lugar só
dela, sem muitas intrusões. Mas Arthur sabia, ou melhor, sentia que se não
conseguisse atingi-la emocionalmente logo, perdê-la-ia para sempre.
— Acho que deveríamos ir para lá —
ele insistiu. — Vou pedir para prepararem o avião para nos levar depois de
amanhã.
Lua deu de ombros. Realmente não se
importava mais com o que faria. A perda do bebê fora dolorosa demais. E apesar
de Arthur estar sendo atencioso e cuidadoso, ela simplesmente não conseguia
superar aquela pequena desconfiança que ainda tinha e que voltava sempre que
estava prestes a baixar a guarda e se entregar a ele.
Seria possível que algum dia ela se
livraria daquele sentimento ou a desconfiança persistiria, assombrando o
casamento deles, impossibilitando que os dois viessem a ficar juntos, que ela
acreditasse nele por completo? Afinal, o que aconteceria quando tudo isso
passasse? Digamos que ela concordasse em viver com ele e levar uma vida normal.
Será que se sentiria livre do medo de entrar em outro restaurante e vê-lo com
outra mulher? Talvez ele passasse a ser mais cuidadoso em suas escapadas, mas
ela acabaria por ficar sabendo de alguma outra forma, ou até mesmo saberia
instintivamente quando ele estivesse fazendo amor com outra mulher.
Lua suspirou. Talvez fosse melhor ir
para Agapos do que ficar em Londres, onde chovia o tempo todo e ela sentia-se
tão triste. Suas amigas a chamavam para sair, mas ela não tinha o menor
interesse em vê-las. Nem qualquer outra pessoa, aliás. Era como se tivesse
entrado em seu próprio casulo e relutasse em sair de lá, com medo de que outra
surpresa ruim a pegasse desprevenida.
Apesar de ela não saber, Arthur
prestou atenção nas recomendações médicas e estava dormindo no quarto ao lado
do dela. Mas conforme os dias iam passando, ele estava determinado a fazê-la
dormir junto dele novamente.
Dois dias depois o helicóptero estava
aterrissando novamente na ilha, agora diferente sob as luzes do outono, com uma
leve intensidade delineando as casas brancas. As águas azuis do Egeu
tremeluziam e os barcos pesqueiros coloridos brilhavam sob o sol prolongado.
Logo eles estavam em casa. Lua trocou
de roupa e vestiu uma túnica branca confortável. Depois caminhou até o terraço,
de onde ficou olhando para o mar, para o sol se pondo no horizonte, para outros
barcos pesqueiros voltando para o porto com a pesca do dia.
Tudo parecia tão em paz, tão distante
de Londres e da exaustão emocional das últimas semanas. Arthur estivera ocupado
ultimamente, passando muito tempo no escritório. Ela não o questionou sobre
isso. Ou, ela refletiu tristemente, talvez ele tenha ficado saturado e
começara um caso com outra mulher.
Continua...

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