— Obrigado — Arthur murmurou
agradecido, tentando combater a náusea repentina que sentira ao pensar em Lua
no hospital, talvez perdendo o bebê. O bebê deles. Um bebê concebido em um
daqueles momentos tórridos de...
Por um momento Arthur engoliu em
seco. Até aquele instante, não atinara ainda, mas agora percebia que era amor o
que sentia por Lua. Um sentimento diferente de qualquer outro que sentira por
outras mulheres. Ele sacudiu a cabeça e soltou um longo suspiro, atônito pelo
que acabara de concluir. Ele a amava aquela moça que conhecia a tão pouco
tempo, que entrara em sua vida de uma forma que seria inconcebível para ele
muito pouco tempo atrás.
— Vôo da British Airways... — Era o
vôo.
Agarrando a pasta, Arthur seguiu os
demais passageiros e se dirigiu ao avião.
Mas não chegou a Londres rápido o
bastante.
O carro o aguardava no terminal para
levá-lo para o Hospital Chelsea and Westminster, onde ele encontrou os pais
sentados no corredor, perto do quarto de Lua.
— Ela foi sedada, pobre menina —
falou Dona Kátia.
— Mas ela está bem? E o bebê? — ele
perguntou, tentando acalmar a ansiedade que sentira a noite toda.
— Sinto muito, mas ela o perdeu — sua
mãe respondeu.
Arthur não disse nada, apenas
virou-se e ficou olhando pela janela. Era sua culpa. Sua culpa o fato de ela
ter passado por aquela experiência horrível sozinha e infeliz, quando ele
deveria ter estado ao seu lado. E pior, tudo isso acontecera por causa daquele
maldito dia com Luísa. Provavelmente foram todo o estresse e a ansiedade por
que ela passou que provocaram o aborto.
Ele se virou.
— Posso vê-la? — perguntou à mãe.
— Acho melhor você falar com o médico
primeiro. Ele deve chegar em alguns minutos — discordou Dona Kátia.
— Sim — concordou Henrique. — Espere
para falar com o médico, Arthur. E veja que no futuro cuide melhor da sua
mulher — ele acrescentou. — Você não é mais solteiro, filho. Você tem deveres.
Certifique-se de cumpri-los adequadamente.
Arthur nada respondeu, simplesmente
concordou com o pai, balançando a cabeça. Seu pai tinha razão em puni-lo. Não
havia desculpas para sua ausência, apenas a rejeição de Lua. Mas ele devia ter
insistido, não ter permitido que ela o vencesse com seus argumentos. Devia ter
ficado no comando, como sempre fizera com todos os aspectos de sua vida e
simplesmente falar a ela como as coisas deviam ser em vez de tentar agir de
forma cavalheiresca e satisfazer todos os desejos dela. Que se danassem as
vontades dela. Afinal de contas, ele era seu marido e era seu dever cuidar dela.
Alguns minutos depois, o médico
apareceu.
— Ah! Sr. Aguiar.
— Ela está bem? — perguntou Arthur
— Sim. Ela ficará bem. É jovem e tem
excelente saúde. Mas obviamente passar por um aborto não é uma situação fácil
para uma mulher, independentemente da idade gestacional. Ela está muito abalada.
O senhor vai precisar ser muito paciente e atencioso para ajudá-la a passar por
isso. A melhor solução é outro bebê.
— Agora? — Arthur olhou para ele
fixamente.
— Não, imediatamente não. Ela
precisará de algumas semanas para superar isso, tanto física quanto
emocionalmente.
Arthur assentiu.
— Sinto-me culpado por não estar
aqui.
— Não faça isso. Essas coisas
acontecem. Não sabemos por que, mas acontecem. E não afetou de forma alguma a
capacidade de ela ter outros
filhos. Mesmo assim, quando uma mulher sabe que está grávida e passa nem que sejam
alguns dias sabendo que outro ser vivo está crescendo dentro dela, a sensação
de perda é imensa.
— Entendo — concordou Arthur. — Posso
vê-la?
— Sim. Não sei se ela já terá
acordado, mas pode entrar e falar com ela. Não discutam até ela melhorar. Essas
coisas sempre são marcadas
por muita culpa.
— Obrigado, doutor. — Arthur apertou
a mão dele. — Por tudo que o senhor fez pela minha esposa.
— Eu não fiz nada além de resolver o
problema. — Ele apertou o ombro de Arthur e despediu-se de Henrique e Kátia. Arthur
preparou-se para entrar no quarto de Lua.
— Vamos embora agora, querido. Seu
pai está cansado e deve descansar. Se o médico der alta para Lua hoje, leve-a
para Eaton Square. Chega de deixá-la sozinha.
— Claro. Vá para casa. Papai durma um
pouco — disse Arthur. — E obrigado aos dois pelo que fizeram. Eu... — A voz
dele estava embargada.
— Não foi nada. Consideramos Lua uma
filha — disse Dona Kátia. — Veja se consegue consertar as
coisas entre vocês, Arthur, e não — ela implorou — deixe o
orgulho e a estupidez atrapalharem, filho. — Ela deu um beijo nele. — Você vai
ver. Se Deus quiser, tudo ficará bem.
Arthur abriu a porta do frio quarto
de hospital e olhou para Lua, deitada imóvel, como uma boneca, na cama. Ao se
aproximar da cama, Arthur pegou uma de suas mãos, tocando-a carinhosamente,
sentindo uma forte emoção ao pensar em tudo que ela passara. Como devia ter
ficado assustada, acordando e tendo que enfrentar uma experiência terrível no
meio da madrugada, sozinha, obrigada a telefonar para os pais dele. E o que
teria acontecido se não tivesse ligado? E se o constrangimento a tivesse
vencido e ela ficasse sangrando até a manhã seguinte? E então?
Arthur encolheu os ombros e pôs-se ao
lado da cama, observando o adorável e pálido rosto de Lua emoldurado por seus
cabelos caindo pelos lados dos ombros. Ele soltou a mão dela, com medo de
atrapalhá-la, e foi tomado por uma sensação de ternura. Ela parecia uma menina,
deitada ali tão quieta. Mas era uma mulher.
Sua mulher.
Continua...?

Maisss muito bommmm
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