Oh, Deus. Fique onde está e chegaremos em alguns minutos. Enquanto isso, não se mova. Vou chamar uma ambulância.
— Ambulância? — perguntou Lua.
— Sim, você deve ir para o hospital, querida, ou pode perder o bebê.
— Ah, não. — Lua sentiu lágrimas brotarem mais uma vez. — Oh, Deus, por favor, não... Queria tanto este bebê.
— Calma, Lua, tudo vai ficar bem. Chegaremos assim que possível.
Lua desligou e permaneceu imóvel sobre os travesseiros, com lágrimas escorrendo pelas bochechas. Como podia ter sido tão idio¬ta? Por que não contara a Arthur sobre o bebê? Agora talvez fosse tarde demais. Ela fechou os olhos e tentou manter-se calma. Pelo bem do bebê, repetia para si mesma. Por aquele pequeno e importante pedacinho de vida que crescia dentro dela e que ela estava determina¬da a preservar.
Alguns minutos depois, ela ouviu baterem na porta.
— Entre.
— Ah, Lua. — Dona Kátia entrou no quarto. — Minha meni¬na. Agora fique quieta. Vamos com você para o hospital.
— Vamos? — perguntou Lua, em voz baixa.
— Desculpe, mas tive que contar para Henrique.
— Não tem problema — Lua sorriu da forma que pôde e fechou os olhos, diante de mais uma pontada. — Isso não tem mais impor¬tância.
— Venha, assim está melhor — acalmou Dona Kátia. — Logo estaremos no hospital e tudo vai ficar bem. Mas no futuro cuidaremos melhor de você.
Arthur sentiu o celular vibrar em seu bolso e pediu licença a Grant Connelly, o pretensioso advogado de Nova York com quem estava jantando no Cipriani`s, na Quinta Avenida. O local era barulhento e ele não podia ouvir bem.
Desesperado, levantou-se e foi para o lado de fora.
— Pai, agora posso ouvi-lo. Por que está me ligando a essa hora? Não há nada de errado acontecendo, certo?
— Temo que sim, Arthur
— O quê? O que está errado? — Ele perguntou com a voz embargada e amedrontada.
— É Lua.
— O que aconteceu com ela? — Ele quase gritou, caminhando pela calçada.
— Está sendo levada para o hospital enquanto conversamos. Sinto que possa perder o bebê.
— Bebê? Que bebê? — Ele perguntou perplexo. Então, de repen¬te compreendeu o que o pai quis dizer. — Você quer dizer que ela está grávida? — ele exclamou, sentindo uma emoção nova e sem precedentes
— Sim. Você não sabia?
— Não. Eu... Ela está bem? Ó, céus, tenho sido um idiota.
— Acalme-se filho. Acho que você deveria tentar voltar no pri¬meiro vôo.
— Claro. Se eu sair daqui agora ainda posso pegar um vôo no Aeroporto JFK — ele disse, olhando para o relógio. — Oh, Deus, como isso pode ter acontecido?
— Da forma usual, eu imagino — respondeu o pai. — Apenas certifique-se de, futuramente, tomar conta de sua esposa adequada¬mente. Não entendo todas essas idas e vindas entre vocês. É ridículo.
— Sim, pai. Explicarei para o senhor quando nos encontrarmos. Por favor, apenas cuide para que ela... E o bebê fiquem bem.
— Está bem. Estou a caminho do Hospital Chelsea and Westminster. Sua mãe está na ambulância com Lua. Ainda bem que ela con¬fiou na sogra, senão tenho medo até de pensar no que poderia ter acontecido.
Arthur ficou parado ali de pé na calçada, o olhar perdido na dire¬ção do Central Park, na charrete passando por ele carregando um jovem casal de mãos dadas e se abraçando, nas luzes do Plaza do outro lado da rua, incapaz de ver qualquer coisa que não o rosto dela, repetindo cada expressão, cada momento, cada olhar terno, cada ins¬tante desde aquele terrível incidente que tanta infelicidade trouxera.
Arthur respirou fundo e caminhou de volta para o restaurante para explicar ao companheiro de jantar o que estava acontecendo. Sem hesitar, Connelly se ofereceu para levá-lo naquele momento mesmo para o aeroporto.
E pouco depois, lá estava Arthur no aeroporto. Deus como o tempo passava devagar quando se queria estar em outro lugar rapida¬mente, ele pensou. Por que justamente naquele momento fizera aque¬la viagem que não era essencial? Por que não esperou? E por que sequer imaginou que havia uma razão para Lua ter recusado o champanhe na hora do almoço?
Na sala de embarque VIP ligou para o pai.
— O que está acontecendo? — perguntou. — Ela está bem?
— Ainda não sabemos. Ela está com o médico agora, mas não se preocupe... Ficaremos aqui com ela, não tenha medo.
Continua..?

Mais mais maisssssssssssssssssssssssssss
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