Cap.43
— Mas não é possível. Quero dizer, essas coisas não
acontecem assim, certo?
— Depende. Você usou algum contraceptivo?
— Oh, não. Não pensei sobre isso. Eu...
— Bem, nesse caso existe uma forte possibilidade de
você estar grávida. Enjoos matinais são um dos sintomas. Eu os tinha muito
quando engravidei de Arthur.
Lua ficou em choque. Grávida. Esperando um bebê de Arthur.
O que faria?
— Dona Kátia, por favor, não fale
nada a Arthur. Pelo menos até eu ter certeza de que estou realmente grávida. As
coisas não estão... Bem, a senhora sabe, elas não estão... Indo muito bem
entre nós agora. Preciso tomar minhas próprias decisões.
— Compreendo querida, mas deixe-me marcar uma
consulta para você com um ginecologista. Ele poderá dizer se você está grávida
ou não e a partir daí teremos uma posição. Por enquanto, quero que se deite no
sofá e ponha as pernas para cima. Aqui. — Dona Kátia colocou
outra almofada atrás das costas de Lua — E um chá de ervas pode ajudar. Vou
pedir para a empregada preparar um imediatamente — ela disse.
Um bebê.
Como seria? Menino ou menina? E se ela e Arthur...?
Não conseguia pensar sobre isso. Como ele reagiria ao saber que ela estava
grávida? Essa gravidez não poderia ter vindo em pior momento, ela pensou
atordoada com as novas emoções de imaginar uma pequena pessoa crescendo dentro
dela e de lembrar que ela e Arthur estavam tão separados.
Ela suspirou, fechou os olhos e deixou Dona Kátia
cuidar das coisas, pedindo chá e cobrindo as pernas dela com uma caxemira,
antes de pegar o telefone para fazer algumas ligações.
Alguns minutos depois, ela voltou para o lado de Lua.
— Consegui uma consulta para você amanhã de manhã,
às onze. Posso ir com você, mas entenderei se quiser ir sozinha.
— Obrigada — Lua sorriu, agradecida. — Se a senhora
não se importar, prefiro ir sozinha.
— Entendo querida. Mas por favor, me ligue quando
souber o resultado.
— E a senhora não contará a Arthur?
— Eu não prometi que esse seria nosso segredo? Mas
tem uma condição: você tem que me deixar cuidar de você. Afinal, pode estar
esperando meu neto — ela acrescentou.
— Claro. A senhora tem sido maravilhosa. Muito
obrigada.
— Imagina. Estou feliz por finalmente ter uma filha
para mimar.
— Sim — respondeu Lua, hesitante. E se ela e Arthur
se separassem? E então?
Mas não era a hora para tais pensamentos, tinha
apenas que atravessar o resto daquele dia e então ir ao médico saber a
verdade. Depois disso, teria tempo para encontrar as respostas para seus
dilemas.
**************
Havia algo de errado com os números.
Arthur franziu o cenho. Estudara as auditorias
várias vezes e algo não batia. Pegou as folhas onde circulara em vermelho
vários itens e reviu-as novamente. E não era só aquilo, pensou, enquanto se
recostava na ampla cadeira de couro. Sentia que havia outras coisas acontecendo
no gerenciamento de algumas das empresas de Billy. Mas como ainda não tinha
definido o que era, não queria se expor sem ter certeza dos fatos.
E ele poderia levar algum tempo para descobrir.
Ele não confiava no sofisticado Sr. Wilfred, com
suas respostas prontas e suaves e sua atitude ligeiramente condescendente. Na
verdade imaginava por quanto tempo ele já vinha desfalcando Billy. Muito
tempo, provavelmente. Certamente desde que ele adoeceu e foi obrigado a se
afastar das rotinas diárias, transferindo seus afazeres. E ainda havia a equipe
de advogados de confiança, que parecia ter excessivo poder sobre a estrutura do holding.
Teria que investigar um pouco, mas Arthur estava
determinado a ir até o fim. No entanto, aqueles problemas não o impediam de imaginar
como lidaria com a maior de todas as questões: sua esposa.
Lua estava sendo obstinada e difícil. Ele pensou
que na noite anterior ela finalmente o ouviria, deixaria que ele explicasse e
talvez eles conseguissem remover o obstáculo que havia entre deles. Ele pensou
nela, dócil e entregue em seus braços, e seu corpo reagiu imediatamente. Ela
era linda. A idéia de que ele poderia desejar outra mulher quando a tinha em
seus braços chegava a ser divertida de tão absurda. Mas era exatamente isso o
que ela pensava, que ele se casara com ela por conveniência — o que era verdade
— e que planejava continuar com a mesma vida amorosa de antes.
E sua outra preocupação era a saúde dela. Ela
parecia melhor ontem à noite, mas quando ele ligara para ela há meia hora, na
esperança de convencê-la a almoçar com ele, a empregada disse que ela estava
indisposta e que não podia ser incomodada.
De repente, Arthur levantou-se e pegou seu paletó
nas costas da cadeira. Aquilo era ridículo. Se estava doente, tinha que ir ao
médico. Ele se dirigiu para fora do escritório.
— Volto mais tarde, srta. Brown. Por favor, avise a
Morton — ele falou com a secretária de Billy.
— Certo, senhor.
— Vou ligar para saber se houve alguma ligação
importante. E o sr. Wilfred, já chegou?
— Não, senhor. Ele tinha uma reunião na cidade esta
manhã com os banqueiros americanos, por conta da Carvajal Oil.
— Mas eu disse claramente que seria eu a presenciar
essa reunião — estranhou Arthur, preso entre o desejo de ir ao encontro de Lua
e o entendimento de que deveria ficar para ser informado do que estava
acontecendo. — Droga. Por que não fui avisado?
— Desculpe, mas só fiquei sabendo das novidades por
acaso, senhor. — Pela primeira vez, a srta. Brown trocou um prolongado olhar
com ele.
— Sei. Bem, futuramente acho que devemos manter
nossos olhos e ouvidos bem atentos, srta. Brown — respondeu Arthur, ciente de
que ela, assim como Morton, trabalhara mais de trinta anos para Billy, que
tinha a maior consideração por ambos. Se ele tivesse que confiar em alguém,
certamente ela seria a opção.
Girando nos calcanhares, ele pegou o velho elevador
com porta pantográfica e desceu até o térreo, onde pegou o primeiro táxi que
apareceu. Lua teria que esperar. Os assuntos em questão eram muito importantes
para serem ignorados. Não seria nada mau se os americanos soubessem que ele
estava à frente da Carvajal, e era com ele que teriam que lidar de agora em
diante.
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No consultório do médico, Lua se vestiu novamente e
sentou-se do lado oposto da escrivaninha do Dr. Langtry.
— Só mais alguns minutos, Sra. Aguiar, enquanto
verificamos o exame. Todos os sintomas parecem indicar que a senhora está realmente
esperando um bebê, mas precisamos ter certeza.
Naquele momento, a enfermeira entrou e entregou a
ele um papel.
— Obrigado. — O médico passou os olhos no
resultado.
— Bem, Sra. Aguiar, veja a senhora mesma — ele
disse, dando a ela o papel.
— A senhora está esperando um bebê para abril.
Continua..?

Continua tô amando
ResponderExcluirTa ótima ansiosa para a reação do arthur posta logo
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