quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap.45


Cap.45

O rosbife chegou, mas por alguma razão inexplicável ela perdera o apetite.


— Pensei que você estivesse faminta, hermosa — falou Arthur, observando o ligeiro brilho nos olhos dela.


— Estou bem. Devo ter avaliado mal meu próprio apetite. — Ela sorriu e começou a conversar trivialidades.


— Tem certeza de que vai ficar bem enquanto eu estiver ausente? — ele perguntou.


— Claro — ela zombou. — Por que não ficaria?


— Não sei. — Ele encolheu os ombros e sorriu para ela. — Por nada.


O carro de Lua esperava do lado de fora do restaurante.


— Quer uma carona até Dover Street?


— Não, obrigado. Prefiro caminhar.


— Certo. Então, bon voyage.


— Obrigado. Eu a verei assim que voltar. — Ele deu um suave beijo na bochecha dela.


— Ele me verá quando voltar — murmurou Lua, com raiva de si mesma, ao olhar para a figura alta e de ombros largos de Arthur distanciando-se na rua. — Veremos.


Mas tinha que admitir que era terrivelmente reconfortante saber que ele estava à frente dos negócios do avô, que ela não tinha sido deixada nua e crua nas mãos desses advogados.


Então ela lembrou-se de Dona Kátia e suspirou. Sentia-se mal de falar para outras pessoas sobre sua gravidez antes de contar a Arthur. Mas tivera a oportunidade e não aproveitara. Ela supôs que devia confiar na sogra e esperava que ela não contasse nada a ele. Algo em Dona Kátia despertava confiança. E ela tinha a sensação de que a sogra falava sempre a coisa certa. Tinha uma opinião realista e imparcial sobre o filho.


Lua pegou o celular e ligou para Eaton Square, onde alguns mi­nutos depois, Dona Kátia a esperava.


— Entre, querida. Vamos tomar um chá na saleta. — Ela deu uma ordem ao mordomo e acompanhou Lua a uma pequena sala íntima que era o seu recanto de privacidade.


— Que gracinha esta sala! — exclamou Lua.


— Bem, tenho que ter algo feminino nesta casa tão cheia de ener­gia masculina — respondeu a sogra, rindo. — Agora sente-se, queri­da, e conte o que o médico falou.


Lua sentou-se de forma obediente e respirou fundo.


— É verdade — ela disse. — Estou grávida. Ele disse que o bebê é para abril.


— Meus parabéns, meu amor. Que notícia maravilhosa! Quando você planeja contar a Arthur?

— Não sei. É... é tudo tão difícil. Pensei em contar para ele hoje no almoço, mas...


— Vocês almoçaram juntos?


— Sim, no Wilson`s.


— Ah!


— Não sei o que fazer. — De repente, Lua caiu em prantos, sem conseguir se controlar. — Não sei o que está acontecendo de errado comigo — ela soluçou. — Eu nunca fui de ter tantos altos e baixos como agora... É como se minha racionalidade tivesse desaparecido.


— Lua, querida, isso é muito natural. — Dona Kátia sentou-se ao lado dela e pegou sua mão. — Quando esperamos um bebê, todas as nossas emoções mudam. Choramos à toa, sem razão, vemos as coisas às vezes de um jeito que elas não são e temos todos os tipos de sentimentos inexplicáveis. Lembre-se, seu corpo e sua mente es­tão se preparando para a maternidade. Eles têm que cuidar não so­mente de você, mas também do bebê.


Lua soluçou e balançou a cabeça.


— Eu sei. Pensei nisso hoje no restaurante.


— Então me diga — Dona Kátia falou enquanto a acalmava. — Por que você não contou a ele?


— Porque ele disse que vai para Nova York e depois vai para Newport. Velejar! A senhora pode imaginar? Quero dizer, por que ele precisa ir velejar? Por que não pode simplesmente vir...? — Ao perceber, de repente, a quão tola ela devia estar soando, Lua parou de falar.


— Talvez você não tenha demonstrado a ele que preferia que ele voltasse — falou a sogra. — Os homens têm uma forma engraçada de se recolherem. Eles podem ser muito orgulhosos. Você deixou Arthur conversar sobre o que aconteceu em Buenos Aires?


Lua sacudiu a cabeça e olhou para as mãos.


— Não. Não deixei.


— Você não vai ficar furiosa comigo se eu disser que talvez isso tenha sido meio tolo? Ele merecia ser punido, concordo. E tenho certeza de que foi muito doloroso para ele saber que não poderia fazer tudo como planejara. Mas, honestamente, acredito que ele estava fa­lando a verdade quando disse que o caso com Luísa estava terminado.


— A senhora acha? — Lua virou-se para ela com os olhos cheios de lágrimas e incerteza. — Mas ela é tão linda, tão adorável, tão sofisti­cada e moderna. Posso entender por que ele preferiria ficar com ela e não comigo. Afinal, na realidade eu sou apenas um compromisso assu­mido. — Ela engoliu em seco. — Eu não acreditei que poderia...


— Se apaixonar? — complementou Dona Kátia. — Por que não? Eu me apaixonei por meu marido depois que nos casamos. E tenho boas razões para acreditar que ele também. Você nunca pensou nisso, Lua, que Arthur pode estar apaixonado por você?


— Não. Claro que não. Quero dizer, por que se apaixonaria?  Se a senhora visse como ele e Luísa se olhavam, como um casal... Tenho certeza de que ele a ama.


Continua...

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