Cap.45
O rosbife chegou, mas por alguma
razão inexplicável ela perdera o apetite.
— Pensei que você estivesse faminta, hermosa —
falou Arthur, observando o ligeiro brilho nos olhos dela.
— Estou bem. Devo ter avaliado mal
meu próprio apetite. — Ela sorriu e começou a conversar trivialidades.
— Tem certeza de que vai ficar bem
enquanto eu estiver ausente? — ele perguntou.
— Claro — ela zombou. — Por que não
ficaria?
— Não sei. — Ele encolheu os ombros e
sorriu para ela. — Por nada.
O carro de Lua esperava do lado de
fora do restaurante.
— Quer uma carona até Dover Street?
— Não, obrigado. Prefiro caminhar.
— Certo. Então, bon voyage.
— Obrigado. Eu a verei assim que
voltar. — Ele deu um suave beijo na bochecha dela.
— Ele me verá quando voltar —
murmurou Lua, com raiva de si mesma, ao olhar para a figura alta e de ombros
largos de Arthur distanciando-se na rua. — Veremos.
Mas tinha que admitir que era
terrivelmente reconfortante saber que ele estava à frente dos negócios do avô,
que ela não tinha sido deixada nua e crua nas mãos desses advogados.
Então ela lembrou-se de Dona Kátia
e suspirou. Sentia-se mal de falar para outras pessoas sobre sua gravidez antes
de contar a Arthur. Mas tivera a oportunidade e não aproveitara. Ela supôs que
devia confiar na sogra e esperava que ela não contasse nada a ele. Algo em Dona Kátia
despertava confiança. E ela tinha a sensação de que a sogra falava sempre a
coisa certa. Tinha uma opinião realista e imparcial sobre o filho.
Lua pegou o celular e ligou para
Eaton Square, onde alguns minutos depois, Dona Kátia a
esperava.
— Entre, querida. Vamos tomar um chá
na saleta. — Ela deu uma ordem ao mordomo e acompanhou Lua a uma pequena sala
íntima que era o seu recanto de privacidade.
— Que gracinha esta sala! — exclamou Lua.
— Bem, tenho que ter algo feminino
nesta casa tão cheia de energia masculina — respondeu a sogra, rindo. — Agora
sente-se, querida, e conte o que o médico falou.
Lua sentou-se de forma obediente e
respirou fundo.
— É verdade — ela disse. — Estou
grávida. Ele disse que o bebê é para abril.
— Meus parabéns, meu amor. Que
notícia maravilhosa! Quando você planeja contar a Arthur?
— Não sei. É... é tudo tão difícil.
Pensei em contar para ele hoje no almoço, mas...
— Vocês almoçaram juntos?
— Sim, no Wilson`s.
— Ah!
— Não sei o que fazer. — De repente, Lua
caiu em prantos, sem conseguir se controlar. — Não sei o que está acontecendo
de errado comigo — ela soluçou. — Eu nunca fui de ter tantos altos e baixos
como agora... É como se minha racionalidade tivesse desaparecido.
— Lua, querida, isso é muito natural.
— Dona Kátia sentou-se ao lado dela e pegou sua mão. — Quando
esperamos um bebê, todas as nossas emoções mudam. Choramos à toa, sem razão,
vemos as coisas às vezes de um jeito que elas não são e temos todos os tipos de
sentimentos inexplicáveis. Lembre-se, seu corpo e sua mente estão se
preparando para a maternidade. Eles têm que cuidar não somente de você, mas
também do bebê.
Lua soluçou e balançou a cabeça.
— Eu sei. Pensei nisso hoje no
restaurante.
— Então me diga — Dona Kátia
falou enquanto a acalmava. — Por que você não contou a ele?
— Porque ele disse que vai para Nova
York e depois vai para Newport. Velejar! A senhora pode imaginar? Quero dizer,
por que ele precisa ir velejar? Por que não pode simplesmente vir...? — Ao
perceber, de repente, a quão tola ela devia estar soando, Lua parou de falar.
— Talvez você não tenha demonstrado a
ele que preferia que ele voltasse — falou a sogra. — Os homens têm uma forma
engraçada de se recolherem. Eles podem ser muito orgulhosos. Você deixou Arthur
conversar sobre o que aconteceu em Buenos Aires?
Lua sacudiu a cabeça e olhou para as
mãos.
— Não. Não deixei.
— Você não vai ficar furiosa comigo
se eu disser que talvez isso tenha sido meio tolo? Ele merecia ser punido,
concordo. E tenho certeza de que foi muito doloroso para ele saber que não
poderia fazer tudo como planejara. Mas, honestamente, acredito que ele estava
falando a verdade quando disse que o caso com Luísa estava terminado.
— A senhora acha? — Lua virou-se para
ela com os olhos cheios de lágrimas e incerteza. — Mas ela é tão linda, tão
adorável, tão sofisticada e moderna. Posso entender por que ele preferiria
ficar com ela e não comigo. Afinal, na realidade eu sou apenas um compromisso
assumido. — Ela engoliu em seco. — Eu não acreditei que poderia...
— Se apaixonar? — complementou Dona Kátia.
— Por que não? Eu me apaixonei por meu marido depois que nos casamos. E tenho
boas razões para acreditar que ele também. Você nunca pensou nisso, Lua, que Arthur
pode estar apaixonado por você?
— Não. Claro que não. Quero dizer,
por que se apaixonaria? Se a senhora visse como ele e Luísa se olhavam,
como um casal... Tenho certeza de que ele a ama.
Continua...

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