Cap.41
— Eu quero você — ele gemia, enquanto parava para
respirar. — Deus, como quero você, minha Lua, como sinto sua falta. Vamos subir
e terminar o que começamos.
— P-pensei que você quisesse conversar — ela
engasgou, tentando se recompor e readquirir o equilíbrio.
— Podemos fazer isso depois... — ele respondeu,
puxando-a firmemente na direção das escadas.
— Não. Não, Arthur, espere. — Ela empurrou o peito
dele e deu um passo para trás. — Isso tudo é muito simples para você, não?
Simplesmente nos beijamos, fazemos amor e seremos uma família feliz para
sempre. Bem, não é tão simples assim. Não para mim, de jeito nenhum — ela
disse, com o coração batendo tão forte que quase podia ouvir. — Não estou
disposta a me tornar um tapete para você pisar. Se você queria uma vida para
nós, deveria ter pensado nisso antes do que fez e não depois!
— Você está sendo infantil e cruel — ele respondeu,
sem pensar em desistir.
— Pode ser. Mas é como me sinto agora.
— E quanto ao divórcio? Não recebi nenhuma ligação
dos advogados até agora — ele desafiou, com os olhos brilhando de desdém. —
Ameaças vazias, Lua, que não são tão fáceis de levar adiante na hora da
decisão, não é mesmo?
— É isso o que você acha? — Ela se afastou e o
fitou, sentindo-se tola e depreciada. — Então está certo, meus advogados vão
telefonar para você, se é o que você quer.
— Eu nunca disse isso, pare de botar palavras na
minha boca.
— Sim, você disse. Você disse...
Christopher se aproximou e com um movimento rápido
puxou-a com força para perto dele.
— Eu me casei com você para o que desse e viesse, e
não para que você fugisse quando algo desse errado — ele gritou. E antes que Lua
conseguisse se mover, ele pressionou sua boca contra a dela novamente e mais
uma vez forçou-a a abrir-se para ele.
Foi tão difícil resistir, tão miseravelmente
difícil, e Lua viu-se ceder novamente, quando todos os seus instintos falavam o
contrário. Então as mãos dele encontraram os seios dela e os apertaram. Não de
forma suave, mas com conhecimento, deixando-a úmida e com desejo, com as
pernas curvadas quando a mão dele vinha rapidamente para baixo e tocava a parte
mais sensível de seu corpo, que reagia até mesmo através do tecido do vestido e
da calcinha. Então, quando ela gemeu, ele se afastou.
— Tenha
uma boa noite, señora mia. Espero que aproveite sua grande e
confortável cama vazia.
Com isso, ele virou-se e saiu, caminhando
furiosamente na direção de Eaton Square.
Lua deixou-se cair no terceiro degrau da longa
escada e soltou um pequeno gemido. Num instante queria odiá-lo, em outro
amá-lo. Sentir a mão dele em seu corpo a enfraqueceu totalmente despertou todas
as sensações. E ali estava ela, fitando a porta fechada, perguntando a si
mesma que diabo aconteceria depois. Ele quase a desafiou a ligar para os
advogados, apesar de tê-la tocado e beijado de uma forma que...
Tudo era tão frustrante! E ele era tão impossível.
Tão totalmente impossível...
Equilibrando-se e apoiando-se no corrimão, Lua
levantou e subiu. Em seu quarto, despiu-se devagar, olhando seu corpo no
espelho, tocando a marca que ele deixara em seu seio, vendo os mamilos enrijecidos,
protuberantes de desejo. Podia sentir a suave umidade entre suas coxas e fechou
os olhos, sonhando que o deixara ficar, que permitira que ele subisse e
fizesse amor com ela, para amenizar aquela dor deliciosa e tantalizaste que persistia,
implorando por completitude.
O senso comum a atingiu e ela tirou os olhos do
espelho, vestindo um pijama de flanela. Pelo menos não era sexy, não
a faria lembrar da lua-de-mel, da forma com que ele pedira para que ela tirasse
a camisola e do quanto se sentira deliciosamente sensual e poderosa, nua em pé
diante dele.
Pare, ela mandou, entrando no banheiro e pondo a
pasta em sua escova de dente. Estava agindo como uma idiota sem raciocínio,
como aquelas garotas que desprezava no colégio, sempre babando por homens.
Certamente ela tinha mais autocontrole do que isso.
Mas quando deslizou para debaixo das cobertas, com
o cheiro e a sensação de Arthur ainda violando seu cérebro e seu ser, Lua imaginou
se teria sobrado ao menos algum senso comum nela.
A melhor coisa a fazer era tentar ter uma noite
decente de sono. Talvez ele estivesse sem sono também e a menos de cinco
minutos de distância, ela refletiu, se atirando na cama, fitando a noite pela
janela.
Ela concluiu que era tudo tão desesperadamente
frustrante que soltou um suspiro de irritação. E a pior parte foi que pedira
isso sem sequer ter deixado que ele contasse sua versão sobre a história com
Luísa.
De repente, Lua sentou-se na cama. E se fosse
verdade e ele estivesse vendo Luísa pela última vez?
— Droga! — exclamou, socando o travesseiro com
raiva. Estava cansada desse jogo e quanto mais cedo terminasse melhor.
***********
— E então? — perguntou Dona Katia.
— E então, nada. Deixei Lua em casa, foi isso — ele
respondeu.
— Disso eu sei — falou Dona Katia.
— E como estão as coisas entre vocês?
— Se quer saber a verdade, não tenho idéia —
explodiu Arthur.
— E, por favor, não quero falar sobre isso, mãe. Eu
já cansei de toda essa confusão. Você viu como Lua estava? Como parecia mal? É
ridícula a forma como vem se comportando.
— Realmente, a palidez dela me chamou a atenção —
concordou Dona Katia. — Talvez eu vá vê-la amanhã para saber
se está tudo bem.
— Espero que você tenha uma recepção melhor do que
a que tive — ele murmurou enquanto caminhava para o bar e servia-se de uma dose
de um forte conhaque. — Não estou preparado para tolerar essas confusões da Lua
— ele acrescentou. — Não agüento mais suas excentricidades.
— Talvez ela sinta o mesmo com relação às suas —
murmurou Dona Katia.
— Que seja. De qualquer forma, temos que colocar um
ponto final nessa situação ridícula. Não quero que minha esposa continue dormindo
sozinha, em outra casa. Isso é uma desgraça.
Continua...

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