segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Casamento por conveniência



Cap.41



— Eu quero você — ele gemia, enquanto parava para respirar. — Deus, como quero você, minha Lua, como sinto sua falta. Vamos subir e terminar o que começamos.


— P-pensei que você quisesse conversar — ela engasgou, tentan­do se recompor e readquirir o equilíbrio.


— Podemos fazer isso depois... — ele respondeu, puxando-a fir­memente na direção das escadas.


— Não. Não, Arthur, espere. — Ela empurrou o peito dele e deu um passo para trás. — Isso tudo é muito simples para você, não? Simplesmente nos beijamos, fazemos amor e seremos uma família feliz para sempre. Bem, não é tão simples assim. Não para mim, de jeito nenhum — ela disse, com o coração batendo tão forte que quase podia ouvir. — Não estou disposta a me tornar um tapete para você pisar. Se você queria uma vida para nós, deveria ter pensado nisso antes do que fez e não depois!


— Você está sendo infantil e cruel — ele respondeu, sem pensar em desistir.


— Pode ser. Mas é como me sinto agora.


— E quanto ao divórcio? Não recebi nenhuma ligação dos advo­gados até agora — ele desafiou, com os olhos brilhando de desdém. — Ameaças vazias, Lua, que não são tão fáceis de levar adiante na hora da decisão, não é mesmo?


— É isso o que você acha? — Ela se afastou e o fitou, sentindo-se tola e depreciada. — Então está certo, meus advogados vão telefonar para você, se é o que você quer.


— Eu nunca disse isso, pare de botar palavras na minha boca.


— Sim, você disse. Você disse...


Christopher se aproximou e com um movimento rápido puxou-a com força para perto dele.


— Eu me casei com você para o que desse e viesse, e não para que você fugisse quando algo desse errado — ele gritou. E antes que Lua conseguisse se mover, ele pressionou sua boca contra a dela novamente e mais uma vez forçou-a a abrir-se para ele.


Foi tão difícil resistir, tão miseravelmente difícil, e Lua viu-se ceder novamente, quando todos os seus instintos falavam o contrário. Então as mãos dele encontraram os seios dela e os apertaram. Não de forma suave, mas com conhecimento, deixando-a úmida e com dese­jo, com as pernas curvadas quando a mão dele vinha rapidamente para baixo e tocava a parte mais sensível de seu corpo, que reagia até mesmo através do tecido do vestido e da calcinha. Então, quando ela gemeu, ele se afastou.



— Tenha uma boa noite, señora mia. Espero que aproveite sua grande e confortável cama vazia.

Com isso, ele virou-se e saiu, caminhando furiosamente na dire­ção de Eaton Square.


Lua deixou-se cair no terceiro degrau da longa escada e soltou um pequeno gemido. Num instante queria odiá-lo, em outro amá-lo. Sentir a mão dele em seu corpo a enfraqueceu totalmente despertou todas as sensações. E ali estava ela, fitando a porta fechada, pergun­tando a si mesma que diabo aconteceria depois. Ele quase a desafiou a ligar para os advogados, apesar de tê-la tocado e beijado de uma forma que...


Tudo era tão frustrante! E ele era tão impossível. Tão totalmente impossível...


Equilibrando-se e apoiando-se no corrimão, Lua levantou e su­biu. Em seu quarto, despiu-se devagar, olhando seu corpo no espelho, tocando a marca que ele deixara em seu seio, vendo os mamilos enri­jecidos, protuberantes de desejo. Podia sentir a suave umidade entre suas coxas e fechou os olhos, sonhando que o deixara ficar, que permi­tira que ele subisse e fizesse amor com ela, para amenizar aquela dor deliciosa e tantalizaste que persistia, implorando por completitude.


O senso comum a atingiu e ela tirou os olhos do espelho, vestindo um pijama de flanela. Pelo menos não era sexy, não a faria lembrar da lua-de-mel, da forma com que ele pedira para que ela tirasse a camisola e do quanto se sentira deliciosamente sensual e poderosa, nua em pé diante dele.


Pare, ela mandou, entrando no banheiro e pondo a pasta em sua escova de dente. Estava agindo como uma idiota sem raciocínio, como aquelas garotas que desprezava no colégio, sempre babando por homens. Certamente ela tinha mais autocontrole do que isso.


Mas quando deslizou para debaixo das cobertas, com o cheiro e a sensação de Arthur ainda violando seu cérebro e seu ser, Lua ima­ginou se teria sobrado ao menos algum senso comum nela.


A melhor coisa a fazer era tentar ter uma noite decente de sono. Talvez ele estivesse sem sono também e a menos de cinco minutos de distância, ela refletiu, se atirando na cama, fitando a noite pela janela.


Ela concluiu que era tudo tão desesperadamente frustrante que soltou um suspiro de irritação. E a pior parte foi que pedira isso sem sequer ter deixado que ele contasse sua versão sobre a história com Luísa.


De repente, Lua sentou-se na cama. E se fosse verdade e ele estivesse vendo Luísa pela última vez?


— Droga! — exclamou, socando o travesseiro com raiva. Estava cansada desse jogo e quanto mais cedo terminasse melhor.


***********

— E então? — perguntou Dona Katia.


— E então, nada. Deixei Lua em casa, foi isso — ele respondeu.


— Disso eu sei — falou Dona Katia. — E como estão as coisas entre vocês?


— Se quer saber a verdade, não tenho idéia — explodiu Arthur.


— E, por favor, não quero falar sobre isso, mãe. Eu já cansei de toda essa confusão. Você viu como Lua estava? Como parecia mal? É ridícula a forma como vem se comportando.


— Realmente, a palidez dela me chamou a atenção — concordou Dona Katia. — Talvez eu vá vê-la amanhã para saber se está tudo bem.


— Espero que você tenha uma recepção melhor do que a que tive — ele murmurou enquanto caminhava para o bar e servia-se de uma dose de um forte conhaque. — Não estou preparado para tolerar essas confusões da Lua — ele acrescentou. — Não agüento mais suas excentricidades.


— Talvez ela sinta o mesmo com relação às suas — murmurou Dona Katia.


— Que seja. De qualquer forma, temos que colocar um ponto final nessa situação ridícula. Não quero que minha esposa continue dor­mindo sozinha, em outra casa. Isso é uma desgraça.


Continua...

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