Cap.42
— Diga-me, hijo, só para eu saber,
o que lhe dói mais neste exato momento? Seu coração ou seu orgulho, ambos tão
grandes? — perguntou sua mãe casualmente. — Talvez você devesse se fazer esta
pergunta.
— Ora, mãe, deixe-me sozinho. Não estou no clima
para sua filosofia agora. Vou para a cama.
— Boa noite então, filho meu. Tenha bons sonhos.
— Boa noite — Arthur respondeu sem entusiasmo e em
seguida abandonou a sala, deixando Dona Kátia olhando diretamente
para uma lareira vazia, um leve sorriso desenhando-se nos cantos de sua boca.
***************
— Dona Kátia está na sala — anunciou a empregada
para Lua. Ela sentia-se abatida, e os ataques de enjôo não haviam passado como
esperava. Será possível que fosse alguma coisa séria, pensou, respirando
fundo. O que Dona Kátia estava fazendo ali, às dez e meia da
manhã? Sentia-se tonta e sem vontade de conversar, mas não podia dispensar a
sogra.
— Lua — Dona Kátia levantou-se do
sofá. — Sente-se, menina, e me diga o que está errado com você — ela disse. —
Você está muito pálida e indisposta. Já foi ao médico?
— Não, não fui. Não sei o que há de errado comigo.
Há alguns dias venho me sentindo muito enjoada, mas só quando acordo. No fim da
manhã me sinto tão bem que acho que estou melhorando. Acho que devo ter pegado
algum tipo de virose — ela disse, desanimada.
— Só de manhã? — perguntou Dona Kátia.
— Sim. É a coisa mais estranha. Nem posso pensar em
tomar café, mas na hora do almoço sinto muita fome.
— Hummm. Desculpe por perguntar algo tão pessoal,
mas quando foi sua última menstruação?
— Não sei, há algumas semanas — Lua fechou os olhos
por um momento para esperar a tontura passar. — Desculpe — ela disse. — Vou
ficar bem em um minuto.
Dona Kátia sorriu ao perceber que a menina não tinha a
menor idéia do que lhe estava acontecendo. E imaginou de que forma as novidades
afetariam a situação dela e de Arthur.
— Lua, você já pensou que isso pode não ser uma
virose?
— Bem, não. Eu realmente não imagino o que mais
pode ser. — Então, de repente a primeira pergunta da sogra ecoou alta e clara
em sua mente, fazendo-a ficar ereta no sofá. — Oh! A senhora não acha que posso
estar... — Ela virou-se para a sogra com os olhos arregalados.
— Grávida? — perguntou Dona Kátia.
Continua...

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