segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Casamento por conveniência



Cap.42


— Diga-me, hijo, só para eu saber, o que lhe dói mais neste exato momento? Seu coração ou seu orgulho, ambos tão grandes? — per­guntou sua mãe casualmente. — Talvez você devesse se fazer esta pergunta.


— Ora, mãe, deixe-me sozinho. Não estou no clima para sua filo­sofia agora. Vou para a cama.


— Boa noite então, filho meu. Tenha bons sonhos.


— Boa noite — Arthur respondeu sem entusiasmo e em seguida abandonou a sala, deixando Dona Kátia olhando diretamente para uma lareira vazia, um leve sorriso desenhando-se nos cantos de sua boca.


***************

— Dona Kátia está na sala — anunciou a empregada para Lua. Ela sentia-se abatida, e os ataques de enjôo não haviam passado como esperava. Será possível que fosse alguma coisa séria, pensou, respi­rando fundo. O que Dona Kátia estava fazendo ali, às dez e meia da manhã? Sentia-se tonta e sem vontade de conversar, mas não po­dia dispensar a sogra.


— Lua — Dona Kátia levantou-se do sofá. — Sente-se, meni­na, e me diga o que está errado com você — ela disse. — Você está muito pálida e indisposta. Já foi ao médico?


— Não, não fui. Não sei o que há de errado comigo. Há alguns dias venho me sentindo muito enjoada, mas só quando acordo. No fim da manhã me sinto tão bem que acho que estou melhorando. Acho que devo ter pegado algum tipo de virose — ela disse, desanimada.


— Só de manhã? — perguntou Dona Kátia.


— Sim. É a coisa mais estranha. Nem posso pensar em tomar café, mas na hora do almoço sinto muita fome.


— Hummm. Desculpe por perguntar algo tão pessoal, mas quando foi sua última menstruação?


— Não sei, há algumas semanas — Lua fechou os olhos por um momento para esperar a tontura passar. — Desculpe — ela disse. — Vou ficar bem em um minuto.


Dona Kátia sorriu ao perceber que a menina não tinha a menor idéia do que lhe estava acontecendo. E imaginou de que forma as novidades afetariam a situação dela e de Arthur.


— Lua, você já pensou que isso pode não ser uma virose?


— Bem, não. Eu realmente não imagino o que mais pode ser. — Então, de repente a primeira pergunta da sogra ecoou alta e clara em sua mente, fazendo-a ficar ereta no sofá. — Oh! A senhora não acha que posso estar... — Ela virou-se para a sogra com os olhos arregalados.


— Grávida? — perguntou Dona Kátia.


Continua...



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