sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap.46



— Tolice — replicou Dona Kátia. — Luísa e ele eram bons companheiros. Tinham os mesmos amigos e certamente tiveram uma boa vida sexual enquanto durou. Mas não é disso que estou falando. Estou falando sobre paixão e amor verdadeiro, aquele sentimento que surge uma vez na vida e nunca acaba.


— Bem, se ele me ama, por que está indo para Nova York e vai esticar no fim de semana para aquele maldito passeio de veleiro? Ela murmurou, soluçando.


— Porque você está mantendo distância, querida. Que homem não salvaria seu orgulho, em um determinado momento? Especificamen­te uma criatura arrogante e autoconfiante como Arthur? Isso prova­velmente nunca passou pela cabeça dele antes.


— Creio que não — respondeu Lua.


— Agora, recomendo que você vá para casa, relaxe e tire essa semana para pensar no que deseja fazer. Então, quando ele voltar, você resolve.


— Acho que a senhora tem razão — falou Lua. — E a senhora não vai contar sobre o bebê, vai? — ela perguntou, preocupada.


— Claro que não, querida. Manteremos isso em segredo até o momento em que você achar melhor revelar. É um direito seu — acrescentou Dona Kátia sorrindo. — E se precisar de mim, ou mesmo que não precise, estarei por aqui, para saber se você está bem.


Depois do chá Lua foi para casa, sentindo-se um pouco mais calma, mas muito cansada. Sentia-se exaurida pelas emoções do dia e pronta para ir mais cedo para a cama.

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Quando o avião decolou, Arthur olhou a paisagem abaixo através do chuvisco de verão. Havia tanto para acertar, e ele tinha a firme intenção de corrigir tudo o quanto antes. Mesmo assim, uma sensação de inquietação o perturbou quando ponderou tudo o que ocorrera nas últimas semanas.


Lua parecera tão indecisa naquela semana, nem parecia ela mesma. Mas não havia por que se preocupar tanto com isso. Seria melhor estudar os arquivos que trouxera com ele.


Com um suspiro, Arthur abriu a pasta e se acomodou para o longo vôo. Pelo menos teria tempo para rever todas as questões que o preo­cupavam com relação à Carvajal e que precisavam ser resolvidas.


Além disso, uma semana longe de Lua não seria tão ruim assim. Desde que ela estivesse menos relutante quando ele voltasse...

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Três noites depois, Lua acordou no meio da madrugada com uma forte dor no abdômen. Inicialmente, tentou virar de lado e encontrar uma posição melhor na cama. Mas quando a dor persistiu e até mes­mo aumentou, ela realmente começou a se preocupar.


Ela tentou sentar-se, mas não conseguia manter-se ereta. Então, quando removeu as cobertas para tentar pisar no chão, notou que estava sangrando.


— Ah, não — gritou. O que poderia estar acontecendo? Não podia estar perdendo o bebê!


Ela sentou-se na beirada da cama, totalmente imóvel, na esperança de que assim fazendo pudesse interromper a tormenta dentro de seu corpo. Então outra pontada fez com que se curvasse e ofegasse. Instintivamente, ela pegou o telefone, enquanto caía sobre os tra­vesseiros.


— Alô.


Ela se contorceu ao ouvir a voz de Henrique no telefone, dese­jando que fosse Dona Kátia. Telefonar no meio da madrugada era muito constrangedor. O que seu sogro pensaria? Apesar de no mo­mento, francamente, ela não se importar absolutamente.


— É Lua — ela respondeu, com a voz trêmula. — Desculpe por incomodar tão tarde — ela disse, sem ar. —Dona Kátia está?


— É claro que sim... Mas Lua — ele falou, de repente acordando. — Está acontecendo alguma coisa?


— Sim... Bem, posso falar com ela?


— Claro, querida, agora mesmo. — Ela ouviu quando ele murmurou algo para a esposa, ao passar-lhe o telefone.


— Lua, o que está acontecendo de errado? — perguntou Dona Kátia.


— Eu... bem, acordei com uma dor horrorosa e não melhora. Então, quando sentei notei que estava... Sangrando — ela disse.


Continua..?


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