segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap.51


Sentada no balaústre, Lua disse a si mesma que devia deixar de ser paranóica. Uma coisa era ver que a possibilidade existia, a outra era supor, sem qualquer razão real, que a ausência dele devia-se a aparecimento de uma mulher atraente. Mesmo assim, por mais que tentasse, não conseguia extinguir aquela imagem de Luísa olhando para ele por cima dos ombros com um sorriso de intimidade.


Talvez toda a atenção que Arthur estava dispensando a ela agora fosse parte do seu senso de dever, da promessa que fizera ao avô dela. Mas ela não queria se sentir parte de uma obrigação contratual. Que­ria ser desejada pelo que era.


E isso parecia tão improvável.


Nunca Arthur se declarara mais do que em algumas palavras mur­muradas no calor da paixão. E essas significavam muito pouco. Eram parte de um vocabulário que ele provavelmente usara freqüentemen­te com cada mulher que ia para a cama.


— Lu? — Arthur foi para o terraço e sentou ao lado dela. Ele vestia bermuda e camiseta.


Lua olhou para ele, surpresa. Nunca o vira vestido tão informal­mente antes. E ela apreciava aquele estilo. Ela engoliu em seco, me­nosprezando a si mesma, ao ver aqueles músculos fortes, ainda bron­zeados da estada anterior deles. Ele ainda estava rodeado por aquela poderosa aura de masculinidade, mas ela pouco efeito lhe causara, imersa que estava em suas emoções. Mas naquele momento, com ele sentado perto dela, com os fortes braços descobertos, uma carga de desejo diferente de tudo o que sentira desde o aborto começava a formar-se em seu íntimo.


Ela se recompôs com um sacolejo.


Era fundamental lembrar todas as razões pelas quais uma relação de longo prazo com este homem não poderia dar certo, por todas as dúvidas e a certeza de que ele poderia traí-la a qualquer momento. Suspirando, ela notou que teria que manter-se firme, decidir o que faria da vida. Não era justo para nenhum dos dois continuar naquele vácuo de incerteza.


Mas era difícil pensar na vida sem ele. Ela se acostumara com sua presença, com ele passando em seu quarto de manhã antes de ir para o escritório, beijando-a para se despedir ou ligando durante a manhã para sugerir um almoço.


Era quando a noite se aproximava que as dúvidas tomavam conta dela, quando ele ligava para dizer que se atrasaria devido a uma reu­nião ou a um "jantar de negócios". Era aí que ela perguntava a si mesma se ele estava falando a verdade ou se estava mentindo, en­quanto caía nos braços de outra mulher.


E ainda havia o fato de eles não estarem dormindo juntos.


Dificilmente se poderia dizer que Arthur fosse um monge e não se poderia esperar dele que vivesse em celibato. Portanto, se não estava dormindo com ela, com quem dormia?

Tudo era tão difícil! Lua suspirou, desejando que as coisas fossem diferentes.


— Algo errado, querida? — perguntou Arthur, inclinando-se para frente e envolvendo os dedos dela com o seus.


O toque da mão dele, que ela aceitara nas últimas semanas como carinho e cuidado pela sua saúde, de repente virou fogo. Lua pren­deu a respiração, querendo recuar, apesar de permanecer como esta­va. Arthur estava diferente de alguma forma. Não radicalmente. Mas havia uma mudança sutil. Ele parecia mais vigoroso, mais determinado, e seus olhos tinham um brilho que ela não vira ultimamente. Ela engoliu em seco, sentiu seu corpo arder. Será que era aquele local que a fazia sentir-se tão alterada? Será que a suave brisa marinha estava dissipando a dor e a tristeza, abrindo caminho para novos e inespera­dos sentimentos?


Arthur se aproximou. Ela se levantou depressa e virou na direção do mar, sem conseguir encará-lo.


Arthur decidiu que já demorara muito. Já esperara o tempo que ela precisava para se recuperar do aborto, mas agora a desejava. 

Continua...

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