"Você viu o
jeito que o cara estrangeiro tava
olhando pra você na aula deliteratura Inglesa?" Mel choramingou quando nos encontramos depois da escola.
"Ele é lindo,
e está tão a fim de você! E ele é
da realeza!” Eu apertei seu pulso, tentando
acalmá-la.
"Mel... antes
que você compre um presente para o casamento real, eu preciso te dizer uma coisa assustadora sobre o chamado cara
lindo."
Minha amiga cruzou
os braços, cética. Eu podia dizer
que Mel já tinha criada uma opinião sobre Arthur Vladescu, se baseando apenas em seus ombros largos
e maxilar forte.
"O que você podia dizer sobre ele que é assustador? Acabamos
de conhecê-lo."
"Na verdade,
eu o vi mais cedo essa manhã",
eu disse. "Esse cara - Lucius - estava na parada de ônibus. Encarando-me."
"É isso?" Mel revirou os olhos. "Talvez ele pegue o
ônibus."
"Ele não
subiu."
"Talvez ele
tenha perdido o ônibus." Ela
ergueu os ombros. "Isso é estúpido, não assustador."
Mel não estava
entendendo nem um pouco.
"É mais
estranho que isso", eu
insisti.
"Eu... Eu pensei tê-lo ouvido dizer
meu nome. Bem na hora que o ônibus parou."
Mel pareceu
confusa.
"Meu nome antigo", eu esclareci.
Minha melhor amiga
sugou o ar. "Okay. Isso pode
ser meio estranho."
"Ninguém sabe
esse nome. Ninguém."
De fato, eu nem
tinha dividido boa parte do meu
passado com Mel. A história da minha adoção era meu secreto muito bem guardado. Se ele escapasse... As pessoas achariam
que eu sou uma aberração. Eu me sentia uma aberração toda vez que pensava na
história. Minha mãe, uma
antropóloga cultural, estava estudando uma cultura underground bizarra na Romênia central. Ela esteve lá com meu pai para observar seus rituais, na esperança de escrever um dos inovadores artigos de jornal dela sobre culturas únicas. No entanto, as coisas deram errado na Europa Ocidental.
antropóloga cultural, estava estudando uma cultura underground bizarra na Romênia central. Ela esteve lá com meu pai para observar seus rituais, na esperança de escrever um dos inovadores artigos de jornal dela sobre culturas únicas. No entanto, as coisas deram errado na Europa Ocidental.
A cultura era um pouco estranha demais, um pouco bizarra demais, e algumas pessoas
de um
vilarejo na Romênia se uniram, na tentativa de colocar um fim no grupo inteiro. À força. Pouco antes do bando atacar, meus pais me entregaram, ainda bebê, para os pesquisadores Americanos visitantes, implorando que eles me levassem para os Estados Unidos, onde eu estaria salva.
vilarejo na Romênia se uniram, na tentativa de colocar um fim no grupo inteiro. À força. Pouco antes do bando atacar, meus pais me entregaram, ainda bebê, para os pesquisadores Americanos visitantes, implorando que eles me levassem para os Estados Unidos, onde eu estaria salva.
Eu odiava essa
história. Odiava o fato de que meus
pais eram pessoas ignorantes, supersticiosas,
que foram tolas para se unir a um
culto. Eu nem queria saber quais eram os rituais.
Eu conhecia o tipo que a minha mãe
estudava. Sacrifícios de animais, adoração de árvores, virgens
jogadas em vulcões... Talvez meus
pais biológicos estivessem envolvidos com
algum lance sexual fora do comum. Talvez tenha sido
por isso que eles foram assassinados.
Quem sabia? Quem queria saber?
Eu não pedi pelos
detalhes, e meus pais adotivos
nunca pressionaram com o assunto. Eu só estava feliz por ser Roberta Alexandra Messi, Americana. Lua Blanco Dragomir
não existia, até onde eu sabia.
"Você tem certeza que ele sabia o seu nome?" Mel perguntou.
"Não",
eu admiti. "Mas eu achei ter
escutado."
"Oh, Roberta”, Mel
suspirou. "Ninguém sabe esse nome. Você provavelmente imaginou a coisa
toda. Ou talvez ele tenha dito
uma palavra que soasse parecida com Lua Blanco."
Eu olhei de lado
para Mel. "Que palavra soa
como Lua Blanco?"
"Eu não sei.
Que tal `como cê tá`?"
"É, tá
legal." Mas isso meio que me fez
sorrir. Caminhamos em direção à rua para esperar que minha mãe viesse me
pegar. Durante o almoço eu liguei
pra ela para dizer que não ia pegar o ônibus pra casa.
Mel continuou com
a tentativa. "Eu só estou
dizendo que talvez você devesse dar a Arthur uma chance."
"Por quê?"
"Por que... ele é tão alto", Mel explicou, como se altura fosse sinônimo de bom caráter. "E eu mencionei Europeu?"
A van Volkswagen
velha e enferrujada da minha mãe
parou no meio-fio, e eu acenei pra ela. "Sim. É tão melhor ser perseguida por um Europeu alto do que
por um Americano de estatura comum."
"Bem, pelo menos Arthur está prestando atenção em você." Mel inalou.
"Ninguém
nunca presta atenção em mim."
Chegamos à van e
eu abri a porta. Antes que eu
pudesse dizer oi, Mel me empurrou pra dentro e disparou "A Roberta tem um namorado, Dra. Messi. Mamãe
parecia confusa. "Isso é verdade, Roberta Alexandra?"
Era minha vez de
empurrar Mel pra fora do caminho.
Eu entrei e fechei aporta, fechando minha amiga do outro lado. Mel acenou, rindo, enquanto minha mãe
acelerava pra longe do meio-fio.
"Um namorado, Roberta?" Minha mãe perguntou novamente. "No primeiro dia de aula?"
"Ele não é meu namorado", eu rosnei, travando meu cinto de
segurança. "Ele é um estudante de intercâmbio esquisitão que está me
perseguindo."
"Roberta, tenho certeza que você está
exagerando", mamãe disse. "Adolescentes do sexo masculino frequentemente são
estranho socialmente. Você provavelmente está
interpretando mal comportamentos
inocentes."
Como todos os
antropólogos culturais, mamãe acreditava
que sabia de tudo sobre interações sócio-humanas.
"Você não o
viu no ponto de ônibus essa manhã",
eu discuti. "Ele estava ali de pé usando u, sobretudo preto... E quando
eu cortei o dedo ele lambeu o
lábio..."
Quando eu disse
isso minha mãe pisou no freio com
tanta força que minha cabeça quase foi parar no painel. Um carro atrás de nós buzinou raivoso.
"Mãe! O que
foi isso?"
"Desculpa Roberta”, ela disse, parecendo meio pálida. Ela pisou no acelerador de novo. "Foi só
algo que você disse... sobre se
cortar."
"Eu cortei o
dedo e ele praticamente babou,
como se fosse uma batata frita coberta de ketchup", eu estremeci. "Foi tão nojento."
Mamãe ficou mais pálida ainda, e eu sabia que algo estava acontecendo.
"Quem... Quem
é esse garoto?" Ela perguntou
enquanto estacionava perto de um sinal de pare perto da Universidade
Grantley, onde ela ensinava.
"Qual é o nome dele?"
Eu podia dizer que
ela estava tentando soar despreocupada,
e isso a fez parecer mais nervosa.
"O nome dele
é..." Mas, no entanto, antes
que eu pudesse dizer Arthur, eu o vi. Sentado numa parede baixa que cercava o campus. E ele estava me observando. De
novo. Suor começou a escorrer na minha testa. Mas dessa vez, eu fiquei fula da vida. Agora já basta.
"Ele está sentado bem ali", eu
choraminguei, apontando meu dedo na
janela. "Ele está me
encarando de novo!”Aquilo
“não era” comportamento socialmente estranho.” Era perseguição. "Eu quero que ele me deixe em
paz!"
Então minha mãe
fez algo inesperado. Ela parou no
meio-fio, bem do lado de onde Arthur estava esperando, observando.
"Qual é o nome dele, Roberta?" Ela perguntou novamente enquanto destravava o cinto de segurança.
Eu achei que minha
mãe fosse confrontar ele, então
agarrei seu braço. "Mãe, não. Ele é desequilibrado, ou algo assim."
Mas minha mãe
gentilmente tirou meus dedos do seu
braço. "O nome dele, Roberta."
" Arthur
", eu respondi. “Arthur Vladescu."
"Oh, minha
nossa", Mamãe murmurou, olhando
diretamente por mim para o meu perseguidor. "Eu acho que isso
realmente era inevitável..."
Ela tinha um olhar esquisito, distante nos olhos.
"Mãe?" O que era inevitável?
"Espere
aqui", ela disse, ainda sem olhar
pra mim. "Não se mova." Ela soava tão séria que eu nem protestei. Sem
outra palavra, minha mãe saiu da
van e caminhou diretamente até o cara ameaçador que tinha me seguido o dia inteiro.
Ela estava louca?
Ele tentaria fugir? Ficar louco e
machucá-la? Mas não, ele escorregou graciosamente para fora da parede e fez uma reverência – uma reverência de
verdade, com a cintura - para a minha
mãe. Mas que...?
Eu baixei a
janela, mas eles falavam tão suavemente que
eu não consegui ouvir o que estavam dizendo. A conversa durou pelo que pareceram ser anos. Então minha mãe balançou
a mão dele.
Arthur Vladescu se
virou pra ir embora, e minha mãe
voltou para a van e deu a
partida.
"Mas o que
foi isso?" Eu perguntei confusa.
Minha mãe me olhou
diretamente nos olhos e disse,
"Você, seu pai e eu precisamos ter uma conversa. Essa noite."
"Sobre o
que?" Eu quis saber, uma sensação
incômoda na boca do meu estômago. Uma sensação ruim. "Você conhece aquele cara?"
"Nós vamos
explicar depois. Nós temos muito,
muito pra te dizer. E precisamos fazer isso antes que Arthur chegue para
o jantar."
Minha mandíbula
ainda estava no chão quando minha
mãe deu um tapinha na minha mão e voltou para o trânsito.
Continua...

Ansiosa pra saber ...
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