domingo, 29 de novembro de 2015

Prometida a um vampiro - Cap.4


"Você viu o jeito que o cara estrangeiro tava olhando pra você na aula deliteratura Inglesa?" Mel choramingou quando nos encontramos depois da escola.


"Ele é lindo, e está tão a fim de você! E ele é da realeza!” Eu apertei seu pulso, tentando acalmá-la. 

"Mel... antes que você compre um presente para o casamento real, eu preciso te dizer uma coisa assustadora sobre o chamado cara lindo."


Minha amiga cruzou os braços, cética. Eu podia dizer que Mel já tinha criada uma opinião sobre Arthur Vladescu, se baseando apenas em seus ombros largos e maxilar forte.

 "O que você podia dizer sobre ele que é assustador? Acabamos de conhecê-lo."


"Na verdade, eu o vi mais cedo essa manhã", eu disse. "Esse cara - Lucius - estava na parada de ônibus. Encarando-me."


 isso?" Mel revirou os olhos. "Talvez ele pegue o ônibus."


"Ele não subiu."


"Talvez ele tenha perdido o ônibus." Ela ergueu os ombros. "Isso é estúpido, não assustador."
Mel não estava entendendo nem um pouco. 


"É mais estranho que isso", eu insisti. "Eu... Eu pensei tê-lo ouvido dizer meu nome. Bem na hora que o ônibus parou."


Mel pareceu confusa.


"Meu nome antigo", eu esclareci.


Minha melhor amiga sugou o ar. "Okay. Isso pode ser meio estranho."


"Ninguém sabe esse nome. Ninguém."


De fato, eu nem tinha dividido boa parte do meu passado com Mel. A história da minha adoção era meu secreto muito bem guardado. Se ele escapasse... As pessoas achariam que eu sou uma aberração. Eu me sentia uma aberração toda vez que pensava na história. Minha mãe, uma 
antropóloga cultural, estava
estudando uma cultura underground bizarra na Romênia central. Ela esteve lá com meu pai para observar seus rituais, na esperança de escrever um dos inovadores artigos de jornal dela sobre culturas únicas. No entanto, as coisas deram errado na Europa Ocidental.
 A cultura era um pouco estranha demais, um pouco bizarra demais, e algumas pessoas de um 
vilarejo na Romênia se uniram,
na tentativa de colocar um fim no grupo inteiro. À força. Pouco antes do bando atacar, meus pais me entregaram, ainda bebê, para os pesquisadores Americanos visitantes, implorando que eles me levassem para os Estados Unidos, onde eu estaria salva.
Eu odiava essa história. Odiava o fato de que meus pais eram pessoas ignorantes, supersticiosas, que foram tolas para se unir a um culto. Eu nem queria saber quais eram os rituais. Eu conhecia o tipo que a minha mãe estudava. Sacrifícios de animais, adoração de árvores, virgens jogadas em vulcões... Talvez meus pais biológicos estivessem envolvidos com algum lance sexual fora do comum. Talvez tenha sido por isso que eles foram assassinados. Quem sabia? Quem queria saber?


Eu não pedi pelos detalhes, e meus pais adotivos nunca pressionaram com o assunto. Eu só estava feliz por ser Roberta Alexandra Messi, Americana. Lua Blanco Dragomir não existia, até onde eu sabia.


"Você tem certeza que ele sabia o seu nome?" Mel perguntou.


"Não", eu admiti. "Mas eu achei ter escutado."


"Oh, Roberta, Mel suspirou. "Ninguém sabe esse nome. Você provavelmente imaginou a coisa toda. Ou talvez ele tenha dito uma palavra que soasse parecida com Lua Blanco."


Eu olhei de lado para Mel. "Que palavra soa como Lua Blanco?"


"Eu não sei. Que tal `como cê tá`?"


"É, tá legal." Mas isso meio que me fez sorrir. Caminhamos em direção à rua para esperar que minha mãe viesse me pegar. Durante o almoço eu liguei pra ela para dizer que não ia pegar o ônibus pra casa.


Mel continuou com a tentativa. "Eu só estou dizendo que talvez você devesse dar a Arthur uma chance."

"Por quê?"

"Por que... ele é tão alto", Mel explicou, como se altura fosse sinônimo de bom caráter. "E eu mencionei Europeu?"


A van Volkswagen velha e enferrujada da minha mãe parou no meio-fio, e eu acenei pra ela. "Sim. É tão melhor ser perseguida por um Europeu alto do que por um Americano de estatura comum."

"Bem, pelo menos Arthur está prestando atenção em você." Mel inalou.

"Ninguém nunca presta atenção em mim."


Chegamos à van e eu abri a porta. Antes que eu pudesse dizer oi, Mel me empurrou pra dentro e disparou "A Roberta tem um namorado, Dra. Messi. Mamãe parecia confusa. "Isso é verdade, Roberta Alexandra?"


Era minha vez de empurrar Mel pra fora do caminho. Eu entrei e fechei aporta, fechando minha amiga do outro lado. Mel acenou, rindo, enquanto minha mãe acelerava pra longe do meio-fio.


"Um namorado, Roberta?" Minha mãe perguntou novamente. "No primeiro dia de aula?"


"Ele não é meu namorado", eu rosnei, travando meu cinto de segurança. "Ele é um estudante de intercâmbio esquisitão que está me perseguindo."


"Roberta, tenho certeza que você está exagerando", mamãe disse. "Adolescentes do sexo masculino frequentemente são estranho socialmente. Você provavelmente está interpretando mal  comportamentos inocentes."


Como todos os antropólogos culturais, mamãe acreditava que sabia de tudo sobre interações sócio-humanas.


"Você não o viu no ponto de ônibus essa manhã", eu discuti. "Ele estava ali de pé usando u, sobretudo preto... E quando eu cortei o dedo ele lambeu o lábio..."


Quando eu disse isso minha mãe pisou no freio com tanta força que minha cabeça quase foi parar no painel. Um carro atrás de nós buzinou raivoso.


"Mãe! O que foi isso?"


"Desculpa Roberta, ela disse, parecendo meio pálida. Ela pisou no acelerador de novo. "Foi só algo que você disse... sobre se cortar."


"Eu cortei o dedo e ele praticamente babou, como se fosse uma batata frita coberta de ketchup", eu estremeci. "Foi tão nojento."

Mamãe ficou mais pálida ainda, e eu sabia que algo estava acontecendo.


"Quem... Quem é esse garoto?" Ela perguntou enquanto estacionava perto de um sinal de pare perto da Universidade Grantley, onde ela ensinava. "Qual é o nome dele?"

Eu podia dizer que ela estava tentando soar despreocupada, e isso a fez parecer mais nervosa.


"O nome dele é..." Mas, no entanto, antes que eu pudesse dizer Arthur, eu o vi. Sentado numa parede baixa que cercava o campus. E ele estava me observando. De novo. Suor começou a escorrer na minha testa. Mas dessa vez, eu fiquei fula da vida. Agora já basta.

 "Ele está sentado bem ali", eu choraminguei, apontando meu dedo na janela. "Ele está me 
encarando de novo!”Aquilo “não era” comportamento socialmente estranho.” Era perseguição. "Eu quero que ele me deixe em paz!"


Então minha mãe fez algo inesperado. Ela parou no meio-fio, bem do lado de onde Arthur estava esperando, observando. 

"Qual é o nome dele, 
Roberta?" Ela perguntou  novamente enquanto destravava o cinto de segurança.

Eu achei que minha mãe fosse confrontar ele, então agarrei seu braço. "Mãe, não. Ele é desequilibrado, ou algo assim."


Mas minha mãe gentilmente tirou meus dedos do seu braço. "O nome dele, Roberta."


" Arthur ", eu respondi. “Arthur Vladescu."


"Oh, minha nossa", Mamãe murmurou, olhando diretamente por mim para o meu perseguidor. "Eu acho que isso realmente era inevitável..." Ela tinha um olhar esquisito, distante nos olhos.


"Mãe?" O que era inevitável?


"Espere aqui", ela disse, ainda sem olhar pra mim. "Não se mova." Ela soava tão séria que eu nem protestei. Sem outra palavra, minha mãe saiu da van e caminhou diretamente até o cara ameaçador que tinha me seguido o dia inteiro.


Ela estava louca? Ele tentaria fugir? Ficar louco e machucá-la? Mas não, ele escorregou graciosamente para fora da parede e fez uma reverência – uma reverência de verdade, com a cintura - para a minha mãe. Mas que...?


Eu baixei a janela, mas eles falavam tão suavemente que eu não consegui ouvir o que estavam dizendo. A conversa durou pelo que pareceram ser anos. Então minha mãe balançou a mão dele.
Arthur Vladescu se virou pra ir embora, e minha mãe voltou para a van e deu a partida.


"Mas o que foi isso?" Eu perguntei confusa.

Minha mãe me olhou diretamente nos olhos e disse, "Você, seu pai e eu precisamos ter uma conversa. Essa noite."


"Sobre o que?" Eu quis saber, uma sensação incômoda na boca do meu estômago. Uma sensação ruim. "Você conhece aquele cara?"


"Nós vamos explicar depois. Nós temos muito, muito pra te dizer. E precisamos fazer isso antes que Arthur chegue para o jantar."



Minha mandíbula ainda estava no chão quando minha mãe deu um tapinha na minha mão e voltou para o trânsito.

Continua...

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