terça-feira, 24 de novembro de 2015

Casamento por conveniência - Cap.57


Lua ouviu as últimas palavras dele com o coração galopando. Sabia que a ligação era de Londres, que algo estava errado no escritó­rio — ou no dele ou na Carvajal —, que a presença dele era necessá­ria imediatamente. Finalmente, o sonho estava prestes a acabar.


— Lua, sinto muito, mas teremos que ir embora para Londres amanhã. Eu preciso resolver umas coisas no escritório — ele disse.


— Sei — ela respondeu, ocultando a sensação de medo e desapon­tamento. Ali tudo era tão perfeito que ela se sentia pouco inclinada a voltar para o mundo real. — Algo errado? — ela perguntou.


— Ainda não estou totalmente certo, mas acredito que sim. É um pouco difícil de explicar agora.


— Bem, não vejo por que — respondeu Lua. — Não sou total­mente estúpida.


— Não tem nada a ver com você ser estúpida ou não. Eu só não tenho certeza dos fatos e isso envolve outras pessoas. Sinto muito, mas você vai ter que esperar. — O tom de voz dele era arbitrário e ela sentiu certa irritação.


E dor.


Já tinha começado. O mundo externo já estava se insinuando den­tro do pequeno paraíso deles, contaminando-o com as dúvidas e os medos que nas últimas semanas ela conseguira eliminar da existência deles.


Mas eis que a realidade se insinuava até ali naquela ilha e os arras­tava de volta para seus domínios.


Lua não disse nada, mas levantou e entrou, perdendo todo o de­sejo de ficar sentada à brisa da noite. O interlúdio mágico estava terminado, ela concluiu, e quanto mais cedo reconhecesse o fato, mais fácil seria



Continua..

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