Lua ouviu as últimas palavras dele
com o coração galopando. Sabia que a ligação era de Londres, que algo estava
errado no escritório — ou no dele ou na Carvajal —, que a presença dele era
necessária imediatamente. Finalmente, o sonho estava prestes a acabar.
— Lua, sinto muito, mas teremos que
ir embora para Londres amanhã. Eu preciso resolver umas coisas no escritório —
ele disse.
— Sei — ela respondeu, ocultando a
sensação de medo e desapontamento. Ali tudo era tão perfeito que ela se sentia
pouco inclinada a voltar para o mundo real. — Algo errado? — ela perguntou.
— Ainda não estou totalmente certo,
mas acredito que sim. É um pouco difícil de explicar agora.
— Bem, não vejo por que — respondeu Lua.
— Não sou totalmente estúpida.
— Não tem nada a ver com você ser
estúpida ou não. Eu só não tenho certeza dos fatos e isso envolve outras
pessoas. Sinto muito, mas você vai ter que esperar. — O tom de voz dele era
arbitrário e ela sentiu certa irritação.
E dor.
Já tinha começado. O mundo externo já
estava se insinuando dentro do pequeno paraíso deles, contaminando-o com as
dúvidas e os medos que nas últimas semanas ela conseguira eliminar da
existência deles.
Mas eis que a realidade se insinuava
até ali naquela ilha e os arrastava de volta para seus domínios.
Lua não disse nada, mas levantou e
entrou, perdendo todo o desejo de ficar sentada à brisa da noite. O interlúdio
mágico estava terminado, ela concluiu, e quanto mais cedo reconhecesse o fato,
mais fácil seria

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